Destruindo Clássicos: O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller – Parte 1: O fascismo do Cavaleiro das Trevas

Vocês devem se lembrar de Frank Miller como o cara que tirou o Demolidor do limbo, ou como o autor de Sin City, ou ainda como o criador de 300 de Esparta… mas eu simplesmente prefiro me lembrar dele como o cara que fodeu com a franquia Robocop no cinema.

Frank Miller é o exemplo clássico de um escritor que se tornou uma marca. Alcançou o sucesso com meia dúzia de trabalhos com alguma qualidade e, depois disso, qualquer coisa com os dizeres “escrito por Frank Miller” tornou-se sinônimo de altas vendas.

Pensemos em trabalhos considerados “revolucionários” como Ronin, vendido como “o primeiro mangá americano” (e, espero, tenha sido o último) ou mesmo aquele pastiche de american ninja conhecido como Elektra Assassina e você já tem uma noção do nível das ideias de Miller. Porém, criticar Miller por essas obras seria fácil demais e, até certo ponto, desnecessário. Vamos pegar algo realmente de peso em sua obra. Uma obra cuja qualidade não poderia nem deveria ser questionada… até agora. Vamos pegar o clássico dos clássicos de Miller…

O Cavaleiro das Trevas.

Com O Cavaleiro das Trevas Frank Miller consolidou a concepção de um Batman brutal e psicótico. Sim, você leu certo. Miller não inventou esse Batman, ele já estava lá, escrito por Denis O’Neil e desenhado por Neal Adams desde a década de 70 -lembrando que O’Neil foi o editor de Miller na obra, bem como Dick Giordano, fico pensando quanto aquilo tudo foi ideia deles ou de Miller… mas vamos crer naquilo que está escrito.

Mas por que Miller fixou-se na mente da maioria dos leitores tendo criado esse Batman? A resposta está na estratégia de marketing da DC. As histórias de O’Neil eram simplesmente comics ou, para tornar a expressão mais inteligível, gibis. Coisa de criança. Já O Cavaleiro das Trevas não, aquilo era uma graphic novel (novela ou narrativa gráfica, dependendo de quem faz a porca tradução), quadrinhos, a 9ª Arte e vendido como tal.

Embora no seu formato original a série tenha saído como limited series, apenas um ano depois foi reunida em uma única edição como uma graphic novel, ou seja, uma estratégia de mercado para vender quadrinhos para um público adulto, ou um modo de um adulto ler quadrinhos em algum lugar público e não receber olhares reprovadores por isso. Ou seja, o sucesso de O Cavaleiro das Trevas não pode ser dissociado dessa estratégia de marketing da DC em vender o Batman para um público “adulto”.

Em O Cavaleiro das Trevas, Miller executa sua ideia básica para 95%  de sua produção: pega todas as suas influências noir na ambientação, hard boiled na trama e cria um tough guy como personagem principal. Voilá!  Você tem mais uma obra prima de Frank Miller! Alguém aí lembrou do filme do Spirit? Então…

Mas ok. Você comprou o peixe como lhe venderam. Gastou cerca de 100 reais na edição definitiva da Panini (última a ser pública por aqui e ainda vem com O Cavaleiro das Trevas 2, mas esse está abaixo da crítica). Tem nas mãos um verdadeiro clássico da 9ª Arte, uma graphic novel, um Batman para adultos escrita e desenhada por ninguém menos que Fank Miller. E agora?

Livro 1: O Retorno do Cavaleiro das Trevas

Bruce Wayne está velho. Na primeira sequencia de quadrinhos o vemos desafiar a morte em uma manobra suicida em uma corrida de carros. Gotham está mais violenta do que nunca e Batman o quer possuir novamente, mas ele resiste. Por quê? Porque se sente inseguro, tem medo de não estar à altura do Homem-Morcego.

Mas quando o filme Zorro traz de volta as lembranças da morte de seus pais o Batman volta. A cidade, que até então vinha sofrendo uma onda infernal de calor é acometida por uma tempestade. É o Batman voltando e limpando as ruas de Gotham.

Batman constata que já não é mais o mesmo. Seu corpo não responde… ele se lamenta por ter sido brando demais com alguns criminosos que agora o cercam. Então, quando toma o controle da situação novamente, ele aleija um criminoso. Batman afirma sua superioridade e recupera parte de sua confiança em si mesmo ao fazê-lo.

