Quadrinhos em História: a arte de Neil Gaiman em Sandman

Antes de dezembro de 1988, quadrinhos não eram, em nenhuma ou qualquer acepção do termo, arte.

Pelo menos, na opinião daquele sujeito que via quadrinhos no sentido mais superficial e preconceituoso possível.

E é ele, aquela capivara ignorante, que interessa no fim das contas pois é a visão do ignorante que define tudo ao que ele se opõe.

Aí veio o Sandman.


Antes de Sandman, quadrinhos eram considerados divertidos (comics), podiam ser excitantes, podiam ser épicos, mas não eram mais do que técnicas, quando muito, artifícios, mas nunca “arte”.

Acima de tudo eles eram produtos, feitos para gerar lucro. E, castigo numa era que idolatra  Michel Teló e Crepúsculo, “produtos” e “arte” caminham a passos largos um do outro.

Acima, arte: até você faria depois de uma boa feijoada

Sabe-se lá fruto de que acordo com o diabo, feliz acaso ou predestinação divina, Neil Gaiman pegou o que havia de mais cafona e mais sofisticado em milhares de referências culturais (literatura, quadrinhos, fotografia, música, cinema, escultura, sabe-se lá mais o que) e embutiu numa só história. Um único e longo conto sobre Sonho, um de 7 irmãos imortais (Destino, Morte, Destruição, Desespero, Desejo e Delírio), da sua prisão por meros mortais em 1916 até sua “morte” em 1996.

Perdoe se me excedo. Um pouco menos que ignorante, tento enxergar mais do que vejo.  No caso de Sandman é inevitável: quando leio as revistas eu vejo História.

Se perguntar pra 10 pessoas diferentes que leram, você vai ouvir dez opiniões diferentes sobre Sandman. Pra mim, ele pegou a História, aquele borrão de datas e nomes que você ouviu na escola, e transformou em matéria-prima da arte.

Tentei catalogar as referências cronológicas e a participação de Morpheus na História em cada uma das 75 edições da revista Sandman. Achei que levaria algumas horas. No fim, o texto foi ficando imenso e com mais referências que manual da ABNT. Aí desencanei.

Depois de uma semana ralando, fiz uma versão “curtinha”. Indiquei as edições (quando possível) e encadernados que contém cada uma das histórias.

Dá play na sua coletânea do The Cure e veja por onde Sandman andou ao longo da História:

11.989 a.C. (presumivelmente) – Kai’Ckul (ou Morpheus) se apaixonou pela princesa Nada, presumivelmente em algum local do continente africano. Ao recusar os apelos do Rei dos Sonhos, Nada foi enviada para o Inferno, onde ficaria por 10 mil anos. (Sandman n. 9 ou Casa de Bonecas)

Entre 1500 e 800 a.C. (presumivelmente) – O filho de Sandman e da musa Calíope, Orpheus, quer casar. Os 7 Perpétuos se reúnem para a festa, o que é raríssimo. A noiva, Eurídice, é cobiçada por um dos convidados. Como é usual em casamentos, dá merda. Orpheus desobedece o pai, Sonho, e vai parar no Hades com ajuda da tia, Morte. As Mênades, enfurecidas seguidoras de Dionísio, despedaçam o corpo do pobre Orpheus. Dali seriam séculos até que pai e filho se reconciliassem. Orgulho fere. (Sandman Special – A Canção de Orpheus ou Fábulas e Reflexões).

Entre 10 a.C. e 5 d.C. (presumivelmente) – Caio Júlio Cesar Augusto, o 1º imperador de Roma, recebe a visita de Morpheus e recomenda que o herdeiro de Júlio Cesar se faça de mendigo uma vez por ano, de modo a traçar seus planos e escapar da inveja de deuses e homens. Sem Sandman, sem expansão do Império. Sem Império, nada de civilização ocidental. (Sandman n. 31 ou Fábulas e Reflexões)

Entre 766 e 809 d.C. – O Califa Abássida de Bagdá, Harun Al-Rashid, pede ao rei dos sonhos que torne sua esplendorosa cidade eternamente bela e fulgurante. Morpheus concorda, mas dentro do que lhe é possível: nenhuma cidade em toda a história será tão exuberante quanto o sonho de uma Bagdá que desapareceu no passado.  (Sandman n. 50 ou Fábulas e Reflexões)

