Alívio Cômico – 4° episódio da série Quadrinheiros explicam

O humor é uma das formas da linguagem mais características da espécie humana. É essencialmente uma ruptura no fluxo narrativo, uma mudança de sentido, espera-se uma coisa e depara-se com outra. Em termos técnicos é uma relação peculiar entre significado e significante.  O que a palavra significa ou o que o objeto representa (significado), não condiz com a palavra ou o objeto usado (significante). Um exemplo:

No dialogo entre duas pessoas uma diz – “Acho que nascemos um para o outro”. Ao que a outra responde – “É verdade. Difícil vai ser encontrar esse outro”. A resposta inverte o sentido da palavra “outro” que na primeira afirmação se referia ao universo fechado das duas pessoas envolvidas no diálogo e na resposta se expande para o universo de todas as pessoas que existem.

riso

Além disso o riso também é um comportamento social com múltiplas funções. Rimos ou sorrimos para mostrar empatia, para diminuir as defesas das pessoas que nos cercam, para mostrar nossa superioridade (quando humilhamos alguém), para nos sentirmos parte do grupo. Por isso o riso é contagioso, assim como o bocejo.

Programas de humor usam o som de pessoas rindo porque ao ouvirmos esse som no final da frase de efeito de uma piada ou na expressão de desconforto de uma situação de ruptura, nós nos sentimos compelidos a rir. Vamos assim criando uma cultura de humor que é muito diferente de um lugar para outro. Nem todos nós, brasileiros, achamos graça em situações cômicas inglesas ou americanas porque não faz parte da nossa cultura identificar determinadas rupturas de linguagem como engraçadas.

Mas o riso é universal apesar das diferenças culturais. “É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada.” disse Shakespeare (ou não…).

 

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O vaqueiro da liberdade : Capitão América e o destino manifesto

Sim, essa semana não vamos falar de outra coisa. Nosso correspondente de Washington DC nos deixou ainda mais pilhados com esse novo filme da Marvel. Mesmo eu, um Bat-fã assumido e de carteirinha, estou ansioso para ver a estrela dos marveletes. Se você ainda não leu a resenha do Velho Quadrinheiro, seria legal, leia aqui antes de ler este texto. Vou puxar uma reflexão a partir de considerações que ele fez, mas dá para ler aqui sem ler lá.

Até os posters tem um tom mais pesado...

Até os posters tem um tom mais pesado…

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Capitão América: O Soldado Invernal é o melhor filme da Marvel até agora?

Nós, Quadrinheiros, embora limpinhos, somos pessoas de recursos exíguos. Por meio de enormes esforços, compromissos, favores e promessas de alto custo, porque queremos oferecer nada menos que o melhor para nossos leitores, quebramos nossos porquinhos de louça e mandamos um enviado especial para Washington, DC.

Furando todos os jornais e magazines de grande circulação no país (exceto aqueles de maior cacife do que nosso), aqui vai a resenha quadrinheira do primeiro filme heroístico do ano-fiscal de 2014, Capitão América: o Soldado Invernal!

ATENÇÃO!!! O TEXTO CONTÉM SPOILERS!! (Mas nenhum a mais que já não tenha sido mostrado nos trailers do filme!

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Orelha – 3° episódio da série Quadrinheiros explicam

O narrador de uma história dá o tom, define o ritmo, escolhe o momento certo de revelar esse ou aquele detalhe. Essa relação de cumplicidade com o narrador em muitos momentos nos colocam em uma posição privilegiada. Sabemos mais do que os personagens, observamos suas angústias e dúvidas como se fossemos deuses. Mas nem toda a narrativa é construída dessa forma.

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Além do narrador onipotente, uma história pode ser contada pelo personagem principal, ou pelo personagem secundário, ou ainda por múltiplos pontos de vista intercalados que se cruzam. Quanto mais complexa é a trama, mais se faz necessário explicar, de tempos em tempos, o que está acontecendo. E se o narrador não fala com você diretamente ele vai ter que usar alguém pra fazer isso.

Mais que uma técnica narrativa, o personagem orelha é um clichê das histórias em quadrinhos de super heróis. Quando bem usada é quase imperceptível, mas quando o roteiro é mal conduzido e o momento “orelha” passa a ser a única saída para a história, só nos resta ironizar como nessa excelente cena do Porta dos Fundos:

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O Pecado Original da Marvel (e DC)

Dando aquela olhada rápida pela internet para me atualizar nas novidades do mercado editorial de quadrinhos de super-heróis eis que me deparo com o mais novo evento do Universo Marvel (sendo que A Era de Ultron mal começou aqui): Orginal Sin ou, na mais óbvia tradução (mas a Panini sempre se supera nisso), Pecado Original. Continue lendo →

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A DITADURA (S)EM QUADRINHOS (ou “Editores cegos são piores que a censura”)