Paralelo a tudo isso, Harvey Dent é solto do Arkham, agora com a face regenerada e supostamente reabilitado. Mas, obviamente, volta a cometer crimes. A capacidade dos psiquiatras e psicólogos do Arkham é anulada. Não é possível nenhuma reabilitação. No embate final com Batman, o Duas-Caras pode morrer, mas Batman o salva. Não por uma preocupação ética ou moral em salvar vidas, mas porque Batman deseja saber se realmente era Harvey Dent ou não.

Ao interrogar um criminoso, este clama por seus direitos humanos, ao que Batman responde que se divertia contando-os para ficar mais furioso. Datena e afins aplaudiriam de pé o Morcego por essa.

Esse é o Batman de Frank Miller: inseguro, obsessivo, psicótico e com quase nenhuma restrição ética ou moral, que ele mesmo descreve como “um gênio obsessivo, hercúleo e razoavelmente maníaco”.

Livro 2: O Triunfo do Cavaleiro das Trevas

As ações do Batman começam a repercutir. Os índices de criminalidade diminuem e um debate sobre a legitimidade de seus atos se instala na imprensa. O dr. Wolper já teve sua capacidade invalidada ao liberar o Duas-Caras do Arkham. Quando ele analisa os atos do Morcego diz categoricamente: “o Batman é uma doença”.

Em um programa de TV o âncora se dirige a Lana Lang, uma das poucas defensoras do Batman na mídia: “Como pode apoiar uma conduta tão ilegal, que viola justiça e direitos humanos?” (notem que no original é “direitos civis”)  e a resposta “Nós vivemos à sombra do crime, Ted, com a silenciosa certeza de que somos as vítimas… do medo, da violência e da impotência social. Um homem se ergueu para nos mostrar que o poder está e sempre estará em nossas mãos. Nós nos encontramos cercados e sob ataque. Ele está mostrando que podemos resistir”. O mesmo poderia ser dito de Hitler durante a República de Weimar, e todos nós sabemos como tudo isso terminou.

Miller é hábil ao alternar entre os atos do Batman e a posição da imprensa. Ele a mostra sempre adulterando e deturpando os fatos que vemos, há sempre um contraste entre a realidade que ele nos faz presenciar e a interpretação equivocada da mídia e é por isso que as ações do Batman são sempre justificadas de alguma forma. A mídia declara que Batman é um fascista, um doente e um criminoso. Ficamos ao lado do vigilante e, desse modo, legitima-se esse mesmo comportamento que é, de fato, fascista, doente e criminoso no pior sentido da máxima “os fins justificam os meios”. Aliás essa é a tese de Miller: Batman é grande demais, está acima da compreensão de meros mortais. Suas ações estão acima do Bem e do Mal. De acordo com Miller:

“Eu não guardei meu veneno mais poderoso pro Coringa ou pro Duas-Caras, mas para as insípidas e apelativas figuras da mídia que cobriam de forma tão pobre os gigantescos conflitos daquela época. O que essas pessoas insignificantes fariam se gigantes andassem sobre a Terra? Que tratamento elas dariam a um herói poderoso, exigente e inclemente?”

E é esse mesmo herói inclemente que diz: “Foi difícil carregar 120 quilos de sociopata até o topo das Torres de Gotham… o ponto mais alto da cidade. Mas os gritos compensaram”. Batman não usa mais seus métodos apenas porque é necessário, ele passa a sentir prazer na tortura que inflige aos criminosos.

Mas o grande conflito está entre Batman e a chamada Gangue dos Mutantes. Sabemos poucos dessa gangue, mas duas de suas características são constantemente reiteradas: sua juventude e sua brutalidade. Num conflito quase mortal com o líder dos Mutantes tendo como telespectadores o restante da gangue Batman o vence, provocando a catarse para aquela juventude massificada e brutalizada. Em um passe de mágica, parte dos Mutantes se tornam Os Filhos do Batman. Ao invés de executar atos de violência contra os cidadãos de bem de Gotham começam a executar atos de violência contra criminosos. É assim que Miller vê a juventude: uma massa perdida à espera de seu Führer.

Convencidos? Satisfeitos? Eu também não. Não perca a parte 2 com os capítulos finais da obra, entenda a crítica de Frank Miller ao Occupy Wall Street e seu legado para o Homem-Morcego, talvez não nessa mesma bat-hora, mas definitivamente nesse mesmo bat-canal, ou melhor, bat-blog.