1273 – Um jovem Marco Pólo procura seu pai, às cegas, numa baita tempestade de areia no meio do Saara. Lá, encontra outros extraviados, como sempre acontece àqueles que se perdem. Trocam histórias, comem balas de goma. Um gole de água ao senhor dos Sonhos é recompensado com o fim do mistério, o fim de sonhos. Maldito Marco Polo. (Sandman n. 39 ou Fábulas eReflexões)

1399 – Na Inglaterra  a convite de Morte, Sonho visita o mundo desperto (o mundo real) para tomar contato com aqueles que são afetados pelo seu trabalho. Numa taberna humilde, eles conhecem Hob Gadling, um ex-soldado, ladrão e camponês. Apreciador de conversa e copo cheio acha a vida curta demais. Por uma dádiva de Morte, Gadling não pode mais morrer, a menos que decida que chegou a hora. É o primeiro de muitos encontros ao longo dos séculos entre Morpheus e um de seus poucos amigos. (Sandman n. 13 ou Casa de Bonecas)

1499 – Na mesma taberna em que se conheceram cem anos antes, Sandman e Hob Gadling se reencontram e especulam sobre mudanças e permanências. Algo contra as pulgas viria a calhar. . (Sandman n. 13 ou Casa de Bonecas)

Junho de 1593 – Morpheus e seus distintos convidados, o Rei Auberon e Lady Titânia do Mundo das Fadas, assistem a 1ª encenação da peça Sonhos de uma Noite de Verão. Esta foi a primeira encomenda de Sandman para o jovem Will Shakespeare. O dramaturgo esperava ser pago com dinheiro; em troca ganhou a eternidade. (Sandman n. 19 ou Terra dos Sonhos)

1599 – Enquanto espera a chegada de seu amigo, Morpheus mata o tempo do encontro marcado um século antes escutando conversas alheias. Numa delas, um tal de Kit troca farpas criativas com Will Shaxberd, um colega escritor e criador de peças teatrais. O inseguro Will recebe a encomenda de duas peças de seu novo mecenas, Morpheus. Mais tarde, Will trocaria seu sobrenome para Shakespeare, um nome de mais apelo comercial, digamos. . . (Sandman n. 13 ou Casa de Bonecas)

1655 – A Desespero e seu adorado irmão mais velho, Destruição, passeiam por Londres e conversam docemente sobre suas funções e mudanças. Ela é mais empolada que o irmão na hora de falar; ele é sempre alegre e fanfarrão (a lição: não julgue ninguém pelo nome que tem). (Sandman n. 41 ou Vidas Breves)

1680 – Destruição e Sonho observam a dissecação de um Homo Sylvestris (um macaco orango-tango). “A razão como ferramenta para explicar o mundo não é mais confiável que o instinto, o mito ou o sonho.”, explicou Destruição. Pontificar, vaticinar e vociferar, eis que vosso vocabulário seríeis não menos do que amplo ao ler Sandman (e Quadrinheiros!). (Sandman n. 45 ou Vidas Breves)

Entre 1680 e 1700 (presumivelmente) – Os 7 Perpétuos se reúnem a chamado de Destruição. Ele quer pendurar as chuteiras pois acha que é um peso morto no time. Mudanças acontecem a despeito da presença dele ou não, afinal. Nenhum dos irmãos aceita bem a notícia. (cf. Vidas Breves p. 179) (Sandman n. 46 ou Vidas Breves)

1699 – Morpheus, sempre austero em seus modos e vestes, autoriza a entrada de seu velho amigo, agora maltrapilho, Robert Gadling, na secular taberna inglesa. Gadling teve dias difíceis nos últimos cem anos: perdeu dinheiro, filhos e esposa. Mas nada disso esmoreceu a vontade de ficar vivo. Uma mesa de bar, boa bebida e boa companhia, afinal, valem viver toda a eternidade. (Sandman n. 13 ou Casa de Bonecas)

1789 – Em 400 anos se encontrando no mesmo lugar, Sandman e Gadling levantaram suspeitas. Nada que eles não pudessem resolver, porém. Além disso, nesse encontro têm a companhia de uma belíssima e insidiosa convidada, Lady Johanna Constantine. Ela ainda se arrependeria disso… (Sandman n. 13 ou Casa de Bonecas)

