Pensando quadrinhos: fantasia, realismo, fuga e cinismo na 9ª arte

Craig Thompson, autor dos altamente recomendáveis Retalhos e Habib, no prefácio do não menos recomendável Daytripper de Fábio Moon e Gabriel Bá, diz que os quadrinhos podem ser divididos em duas grandes linhas, que é uma da fantasia e do escapismo, da qual o gênero super-heróis seria o expoente, e outra do realismo e do cinismo, ao mesmo tempo que chama a atenção para o equívoco que é fazer essa divisão.

Nas artes traçar a linha que separa a fantasia do realismo pode ser relativamente fácil, mas não se pode dizer o mesmo sobre o escapismo e do cinismo. Se quiséssemos traçar essa linha, onde colocaríamos A Metamorfose de Kafka? Quem arriscaria apontar ali o que é fantasia e o que é realismo, o que é escapismo e o que é cinismo? E mesmo em Retalhos, Habib e Daytripper? Tão difícil na literatura quanto nos quadrinhos.

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UM HOMEM CHAMADO MAGNETO: Uma breve provocação sobre o ciclo de perdição e redenção

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Meus amigos me consideram cético ou pessimista, mas, desde que passei a pensar com mais seriedade no assunto (falta do que fazer, admito), sempre considerei a existência de super-vilões mais plausível do que super-heróis. É verdade que a humanidade às vezes surpreende, aparece alguém capaz de grandes gestos de honestidade, perdão, solidariedade e, pensando bem, esses casos nem são tão raros assim. Mas, talvez seja a saturação de notícias ruins que nos cercam todos os dias ou o resultado da auto-contemplação, o fato é que não consigo ver a possibilidade de haver um Superman ou Batman por aí. Não que eu fique pensando em termos de plausibilidade ética quando leio gibis.  É só que vez-ou-outra aparece uma história que me faz questionar o que eu faria se tivesse os mesmos poderes e o mesmo passado de alguma personagem, mas com a minha índole e minha visão-de-mundo.

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Pensando quadrinhos: cinema e hq’s

De uns tempos para cá começou um mimimi sobre a questão dos quadrinhos estarem subordinados a outras mídias, especialmente o cinema. Um dos expoentes dessa discussão foi a carta aberta de Paulo Ramos ao Superman, na qual o autor lamentava a péssima qualidade das histórias do Super e que a causa dessa baixa qualidade era justamente os quadrinhos estarem à serviço do mercado cinematográfico. Fiz um comentário a essa carta onde – entre outras coisas – argumentava que os quadrinhos são uma indústria, portanto sempre de olho em um mercado, que você pode ler aqui.

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Gostaria de deslocar um pouco a questão. Não vou lamentar a influência do cinema nas hq’s, mas tentar ver como ela se coloca. Existe uma frase famosa na semiótica que diz que o meio é a mensagem. Pois bem, tomando essa frase como verdadeira gostaria de fazer outras perguntas: que mensagem é possível com os quadrinhos? E mais, que mensagem só os quadrinhos são capazes de transmitir? Quais alterações o cinema está operando nesse meio e mensagem que são os quadrinhos? Obviamente não tenho pretensão de respondê-las nesses pequeno post, mas  só levantar alguns pontos para começar uma discussão, com vocês e em futuros posts também. Continue lendo →

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Flash – a volta do entregador de pizza dos deuses

E aí vem uma nova série do velocista, agora derivada de Arrow. A cena clássica do acidente no laboratório, dessa vez catalisada pela explosão de um acelerador de partículas, fez parte do episódio 03 da segunda temporada da série do Arqueiro.  A série solo de Barry Allen já como Flash vai estrear ainda esse ano (ou no início de 2015).