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Ditadura-no-ArTalvez seja uma falha de percepção minha (não sou exatamente o sujeito antenado que meus amigos acham que sou), mas não me parece haver uma produção significativa (em termos de qualidade, mas também de quantidade) sobre a ditadura militar nos quadrinhos brasileiros após a redemocratização. Situação, no mínimo, curiosa, uma vez que os temas históricos sempre corresponderam a grande parte dos títulos nacionais. Essa ausência se torna ainda mais estranha se nos lembrarmos que o período ditatorial foi riquíssimo na produção de charges, tirinhas e tablóides, mesmo com toda a censura e perseguição política.
henfil-charge-tirinha-hq-quadrinhosNão é que os bons chargistas tenham desaparecido. Num país como o nosso, eles têm material de sobra para trabalhar todos os dias, sem precisar recorrer a questões do passado — até porque a natureza da charge é mesmo retratar o agora. (Há momentos em que os temas são tantos que deve ser até difícil escolher). Também temos bons quadrinistas que trabalham com os mais variados temas, muitos deles bastante politizados. E fazem isso de maneira competente, sem cair numa narrativa enfadonha e que incentive o leitor a deixar o material de lado para ler qualquer outra coisa. Como se explica, então, essa ausência de publicações justamente no ano do cinqüentenário do golpe?

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A Jornada do Herói – 2° episódio da série Quadrinheiros explicam

Joseph Campbell foi um pesquisador de mitos  que escreveu livros como As Máscaras de Deus (em quatro volumes: Mitologia Primitiva, Mitologia Ocidental, Mitologia Oriental e Mitologia Criativa) que trata da mitologia antiga e moderna de todo mundo, e O Herói de Mil Faces sobre a psicologia das ideias elementares da mitologia. Já comentamos sobre sua obra aqui. 

Sua análise do livro Finnegans Wake – de James Joyce – se desdobrou no que Campbell chamou de monomito — o ciclo da jornada do herói. A estrutura de partida e retorno do personagem de Joyce segue um padrão encontrado em todas as culturas de todos os tempos.

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Todo tipo de narrativa produzida depois de Campbell sofreu sua influencia. O caso mais evidente é a declarada admiração de George Lucas que usou deliberadamente o conceito de monomito no roteiro de Star Wars.

Vale muito assistir às entrevistas que Campbell deu ao jornalista Bill Moyers em meados dos anos 1980, pouco antes de suas morte. No youtube estão divididas em 6 partes e essa é a que trata da Jornada do Herói:

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Oh Puxa… Minduim, seu Beagle e as múltiplas dimensões

Antes de começar a ler dê o play neste vídeo e deixe o som te contagiar enquanto você lê:

Agora sim. Estando contagiado pelo excelente som do Vince Guaraldi Trio podemos falar da notícias mais importante do ano. E do ano que vem também. Isso pode ser consequência de uma ligação pessoal/íntima com o personagem, mas acho que não sou o único. Só para vocês verem como é algo sério essa minha ligação, assistam o episódio “Orgulho de Prateleira” da série Viciados em Quadrinhos, aqui o link.

Mas eis aqui o motivo do post: Está confirmado para 2015 o filme em 3D do Peanuts!

É felicidade que não cabe só no corpo! é preciso extravasar!

É felicidade que não cabe só no corpo! é preciso extravasar!

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A Era de Ultron – tempus fugit

A Era de Ultron nas mãos de Brian Bendis (o Stan Lee rebootado) – mestre em costurar personagens diversos, equipes improváveis e versões alternativas – e Bryan Hitch – especialista em colocar toda essa loucura em páginas duplas épicas e em ângulos cinematográficos -, nos devolve a sensação nostálgica de sagas clássicas como a Era do Apocalipse e Dias de um Futuro Esquecido, só que agora com o (também clássico) futuro dominado pelas máquinas.

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Qualquer semelhança com Dias de um Futuro Esquecido não é mera coincidência…

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Três Atos – 1° episódio da série Quadrinheiros explicam

O que é uma narrativa? Como ela é construída? Apenas uma ideia genial basta ou existem técnicas por trás de uma boa história?

Contar e ouvir histórias são a base da cultura humana. A linguagem e o seu desenvolvimento em diferentes plataformas (para múltiplas funções),  desenhou o mundo que agora nos cerca. Por ser assim tão intrínseca, tão intuitiva, a linguagem nos escapa. Por sermos dela constituídos, nós a simplificamos, empacotamos e direcionamos. Usamos a linguagem  quando inventamos uma desculpa, e somos indefesos frente a ela quando a pupila dilata e a voz falha.

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Onde temos controle testamos, analisamos, escolhemos os melhores resultados e aí formulamos. Assim mesmo como um processo industrial. Hoje o cinema, a TV e os quadrinhos são indústrias, seguem fórmulas que vez ou outra se reinventam, desconstroem e inovam até que tudo isso vire fórmula mais uma vez.

É sobre essas fórmulas e reinvenções que essa série trata. Dos truques aos conceitos mais filosóficos, das ideias básicas à convergência de linguagens. Para quem gosta de histórias!

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