As capas mais marcantes de quadrinhos

Existe um ditado que diz que não se deve julgar um livro pela capa. Mas e um quadrinho?

Gibis, mangás, comics ou qualquer outra denominação. Não importa. Histórias em quadrinhos são um produto e como tal precisam ser vendidas.  Nessa hora a capa tem papel fundamental. Os editores sabem disso, pois a capa muitas vezes é o primeiro contato que o consumidor tem com a obra.

Para nós aqui dos Quadrinheiros a capa tem uma importância ainda mais especial, pois começamos a ler quadrinhos nos anos 80 (menos o John Holland que não era nem nascido), onde tínhamos o hábito de ir às bancas de jornal e folhear um quadrinho antes de levá-lo para casa (ou não). Nessa ida à banca e nessa decisão de qual revista levar, é inegável que a capa desempenhava um papel fundamental. Talvez por isso temos essa relação tão especial com as capas de quadrinhos.

Então listamos algumas das capas que mais marcaram esses anos que passamos lendo quadrinhos.

 

Batman #404 e #407 de David Mazzuchelli

por Picareta Psíquico

As edições #404 a #407 da revista BATMAN publicada em 1987, apresentavam o Cavaleiro das Trevas em seu começo de carreira como vigilante mascarado. O arco Ano Um, escrito por Frank Miller e desenhado por David Mazzucchelli, é uma das melhores histórias de todos os tempos do Homem Morcego.

As capas da parte 1 e da parte 4 da minissérie são especialmente icônicas. As duas levam o olho do leitor a girar em torno dos contornos dos corpos e das sombras. Na primeira o jovem Bruce Wayne aparece de joelhos, emoldurado pelos braços dos corpos inertes de seus pais. A sombra pesada que é projetada no centro do corpo do jovem Bruce reforça a sensação de vazio e solidão, ao mesmo tempo que insinua a forma de um morcego. Na segunda o experiente Gordon desequilibrado (vejam a posição de seus pés), consegue sacar rápido sua arma diante de uma figura que se mescla com as sombras e busca o confronto físico. Mais uma vez a imagem gira em uma espiral vertiginosa. Mazzucchelli é – na minha opinião – o melhor desenhista de quadrinhos do planeta.

 

Saga #1 de Fiona Staples

por Picareta Psíquico

Outra categoria de grandes capas são as que levantam polêmicas, e abrem espaço para debates e tomadas de posição. O primeiro número de SAGA, escrita por Brian K. Vaughan e desenhada magistralmente por Fiona Staples, foi alvo de comentários raivosos sobre o uso da imagem de uma mãe amamentando para fins comerciais (como um gancho para a venda de uma história em quadrinhos).

A defesa da arte de Staples nas redes sociais mobilizou diversas artistas que pontuaram que a amamentação não pode ser vista como algo ofensivo ou sexual. Para além desse argumento, o objetivo da imagem é mostrar para o leitor (antes mesmo dele ler a história) que a narrativa fala de uma mãe zelosa e ao mesmo tempo guerreira. De uma família que está se defendendo (veja a posição do braço do pai, e o olhar atento e postura alerta da mãe de arma em punho), em contraste com a fragilidade de um bebê recém nascido que, apesar do perigo, está calmo e amparado porque pode contar com o leite materno (que simboliza amor). Em tempos de  polarização raivosa essa capa é brilhante.

 

Wolverine #7 (#8 nos EUA) de John Buscema

por Velho Quadrinheiro

Ao olhar uma estante – seja a minha, seja a das livrarias – forrada de encadernados com os hits dos quadrinhos como Watchmen, Sandman ou o Cavaleiro das Trevas, sempre volto a pensar a mesma coisa: as primeiras histórias, as melhores histórias, que me levaram a buscar outras – como os hits – são aquelas que guardo nas caixas fechadas. Jóias de papel, escolhidas quando o espírito era livre e conservadas com o zelo que a idade ensinou ser importante.

Não só porque era uma revista do Wolverine, chamava demais a atenção porque era um “plágio” descarado de um pôster do filme Irmãos Gêmeos, estrelado por Arnold Schwarzenegger e Danny DeVitto, de 1988.

Referência bem-humorada de John Buscema, a revista foi lançada nos Estados Unidos no mesmo ano do filme, mas a semelhança acabava ali. Fortuita oportunidade para conhecer a vida de Logan, (quase) clandestino sob a identidade de Caolho na corrupta ilha de Madripoor, trocando porradas com o Hulk, também clandestino sob a alcunha de Sr. Tira-Teima.

 

X-Men n.48 (#242 nos EUA)  de Marc Silvestri e arte final de Dan Green

Por Velho Quadrinheiro

Quase tão boa como a história que trazia, a capa da revista era uma peça a ser apreciada por si própria. No plano superior, os X-Men com traços distorcidos, macabros, vilanescos, provocavam a dúvida: teriam eles se tornado maus? Indagação cativante para a mente de uma criança como eu era. No plano inferior, o X-Factor, heroico, escapando em um ponto de fuga brilhante que quase unia os dois grupos, e a legenda, que revelava o enredo com a palavra-chave: versus.

A capa fazia crer que os X-Men, vilões-mas-talvez-não, venceriam a disputa. De toda forma, algo na capa sugeria que o desfecho certamente não seria feliz para nenhum dos grupos. Torcer para o lado “mau”, emoção complexa para uma criança entender, mas impossível de resistir à leitura.

