Filmes formadores de caráter (parte 2) – 9° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

Super-Friends-Vacation-All-I-Ever-Wanted[1]Como qualquer menino na faixa dos 10 nos anos 80, eu queria ser herói. (Ok, não é verdade — qualquer menino que eu conhecia queria ser jogador da seleção, mas eu queria ser herói). As referências eram as de sempre: Super-Homem, Batman, Homem-Aranha, He-Man, até o Aquaman! (Eu adorava piscina).
jesus_superman[1]É claro que a realização desse sonho esbarrava em uma série de fatores, principalmente o fato de eu saber, desde cedo, que todos aqueles poderes não eram possíveis. (Curiosamente, nunca questionei a figura de Jesus Cristo quando me convenci de que o Super-Homem não poderia existir de verdade. Por motivos óbvios, minha formação quadrinhófila foi muito menos sólida do que a religiosa). Então, minha preferência logo se desviou para heróis de ciência, aqueles que faziam grandes coisas não por força de uma natureza super-humana ou mágica ou alienígena, mas por superioridade intelectual.
macgyver-multitool[1]Angus MacGyver foi, durante muito tempo, a realização do sonho heróico de uma multidão de nerds, inclusive este que vos fala, mesmo que eu só viesse a saber o que era um nerd muitos anos mais tarde. (E levei mais tempo ainda para saber que era um). Tudo o que ele carregava era um canivete Victorinox (que virou sonho-de-consumo de milhares de garotos) e mais um monte de materiais que encontrava pelo caminho. E, muito mais do que ele sempre ter o material necessário à disposição, o impressionante era o conhecimento que ele tinha para usar tudo isso para enfrentar os desafios.
Também não realizei esse sonho. O MacGyver da minha família é meu irmão caçula. Mas não fiquei tão longe assim. Depois dos meus pais, provavelmente foi MacGyver quem mais me incentivou a buscar conhecimento em várias áreas, mesmo que não seja possível ligar todas elas. E se o pouco que sei sobre muita coisa não me permite ser o herói que eu queria, pelo menos se tornou minha ferramenta de trabalho mais importante.

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P.S.: O episódio piloto pode ser visto aqui. Som original e sem legendas.

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Marvel Comics: a história secreta – 10 observações para perder a inocência sobre quadrinhos

Lançado esse ano aqui no Brasil, o livro de Sean Howe, Marvel Comics: a história secreta (Marvel Comics: the untold story) pela Editora Leya é sem dúvida um livro que merece ser lido.

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Das histórias que não se deve esquecer (2): Épicos Marvel n. 2 – X-Men versus Vingadores

Histórias que te fizeram pensar em algo que você não havia pensado antes, ou mesmo histórias que tenham feito você pensar de maneira diferente alguma coisa. Esse me parece um critério extremamente válido para selecionar quais quadrinhos merecem ficar na prateleira, muito melhor do que o fetiche de uma edição número 1 ou qualquer coisa que o valha.

Curiosamente, assim como no post anterior, a minha escolha também pode ser vista como uma “história menor” (ainda que a história mencionada pelo Velho Quadrinheiro tenha sido escrita por ninguém menos que Alan Moore). Mesmo assim, trata-se de um dos quase inumeráveis embates entre Vingadores e X-Men que se deram ao longo das décadas.

Publicada por aqui em 1991, foi a revista Épicos Marvel n. 2 – X-Men versus Vingadores, exemplar da época do saudoso formatinho da Abril.

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Filmes formadores de caráter (parte 1) – 8° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

A lista de filmes que impactaram a forma como vejo o mundo são dos anos 80, quando o politicamente correto ainda não tinha sido inventado e não existia essa obsessão pelo realismo que é tão cara nos dias de hoje. A metáfora visual ainda era um conceito concreto e por isso mesmo a catarse resultante era mais profunda. Por limitações técnicas o público aceitava fantoches e bonecos mecânicos como personagens (Star Wars, Labirinto, Gremlins), e quando nem isso era possível, o personagem fantástico era apenas insinuado na maior parte do tempo (Tubarão). A imaginação de quem assistia a tudo isso era estimulada a preencher as lacunas e a cumplicidade era maior, já que aceitávamos conscientemente uma representação relativamente frágil do real. Não era possível enganar o público, apenas iludi-lo de forma consentida.
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Mas aí em 1985 o filme O Enigma da Pirâmide trouxe o primeiro personagem criado e animado digitalmente: o Cavaleiro de Vitral, e então tudo começou a mudar:

A partir dali o CGI (Computer Generated Imagery) passou a fazer parte da maioria dos filmes e na década de 90 a representação cada vez mais perfeita do real foi dando lugar a uma narrativa menos inocente (Jurassic Park, Exterminador do Futuro II). A ilusão ainda tinha seu espaço nas animações da PIXAR (Toy Story) e da Disney (O Rei Leão), mas desenhos animados (digitalmente ou não) são uma ilusão consciente e por isso estabelecem uma relação de honestidade/inocência com o público).

Hoje já não é mais possível saber o que é ou não real. Filmes de fantasia usam esse recurso à exaustão (Matrix, Senhor dos Anéis), mas o que mais me chama a atenção é o quão imperceptível é o uso dessa tecnologia. As câmeras digitais e os programas de edição de vídeo cada vez mais poderosos ampliaram muito o uso desse recurso. Passamos da ilusão consentida ao engano inconsciente.