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Sobre Nerdbully

Mestre do Zen Nerdismo.
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54 respostas para Destruindo Clássicos: O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller – Parte 1: O fascismo do Cavaleiro das Trevas

  1. batata disse:

    Ele nao fodeu com RoboCop, e se acha isso deveria se justificar, pois por que alguem ligaria para a opinião de um sujeito que não produz nada e ainda critica sem argumento

  2. andré disse:

    eu acho que miller estava certo é so obcervar os jovens de hoje em dia que seguem cegamente essas bandas e cantores pop e cada vez que aparece um outro elas ja vão correndo para o outro e´a mesma coisa so que numa escala menor

  3. Anarquia disse:

    Frank Miller é um fascio filho da puta… e tenho dito

  4. Pingback: Destruindo Clássicos: O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller – Parte 2: O terrorismo do Cavaleiro das Trevas | Quadrinheiros

  5. CharlessRod disse:

    Continuo achando uma bela obra, o implante de ideologia nas mídias e na arte não é novidade, sejam os heróis do Miller mostrando a necessidade de sua existência e autoridade a sociedade ou os de Moore dando o poder ao povo sua liberdade e implantando medo, o unico herói que pode salvar o mundo é a consciência!!!

  6. Anderson disse:

    Caramba, finalmente alguém para enxergar de forma clara o que está posto na “clássica” deconstrução do herói do Frank, chamada de “O Cavaleiro da Trevas”.

  7. Deixa eu ver se eu entendi, o autor do post não gosta da hq pq a narrativa é ruim, os desenhos são ruins, ou a história é ruim, mas sim, pq ele enxergou uma analogia ao fascismo. Você é um leitor de histórias em quadrinhos, ou um partidário político ofendido? A grandiosidade dessa HQ, independe de posicionamento político ou ideológico do leitor. A não ser, claro, que o leitor seja um anarquista bitolado que não consegue deixar seu posicionamento de lado ao ler uma história em quadrinhos. E tenho dito!

    • Resumo do que deu pra entender da “desconstrução” da hq: “Olha, ele narra muito bem, a história é legal e tals, bem escrita, mas o batman é um fascista, então a hq é ruim.” E fala sério, você mora no Brasil? Discordar da visão de que esse juventude tá perdida, é muita hipocrisia…

    • CharlessRod disse:

      Acho que o objetivo do criador do post não foi criticar a obra mas sim a destruição do Batman por parte dela, afinal, o que rola em Cavaleiro das Trevas é uma coisa perturbadora se comparado com o Batman retratado antes e de hoje, apesar de ser o cara dos caras o Batman ainda sim é um herói, o que temos do Miller é um Batman que tem noção de que é o cara e quer impor isso as pessoas, mostrar a justiça pelas proprias mãos, e não a luta contra o crime. Por mais sombrio que o Batman seja ele ainda é um herói e esse é um conceito esquecido pelo Miller…… Não me entenda mal, amo essa HQ e adorei d+ a animação, mas verdade seja dita, e esse papo de morar no Brasil é bem furado cara, tbm só a favor de medidas mais drásticas com alguns delinquentes mas isso varia de pensamento, cada um com o seu!!!!

      • jamy disse:

        Amigo millher mostrou na visao DELE no que o batman se tornaria num futuro paralelo; depois da morte do robin pelo coringa, wayne mudou completamente a sua visao do mundo e dos criminosos. Viu a era necessario mudar e combater o crime de outra maneira, sendo mais energico. Por isso torno-se mais duro e violento que nos anos anteriores e entendeu q amadureceu chegando a conclusao q como agia no passado seria insuficiente para aquele momento da sociedade. O batman de miller eh um anti heroi o q em nosso universo ele nunca foi. Essa era a visao pessoal de miller sobre o personagem. Apenas isso. Quem leu a hq e nao entendeu isso nao captou nada da sua essencia.

      • Nerdbully disse:

        Que é a visão do Frank Miller é um tanto óbvio, é por isso que ele assina a HQ. Em nenhum momento do texto é criticada a coerência interna da trama, é óbvio que ele criou motivos plausíveis – dentro da hq – para que o Batman se tornasse o fascista/terrorista que Miller queria. O Batman da HQ não é um anti-herói, e vc pode ler sobre o que é um anti-herói aqui . Entender não é aceitar, muito menos concordar.

    • Concordo demais com você, Luis.

      O cara não tá criticando a obra artística, mas sim suas “implicações” sociais. É uma crítica, mas não à narrativa, aos desenhos, às cores (aliás, tudo isso fantástico). É uma crítica às ideias “reacionárias” ali apresentadas.

      E na verdade, em sua crítica ao “fascismo” de Batman/Wayne, ele acaba por elogiar implicitamente a narrativa da história, dando um crédito a Miller que talvez não quisesse.