27 de julho de 1794 – Morpheus solicita os serviços de Lady Johanna Constantine. A cabeça de seu filho Orpheus está em posse do cruel Robespierre e do Comitê Republicano durante a Revolução Francesa. Sandman requer privacidade e através de Johanna quebra um dos maiores galhos da História, o fim do governo jacobino na Revolução Francesa! (Fábulas e Reflexões)

Setembro de 1859 – Perpétuos entediados, Desespero desafia Sonho para ver quem tem mais poder na Terra. O desolado Joshua Abraham Norton foi a cobaia; Sandman prova que a loucura pode manter a sanidade de um homem. Desejo, um(a) grande filho(a) da puta, só quer ver o circo pegar fogo. Samuel Clemens (ou Mark Twain) paga o jantar de um imperador. (Sandman n. 29 ou Fábulas e Reflexões)

1889 – Robert Gadling dá nome aos bois: Sonho é assíduo bebum a cada cem anos pois é solitário. Latifundiário do sono, sisudo e melindrado, Morpheus se ofende com a idéia e comete um crime: deixa a conta para Gadling pagar sozinho. (Sandman n. 13 ou Casa de Bonecas)

1910 ou 1913 (ou 1993, dependendo do seu ponto de vista se visitar o Fim dos Mundos) – Jim (ou Margarett, ou Peggy, dependendo a quem você pergunta) viaja a bordo do cargueiro Bruxa do Mar, veleiro do longevo Robert Gadling. Na viagem, eles vislumbram uma monstruosa criatura, um leviatã de dimensões míticas. Mas todo segredo, no devido tempo, não vai ser mais do que mera curiosidade. (Fim dos Mundos p. 69)

Junho de 1916– Inglaterra – Roderick e Alex Burgess aprisionam Sandman numa gaiola de vidro. O universo sofre sem Morpheus, mas sem saber a causa. Muitos caem num sonambulismo inexplicável. (Sandman n.1 ou Prelúdios Noturnos)

Dezembro de 1988 – Morpheus liberta-se da gaiola e condena Alex Burgess ao “eterno despertar”, onde um pesadelo só chega ao fim para se entrar em outro ainda pior. (Sandman n.1 ou Prelúdios Noturnos)

Janeiro de 1989 – Morpheus retorna ao Sonhar, agora em ruínas. Reencontra seus vassalos, o dragão Gregory, os irmãos Caim e Abel e o fiel mordomo Lucien. É quando Morpheus consulta as três Fúrias (ou Bondosas, ou Hecatae, ou Juventas – elas são muitas e as mesmas) e busca o paradeiro de suas ferramentas perdidas durante o exílio: o rubi, a algibeira, o elmo. (Sandman n. 2 ou Prelúdios Noturnos)

Março de 1989 – Na Inglaterra, Morpheus encontra-se com John Constantine, o cínico e azarado anti-herói inglês, último a saber do paradeiro da algibeira de Sandman. Constantine pede pra Morpheus mudar de roupa (dá vergonha andar com um sujeito vestido de modo tão estranho!). (Sandman n. 3 ou Prelúdios Noturnos)

Abril de 1989 – Morpheus desce ao Inferno em busca do elmo, agora em posse do demônio Choronzon. O arqui-demônio Etrigan é anfitrião e guia de Sandman no mundo abissal. Lá encontram Lúcifer Estrela da Manhã, um dos membros do triunvirato que governa o Inferno por esta época. (Sandman n. 4 ou Prelúdios Noturnos)

Maio de 1989 – John Dee, o vilão Doutor Destino (não confunda com seus 5 ou 6 homônimos da Marvel e DC), é presenteado por sua mãe com um rubi mágico quando o visita no Asilo Arkham. Mal sabe ele que seu último proprietário (e criador) era o Rei do Sonhar, que está a procura da jóia perdida. (Sandman n. 5 ou Prelúdios Noturnos)

Naquele mesmo dia, John Dee pratica horríveis atrocidades com os clientes de um café usando o rubi de Sandman. É esse ato que sinaliza a localização da pedra para o Senhor dos Sonhos. Restituído de sua ferramenta, Sandman concede uma noite de tranquilidade aos condenados de Gotham City. (Sandman n. 6-7 ou Prelúdios Noturnos)