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Vertigo – um corpo que cai e volta a cair

A Vertigo – selo adulto da DC Comics – mudou a cara da indústria dos quadrinhos abrindo o mercado para produções mais autorais de artistas independentes ou possibilitando vôos criativos de artistas consagrados. Na década de 1990 seu impacto influenciou o mainstream trazendo abordagens mais realistas e mais sérias para a vida de personagens como o Homem Aranha e o Batman. Até hoje é uma incubadora de inovações estéticas e de estilo e mesmo com a recente saída de editora chefe original do selo – Karen Berger – o legado se mantém.

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O que Star Wars diz sobre o nosso tempo

Star Wars é um pilar da cultura contemporânea, uma grande acerola do Zeitgeist ocidental. Arqueólogos do futuro vão tentar entender a contemporaneidade por meio destes filmes, assim como lemos a Odisséia e a Ilíada de Homero para entender a Antiguidade. Semi-deuses como Aquiles não passam de mitos, assim como a Força não passa de wishfull thinking, nossa vontade de que algo assim exista de verdade. O fascínio é irresistível.

Nos últimos meses, esse fascínio leva fãs a buscarem informações sobre o novo filme em produção, o Episódio VII, sob direção de J.J. Abrams e com previsão de lançamento em dezembro de 2015.

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ROBOCOP E O ELOGIO DA TECNOCRACIA

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O termo ciborgue (em inglês, cyborg, uma aglutinação de cybernetic organism) foi usado pela primeira vez em 1960. Em princípio, designava sistemas auto-reguláveis hipotéticos — parte humanos, parte mecânicos —, que poderiam ser usados na exploração espacial ou em qualquer ambiente ou tarefa que exigissem capacidades humanas ampliadas pela tecnologia. Os grandes avanços principalmente no campo da protética tornaram esse conceito uma realidade, ainda que, até onde sabemos, os ciborgues da vida real usem a tecnologia para reduzir as desvantagens em relação aos humanos totalmente orgânicos.

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TwitchPlaysPokemon: Hobbes estaria certo?

Existem diversos experimentos sociais que nunca foram feitos com os jogos. Twitch Plays Pokémon ERA um deles.

Se você estava em outra realidade, em coma ou sem internet nos últimos dias, eu vou tentar explicar o que está acontecendo: Continue lendo →

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Quadrinhos e Jazz – narrativa sincopada

Se você é fã de jazz a maioria das músicas da sua playlist foi lançada antes da década de 1970. Hoje alguns dos grandes nomes daquele tempo ainda estão na ativa lotando casas de shows pelo mundo, repetindo as músicas que criaram a anos atrás. Jazz é um estilo musical tocado por músicos mais velhos para um público mais velho. Mesmo que músicos mais jovens produzam alguma inovação, isso acontece numa escala muito menor e quase sem destaque. O sangue novo é mais celebrado pelo virtuosismo que pela criatividade.

Se você é fã de quadrinhos pode-se dizer que qualquer semelhança com o jazz não é mera coincidência. A comparação de duas linguagens/mídias tão diferentes pode parecer forçada, mas as semelhanças são gritantes: Continue lendo →

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Comic Con no jeitinho Brasileiro

No Brasil há uma baita carência por eventos de nicho. São poucos os encontros e salões de automóveis, por exemplo, quando comparamos com outros países como os EUA. Mas principalmente para os Nerds, o cenário é ainda pior. Temos alguns eventos para os Otakus (Anime Friends só para citar um dos maiores da atualidade), que tem proporções consideráveis e movem algumas quantidades grandes de fãs. Fora essa linha de eventos, temos pequenos encontros seja de Trekkers ou de Star Wars e outros temas, apenas citando alguns.

E olha que já tem 10 anos e uma baita tradição! Uma experiência única e incrível

E olha que já tem 10 anos e uma baita tradição! Uma experiência única e incrível

Existem alguns eventos pontuais de quadrinhos, mas geralmente sobre compra e venda. São poucos os espaços para a divulgação de novos autores. A vinda de autores da gringa é ainda mais dificil, uma vez que ninguém sabe qual é o espaço que eles poderiam ir. Imagino eu que a novidade mais quente do momento vai atender essa demanda. Continue lendo →

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