Occupy Metrópolis: Superman de volta às origens proletárias

Para muitos leitores de quadrinhos (e a maioria dos leigos) o Superman é a representação máxima do estilo norte-americano, um dos mais altos símbolos do capitalismo e de tudo que vem atrelado com isso, mais até que o próprio Capitão América.

Nos clássicos filmes de Richard Donner, onde o herói foi encarnado pelo eterno Superman, Christopher Reeve, a frase é emblemática: ele luta pela verdade, justiça e o estilo de vida americano. E não se enganem: estilo americano é o Estado garantir a liberdade de consumir aquilo que é imposto pelo mercado. Em resumo, Superman é um personagem integrado à ordem liberal.

Mas nem sempre foi assim. Na sua origem, o Superman criado por Jerry Siegel e Joe Shuster foi um herói da classe operária, um socialista que lutava contra a burguesia e pelo proletariado.

Ou assim clama Grant Morrison, roteirista de quadrinhos escocês que já havia trabalhado com o personagem em All-Star Superman, uma das melhores, se não a melhor história do Homem de Aço. Nela é possível acompanhar os 70 anos de trajetória do herói de forma concisa e coerente. Agora Morrison volta ao personagem para sua reformulação no pós-reboot.

Em seu livro Supergods, Morrison faz uma recapitulação interessante: nos anos 30, Superman lutou contra a injustiça social; nos anos 40 transformou-se num patriota; nos 80 converteu-se num yuppie e essa tendência é seguida até o século XXI, salvo algumas exceções pontuais como a história escrita por David Goyer em que o Super renuncia à cidadania estadunidense.

Em suma, o personagem foi de tal forma atrelado ao status quo capitalista que seu passado proletário foi esquecido. E é esse Superman que o escocês careca, aliado aos desenhos de Rags Morales (não tão careca) pretende trazer de volta.

Numa decisão ousada, a DC resetou a numeração da Action Comics. A capa dessa versão “atualizada” foi pensada para ser tão emblemática quanto a original: ela mostra o Superman, de calça jeans e sapatos, remetendo à origem popular do herói, com o icônico (palavrinha da moda) S no peito e sua capa, sendo perseguido por policiais! Algo impensável antes do reboot.

Ambientado no vago “5 anos atrás” (diferente das histórias publicadas na revista Superman, escrita por George Pérez que se passam no “presente”) vemos o Super invadir a propriedade de um rico e corrupto empresário, esperando arrancar dele uma confissão para “alguém que ainda acredite que a lei funciona igual, tanto pro rico quanto pro pobre. Porque o Superman não acredita”. Sem dúvida um personagem bem diferente daquele que ajoelhou pro Lex Luthor presidente.

Em seguida, na revista vemos um Clark Kent que pena para pagar o aluguel de um cubículo qualquer em Metrópolis, trabalhando em matérias investigativas para o concorrente do Planeta Diário, longe de ser o profissional bem sucedido e casado com Lois Lane, que eram  características do personagem nas histórias pré-reboot.

Parece que o Superman operário, que inspirou uma geração inteira durante a Grande Depressão (provocada pela quebra da Bolsa de Nova York em 1929) deve novamente inspirar uma nação em crise econômica desde 2008. Em tempos de Occupy Wall Street um herói proletário é necessário. E isso é um trabalho para o Superman.

 

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