      Por algumas coisas que já li do Miller, ele realmente parece ser meio reacionário demais pro meu gosto, ma isso não invalida de maneira alguma sua obra.

      Valeu!

      • apollotwenty disse:

        O texto se propõe exatamente a isso, uma análise da obra do ponto de visto ideológico!

        Existem muitas resenhas do ponto de vista estético de Os Cavaleiros das Trevas. Se é isso que procura, não custava nada ler o título do texto.

      • O problema começa exatamente no título, amigo: “destruindo clássicos”. Isso por si só já transmite uma ideia de que se vai criticar a obra artística e não analisar as implicações sociais. Na introdução do texto, a ideia persiste, critica-se o “Miller style” utilizado em “95% de sua produção”. Somente a partir do subtítulo “Livro 1: O Retorno do Cavaleiro das Trevas” é que se começa a delinear o tom da crítica de fato, que, repito, não deixa de ser válida.

        Abraços e sucesso!

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  9. Queops Negronski disse:

    Sou fã de Batman e achei excelente o texto. Bendita a hora em que optei por receber via e-mail o “Quadrinheiros”.

  10. Pingback: DAS CHAMAS DO INFERNO PARA AS PÁGINAS DOS GIBIS: Super-heróis demoníacos, teocracia cristã e cultura grega | Quadrinheiros

  11. Elton Sdl disse:

    Rapaz… depois do que vi sobre Miller e suas ideias a respeito do Islamismo, estou cada vez mais convencido de que, infelizmente, suas doses de genialidade estão sendo afogadas por seu caráter reacionário e fascista.
    Vejam: http://www.actionsecomics.net/2011/12/frank-miller-incompetencia-de-um.html

  12. Frank Miller é puta reacionário fascista de merda. E foi um grande quadrinista. Uma coisa não anula a outra.

  13. Eduardo disse:

    Recentemente comprei Batman: Cavaleiro das Trevas definitiva por apenas 53 reais no ponto frio com frete gratuito, Como fui criado nos anos 80, gostando de filmes,quadrinhos e livros com esse teor de violência, Cavaleiro das Trevas é apenas mais um item que gosto muito. E depois de ler o seu texto, apenas confirmei o status de Obra de arte suprema que este quadrinho tem na minha vida, Quero humildemente te agradecer pelo belíssimo texto feito por vossa senhoria, que me fez apena ter a certeza absoluta que Cavaleiro das Trevas é uma das grandes obras primas da nona arte !!!! Valeu amigo Nerdbully !!!!!!!!!!!!!!!!!

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  16. daniel x disse:

    Muito bom texto! Robocop 2 bom! Ótima obra, que reflete muito da cultura da época. Mas fuder mesmo, ele fudeu foi com o Will Eisner, quando dirigiu aquele “Spirit” das trevas. Conseguiu cagar numa obra praticamente pronta, com alto orçamento, e elenco estelar.
    Frank Miller = meia dúzia de obras.

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  21. Olavo Lima disse:

    mimimii politicamente correto mimimi foi isso que resumiu isso aqui,adoro o quadrinheiros mas tem coisas que enchem o saco,uma historia é somente uma historia,é feita para a gente se divertir (esqueceu que esse é o ponto dos quadrinhos) não importa a sua ideologia acredito que o cavaleiro das trevas 1 divertiu a todos,agora hoje em dia virou moda acusar o frank miller de fascista porque ele não anda escrevendo nada bom e ficou senil,mas o cavaleiros das trevas é uma obra clássica que mostra como é a sociedade americana e pasmem a nossa,talvez por essa dura critica ela seja acusada de ser fascista assim como robocop 1 (que é muito mais critico que o robocop 2 que o frank miller esteve envolvido,ja que o no 2 ainda pegam leve)

    fiquei meio decepcionado com esse texto porque não critica o quadrinho mas sim a postura pessoal do autor de maneira bem covarde

    adoro esse site mas isso foi bem triste especialmente na condição de saúde atual do frank miller

    • Nerdbully disse:

      Poxa, de tudo o que vc leu vc resumiu tudo em “mimimi politicamente correto”?

      Bom, convido vc a ler a parte 2 do texto. Se não confia em mim, confie no Alan Moore. Se vc ler a parte 2 vc vai entender.

      A postura de Miller deixou de ser “pessoal” quando ele a colocou no quadrinho. Uma coisa pessoal é algo que vc deixa na sua vida privada. Se a colocou numa obra de arte é passível, sim, de crítica.

      Fico penalizado com a condição atual de saúde do Miller, mas… por isso a obra dele não deve ser criticada?