 

Superaventuras Marvel n. 151 (Silver Surfer #48 nos EUA) de Ron Lim e arte final de Tom Christopher

Por Velho Quadrinheiro

Diferente do que acontece hoje em dia, a capa, sozinha, me fez parar e querer ler a revista. O que poderia fazer com que o Surfista Prateado, um dos seres mais poderosos do universo, caísse de joelhos, de medo ou vergonha? Que águas eram aquelas, de onde a mão de Galactus o erguia? Por que o devorador de mundos, nêmesis do Surfista Prateado, se faria gentil com aquele que o desafiou?

Nesse retrato, Ron Lim e Tom Christopher instigaram o leitor a visitar um momento de fracasso, lição importante que qualquer pessoa vivenciaria.

 

CLOVER (1997 – 1998) de Monkona Apapa / CLAMP

Por Mochi

Como todo mangá produzido pelo grupo CLAMP, este possui uma particularidade estética muito elabora e bonita. Como todo livro japonês existe uma segunda capa removível e os mangás não são diferentes. Porém a primeira edição lançada de Clover é envolto com papel vegetal que contém alguns detalhes da imagem impresso em verde, o que realça as figuras, e as demais áreas sem esse tom verde, apenas o papel vegetal. Essa sutileza acaba deixando os personagens em segundo plano.

Tokyo Puck de Rakuten Kitazawa

Por Mochi

Baseado na revista Japan Puck, do inglês Charles Wirgman, o desenhista Rakuten Kitazawa, criou a revista Tokyo Puck. É possível perceber os traços caricaturais dos desenhos europeus. Se na revista de Wirgman alguns desenhos sobre o povo e governo japonês eram satirizados, na Tokyo Puck os ocidentais quem eram retratados. Interessante perceber também a grafia do nome da revista, pois os ideogramas japoneses estão grafados na horizontal, mas da direita para esquerda.

Swamp Thing #64 de John Totleben

Por John Holland

A capa de Swamp Thing 64 sintetiza o fechamento de um ciclo, de uma fase. Se a DC quisesse poderia fechar um título. A última capa do run de Alan Moore em A Saga do Monstro do Pântano foi completamente desenvolvida pelo seu parceiro, John Totleben e representa ao mesmo tempo um fim e um renascimento não só para o personagem, mas também para o que viria a acontecer dentro da editora com o selo Vertigo. Com um pôr do sol ao fundo e o reencontro de Alec e Abby, a visão que fica é a de um novo começo para os personagens. A capa também sintetiza o sentimento que fica após lermos todas as 64 edições, finalmente ambos podem descansar juntos e em paz no seu pântano.

Hellblazer #1 de Dave McKean

Por John Holland

Nunca poderei esquecer o exemplo dado pelos meus companheiros Quadrinheiros (durante o curso sobre a Vertigo) sobre o porquê da primeira capa de Hellblazer ser tão impactante. Desenvolvida por Dave Mckean, ela marca um novo tipo de quadrinhos na DC, algo diferente. Pensando no contexto da época, as capas de quadrinhos de super-heróis eram muito parecidas, com traços próximos uns dos outros, agora se imagine na seguinte situação: você entra em uma loja de quadrinhos e se depara com todas aquelas capas de quadrinhos e no meio delas, um quadrinho número 1 com o traço de Dave Mckean, apresentando um clima escuro, baratas e referenciando o mundo macabro do Monstro do Pantano. O choque nos leitores provavelmente foi grande e na mesma hora perceberam que aquilo se tratava de algo diferente do que estavam habituados.

Homem-Aranha & Wolverine #1 (Spider-Man 1990 #8 nos EUA) de Todd McFarlane e cores de Gregory Wright

Por Nerdbully

Não tenho muito o que dizer. Com 11 anos vi essa capa numa banca de jornal e chorei uns trocados pro meu para poder trazer para casa. Tinha o Homem-Aranha na capa. Tinha o Wolverine. O que mais uma criança poderia querer?

Marvels #1 de Alex Ross

Por Nerdbully

Como não parar o olhar sob essa capa? Impossível. Foi o meu primeiro contato com a arte de Alex Ross. Quase uma fotografia. Foi como ver os super-heróis como realmente seriam, em carne e osso. Talvez hoje com essa onde maciça de filmes de super-heróis isso não seja tão impactante. Mas pode ter certeza em 1995 foi.

Deixe aí nos comentários a capa que mais te marcou.

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Sobre Nerdbully

Mestre do Zen Nerdismo.
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3 respostas para As capas mais marcantes de quadrinhos

  1. hqbrum disse:

    se for falar de capas que vi em mãos como uma surpresa, seria de formatinhos do Homem-Aranha…nas idas na banca para pegar as mensais de Homem-Aranha e Teia do Aranha ou nas idas aos sebos da cidade atras de edições passadas, muitas capas legais. 2 edições marcantes foram a #149…da primeira hq do homem aranha que li, ela tem o arco completo do Carnificina, até hoje uma das minhas edições favoritas, capa do Mark Bagley. E a #86 com a ótima historia do Aranha contra o senhor do fogo, arte fantástica do Ron Frenz.

  2. realmente difícil escolher, mas uma provavelmente seria o lado B de Superalmanaque DC #3, por ser a primeira revista de heróis de que eu me lembro bem de ter lido, e por ter me apresentado ao Hal Jordan:
    http://www.guiadosquadrinhos.com/edicao/superalmanaque-dc-n-3/sdc0302/7882
    a outra é a do Bane quebrando o Batman, e dispensa maiores comentários:
    http://www.guiadosquadrinhos.com/edicao/batman-4-serie-n-1/bt00304/4796
    você comenta do Mazzucchelli. não sei se eu conseguiria escolher o melhor desenhista de quadrinhos de todos os tempos, mas no caso do Batman eu ficaria com o Norm Breyfogle

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