Agosto de 1989 – Morpheus (ou Sonho), encontra sua irmã mais velha, a doce e descolada Teleute (ou Morte) no Central Park, em Nova York. Entediado, ele acompanha a irmã na sua tarefa diária de levar para o outro lado aqueles que chegaram ao fim da vida. (Sandman n. 8 ou Prelúdios Noturnos)

Setembro de 1989 – Rose e Miranda Walker, neta e filha de Unity Kinkaid (uma das afetadas pela ausência de Sonho entre 1916 e 1988), descobrem sua origem ao encontrarem-se na Inglaterra. Miranda foi concebida e nasceu enquanto Unity ainda dormia (!). (Sandman n. 10 ou Casa de Bonecas)

1989 – Agora um bar de yuppies, a antiga taberna inglesa recebe a presença de um preocupado Rob Gadling. Ele fica surpreso ao ver que seu velho parceiro de mé, Morpheus, compareceu e dessa vez quase sorridente. Se animou ouvindo The Cure e copiando o guarda-roupa do Robert Smith, talvez. (Sandman n. 13 ou Casa de Bonecas)

Novembro/Dezembro de 1989 (presumivelmente) – Rose Walker, em busca de seu irmão caçula Jed, viaja nos Estados Unidos, onde encontra enviados e conhecidos de Morpheus, como Fiddler’s Green, o corvo Matthew e o perigoso Coríntio. Jed, enquanto isso, está aprisionado por Brute e Glob numa “cápsula” de sonho, junto de Hector e Lyta Hall, o Sandman da Era de Prata e sua esposa.  (Sandman n. 11-12 ou Casa de Bonecas)

Morpheus resgata Jed e seus companheiros. Lyta Hall, que não sabia que habitava um sonho e era viúva, gestou seu filho ainda não nascido por anos nessa dimensão. Este filho, mais tarde, seria importante para Morpheus. (Sandman n. 12 ou Casa de Bonecas)

Março/1990 – É quando acontece a insólita “Convenção dos Cereais”, eufemismo irônico e sacana para aquilo que é de verdade: um encontro de serial killers de todo o Estados Unidos.  Buscando o paradeiro de Jed Walker, Rose Walker e Gilbert (ou Fiddler’s Green) são atraídos para a perigosa convenção. Assassinos também são gente e merecem respeito! Morpheus tem uma ou outra opinião sobre o assunto. (Sandman 14 ou Casa de Bonecas)

Abril ou Maio de 1990 – Rose Walker, sem saber, provoca um grave abalo no mundo dos sonhos; ela é um vórtice de sonhos e como acontece no mar, tudo é atraído para ela com consequências destrutivas. Morpheus tem que lidar com isso, como lidou outras vezes no passado. Rose Walker tem que morrer. (Sandman 15-16 ou Casa de Bonecas)

Julho de 1991 – Depois de dar o maior presente de grego em toda a existência para Morpheus, Lúcifer Estrela da Manhã se mandou do Inferno e trocou o trono por uma cadeira de praia na Austrália. (Sandman n. 28 ou Estação das Brumas)

Estação das Brumas, Um Jogo de Você, Entes Queridos e Despertar se passam entre 1991 e 1996, tempo presente do autor durante o lançamento das edições. Entes Queridos e Despertar são os únicos arcos passados quase inteiramente no “presente”, exceto o último capítulo de Despertar. Este marca o encontro final de Shakespear e seu mecenas, Morpheus, que veio cobrar sua última peça: A Tempestade (metalinguagem em dose concentrada, um desfecho pra lá de generoso pra toda série do Sandman).

A ordem dos arcos, pra esclarecer, é:

1. Prelúdios Noturnos

2. Casa de Bonecas

3. Terra dos Sonhos

4. Estação das Brumas

5. Um Jogo de Você

6. Fábulas e Reflexões

7. Vidas Breves

8. Fim dos Mundos

9. Entes Queridos

10. Despertar

PS –Veja bem: eu não consegui terminar! Isso é uma fração de possibilidade de ler a obra toda. Duvido que eu precise te convencer do quanto Sandman é bom. Mas assim, nível grandes “obras imortais da humanidade” bom.

Vai, dane-se: é melhor que Alan Moore bom.