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  23. Wagner disse:

    Muito boa a análise da primeira parte. Muita gente se ofendeu. O grau de miopia das pessoas hoje em dia é muito grande e não se trata de opção ideológica. Eu acho que O Cavaleiro das Trevas é uma obra notável, embora particularmente prefiro “Ano um”, mas sempre tive em vista que a figura do Batman naquela revista é tudo que a mídia representada nessa própria obra diz sobre o personagem, e mais um pouco. Os fãs ficam chateados com isso. O Batman da obra em questão é de fato um fascista. Eu curto a obra, curto filmes dos anos 80 que são violentos e tal, mas nada disso me faz ignorar o teor ideológico por trás deles em boa parte das vezes e o fato de eu curtir ou não não diz sobre a qualidade da obra. Parabéns pela abordagem, mesmo tocando na ferida!

    • Nerdbully disse:

      Pois é, Wagner… alguém pode gostar do Miller porque ele é fascista, pode gostar dele apesar de ser fascista (ou não gostar, ou gostar por outros motivos), mas negar que há fortes traços fascistas em “O Cavaleiro das Trevas” é meio que tentar tapar o sol com uma peneira. Abraço.

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  26. Bruno disse:

    Imagina um bandido que vem e mata uma familia…logo você vai dizer …: vamos prende- lo para que a justiça seja feita…no outro dia acontece outro assassinato…e não se tem o resultado que deveria a lei e sua punição…
    Alguém se cansa e começa a fazer justiça com as próprias mãos . Agora coloca isso em um personagem de quadrinho traumazidado desda infância ..velho…enfrentando os limites da idade e da propria decadência da humanidade no tempo que a historia se passa ….e vera Cavaleiro das Trevas. Acho que pra fazermos algo precisamos nos basear em algo que já foi feito e Frank Miller não escapa disso. Podemos pegar qualquer coisa e revelar suas falhas…suas limitações…e é o que o camarada aqui do site propõe. Só acho que ele deveria mais indagar do que afirmar…assim atrairia menos a ira de quem o lê e instigaria ..mesmo que em poucos …alguma vontade de pesquisar os fatos relacionados.

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  30. Adr disse:

    Assino embaixo do que diz o autor do texto:

    “alguém pode gostar do Miller porque ele é fascista, pode gostar dele apesar de ser fascista (ou não gostar, ou gostar por outros motivos), mas negar que há fortes traços fascistas em “O Cavaleiro das Trevas” é meio que tentar tapar o sol com uma peneira”

    E eu acrescentaria a pergunta: Tirando os elementos fascistas, o que sobra n’O Cavaleiro das Trevas? Eu diria que muito pouco… Seria interessante que as pessoas parassem pra pensar se elas de fato não amam O Cavaleiro das Trevas JUSTAMENTE POR ser uma HQ fascista! Mas o que percebo é que os leitores sequer sabem do que se trata esse fenômeno. Talvez tenham lido gibis demais e História de menos…

  31. Pingback: A MARCA DO BATMAN: uma introdução por Alan Moore (1986) | Quadrinheiros

  32. Poderiam fazer um Destruindo Clássicos com “Lobo Solitário”? Eu li quando tinha 16, 17 anos e achei algo incrível, agora com 23, cursando Letras – Língua e Literatura Japonesa eu estou relendo e achando para ser medíocre (sendo que já li mangás velhos e conteporâneos de Lobo Solitário). E me incomoda ainda mais ver que os fãs desta obra possuem concepções e argumentos muito furados sobre o porquê Lobo Solitário é tão incrível. Sinceramente, é um mangá muito inflado para tão pouco conteúdo.

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  34. Jaime Araújo disse:

    Vc não produz e não cria nada,e critica o trabalho dos outros com uma arrogância e tanto,como se vc fosse superior.Se um personagem é fascista isso não quer dizer que o autor seja fascista.Quem criou o Hannibal Lecter é um assassino em série por acaso ? se alguém escreve uma história sobre o Hitler quer dizer que ela é nazista? se vc criasse algo,saberia que é necessária uma grande liberdade e capacidade de criação para extrapolar e escrever sobre quem quer que seja,gostando ou não da ideologia daquela personagem.E quem critica os críticos, que vociferam o que querem, tendo ou não razão ou embasamento para tanto ?

    • Nerdbully disse:

      Caro Jaime, leia a segunda parte do texto. Claramente pelo seu comentário fez muita falta. Lá são mostrados os traços fascistas do próprio Miller. Quanto ao embasamento, a argumentação está no texto. Abraço.

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