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Sobre Velho Quadrinheiro

Já viu, ouviu e leu muita coisa na vida. Mas não o suficiente. Sabe muito sobre pouca coisa. É disposto a mudar de idéia se o argumento for válido.
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16 respostas para Quadrinhos em História: a arte de Neil Gaiman em Sandman

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  4. Olá, o post é muito bom, mas como análise artística ele poderia ser melhor. Faltou analisar o significado subjetivo das capas da obra, a crítica social, ironicamente, embutida em diversos capítulos, a mitologia criada para a história, os traços estilizados, a preferência de paleta de cores, a aceitação pelo gosto do consumidor da época e como isso inferiu diretamente na nova visão dos quadrinhos para a arte. Enfim, temos um texto esclarecedor que instiga o novo leitor, mas ele foca no contexto histórico e no resumo do roteiro dos arcos, e não numa análise sobre a “arte” de Neil Gaiman e toda a equipe por trás do projeto. O texto também contém alguns spoilers que poderiam ser amenizados, ou sequer citados.

    • Velho Quadrinheiro disse:

      Alou, Igor!

      Sem dúvida o post podia ser melhor. Sem dúvida que existem infinitas abordagens sobre significados das capas, crítica social, etc. Mas exatamente por serem tantas possibilidades, eu apenas escolhi UM eixo de abordagem, que foi a História cronológica. Do contrário sairia algo do tamanho de uma enciclopédia e você certamente tem coisas melhor pra fazer na vida e não teria lido.

      Da mesma forma que escolhi a História, que é meu campo de trabalho e do qual disponho de mais recursos pra abordar, optei pontuar algumas passagens dos enredos de Sandman explicitamente. Considerando que é uma obra com mais de 25 anos de existência, assumi que isso jamais poderia ser considerado um “spoiler”. Sinto muito desapontar.

      Por uma série de razões (qualidade, densidade, sucesso financeiro, impacto no imaginário social) é claro que vamos voltar a falar de Sandman aqui. E mesmo assim duvido que vamos conseguir encerrar o assunto. Seja como for, seu comentário revelou bastante sobre você mesmo… O que exige uma devolutiva… Qual é o significado de Sandman pra você? Nossa sugestão tradicional? Escreva sobre isso!

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  9. Marighella disse:

    “Dá play na sua coletânea do The Cure…” – Quando li já soube que era o Velho Quadrinheiro kkkkk. Algumas referências do texto eu tinha identificado em Sandman, mas a grande maioria não. Ótimo post, gostei muito.

  10. Pingback: Referências – a inspiração de Dave McKean | Quadrinheiros

  11. Helga disse:

    Boa tarde! Fantástico artigo! como historiadora e professora do ensino médio, aplaudo de pé e reverencio essa análise! rsrsrs obrigada, isso vai me ajudar a aprofundar minhas abordagens de quadrinhos e história em minhas aulas! um grande beijo!

  12. Frederico Alt disse:

    Toma cuidado com essa afirmação que você faz no início dizendo que antes de Gaiman os quadrinhos não eram “arte”, pelo visto você só leu quadrinhos estadunidenses na vida, e mesmo assim estaria errado.
    Nunca leu nenhum autor de história em quadrinhos Italiano? ou Belga? Não considera o que Robert Crumb faz como arte?
    O que é arte pra você?
    Acho muito infeliz essa sua afirmação, e uma completa ignorância quanto a produção de quadrinhos internacional, como se não existissem na história dos quadrinhos autores como Hergé, Hugo Pratt, Milo Manara, Morbus Gravis, Robert Crumb etc.
    E quanto as influências de Gaiman? Que quadrinhos e que tipo de arte influenciou no trabalho dele?

    • Nerdbully disse:

      Vamos fazer um pequeno exercício de interpretação de texto?

      “Antes de dezembro de 1988, quadrinhos não eram, em nenhuma ou qualquer acepção do termo, arte.

      Pelo menos, na opinião daquele sujeito que via quadrinhos no sentido mais superficial e preconceituoso possível.

      E é ele, aquela capivara ignorante, que interessa no fim das contas pois é a visão do ignorante que define tudo ao que ele se opõe.

      Aí veio o Sandman.”

      Se você notar, o autor disse que na percepção de um ignorante os quadrinhos não eram arte, mas que Sandman mostrou que eram, até para um ignorante.

      Entendeu?

  13. Pingback: Shade e a Loucura de Peter Milligan | Quadrinheiros

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