Por mais que os novos tempos sejam promissores – e todos os filmes de heróis Marvel e DC só foram e são possíveis por causa do CGI – ainda prefiro um bom e velho truque de mágica. Vejam como sem o realismo do CGI, a forma a princípio estranha vai se naturalizando na cabeça do espectador, e poucos segundos depois a história simplesmente flui nesse filme de Edson Ota – Malária (aliás não é por acaso que a linguagem dos quadrinhos é dominante nesse curta).

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Das histórias que não se deve esquecer: “Passos” de Alan Moore

Pra quem gosta de quadrinhos, poucas coisas são tão dolorosas quanto selecionar aqueles que devem sair ou ficar na estante/armário/arquivo. Pra evitar problemas com a vigilância sanitária, a inveja dos arquivos públicos ou da pura e simples hostilidade familiar há uma necessidade periódica, digamos anual, de descarte. Os critérios para tanto variam: das razões passionais, como o entusiasmo que alguma história induziu, às racionais, como o potencial financeiro de alguma edição rara.

Na falta de um critério, aí vai uma sugestão. Tente lembrar: qual quadrinho o fez mudar de opinião sobre alguma coisa? Que história o levou a pensar num tema que você nunca mais conseguiu esquecer? Que histórias definiram como você se relaciona com o mundo? Continue lendo →

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Ideia boa / execução de merda – 7° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

Filmes, séries de TV,quadrinhos, a indústria do entretenimento sofre de uma patologia aparentemente sem cura – premissas interessantes que desembocam em finais pífios. Pensem no final de Guerra Mundial Z por exemplo, ou no mais do que comentado final de LOST! Claro que existem exceções como o desfecho da trilogia do Batman do Nolan ou o final de A Origem (também do Nolan), mas finais abertos ou inconclusivos tem o hábito de incomodar, de deixar os consumidores fora de sua zona de conforto e talvez por isso sejam menos apreciados (em números absolutos).

Histórias com roteiros mirabolantes e finais consistentes sem perder uma certa surpresa de última hora, como em Fringe do J. J. Abrams, quase são cancelados por falta de audiência. Apesar do mundo ser cada vez mais complexo e as possibilidades se multiplicarem exponencialmente, escondidos atrás de nossos teclados e monitores nós queremos algo simples e reconfortante. E se não tiver pode ser algo anestesiante mesmo. A homogeneização das gerações embalada pela massificação da cultura pop ainda vai nos dar muitos produtos culturais apenas satisfatórios porque é isso que achamos que queremos.

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Por tudo isso Mark Millar está no panteão dos novos deuses de Hollywood, emplacando um filme atrás do outro, mas entregando finais fracos e sem criatividade. Isso não significa que ele não seja um bom escritor. Significa ele não é um grande escritor, mas sabe o que o público consome. Se alguém ainda duvida, assistam essa versão em vídeo de Nêmesis e avaliem o desfecho da história (e comparem com LOST).

Tem a versão em espanhol no canal do Elantraxxx.

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ERAM OS DEUSES SUPER-HERÓIS?: Thor, retcons e alienígenas

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83017-176623-mjolnir[1]Nunca fui um grande fã de Thor. Aliás, sempre achei sua concepção como super-herói muito fraca. Do modo como foi contada pela primeira vez, a carreira super-heróica de Donald Blake parece ter começado por mero acaso. É verdade que a maior parte das origens dos super-heróis está ligada a acontecimentos incomuns, que mudaram a trajetória de pessoas que, em outras circunstâncias, seriam comuns. Mas a origem de Thor exagera. Convenhamos: um médico franzino e manco (americano, claro) de férias na Noruega se esconde numa caverna para fugir de uma invasão alienígena, encontra uma bengala de madeira, que na verdade é um martelo mágico disfarçado, e recebe todos os poderes do deus nórdico do trovão (entre outras coisas) quando bate o cajado no chão não é uma história de origem elaborada e empolgante que vá fazer uma pessoa se interessar por um super-herói.

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Nerd: deslocado ou descolado?

O Nerdbully postou recentemente um texto sobre as diferenças e semelhanças entre Nerd, Geek e Hipster. Pois bem, não vou discordar, apenas queria puxar a discussão para um outro lado, e que talvez aumente ainda mais a carga do que foi apresentado. Leia o que ele escreveu  aqui, vai dar muito mais sentido a esse post. Afinal, por um alinhamento cósmico inexplicável, concordamos em algo – mesmo que não totalmente.

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Como apontado no texto do Nerdbully, não há uma real popularização do Nerd em si, mas sim uma popularização da cultura que era tradicionalmente nicho desse grupo. Porém, diferentemente do que ele coloca, os indivíduos seguem sendo mal vistos. Continue lendo →

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Trilha sonora em quadrinhos (parte 2) – 6° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

A relação entre música e quadrinhos é uma via de mão dupla. Das capas dos álbuns de vinil aos fanzines que disseminavam o estilo e a cultura de um determinado tipo de música, essas duas linguagens tem se influenciado mutuamente ao longo de todo o século XX.

O cinema, por razões óbvias, tem uma relação mais carnal com a música, desde as orquestras tocando ao vivo durante a exibição de filmes mudos até a música acidental que representa uma parte importante da produção sinfônica da atualidade. Só que agora os quadrinhos estão no cinema com nunca antes e por isso a relação música /quadrinhos passou a ser mais carnal também. Projetos de convergência de mídia já propõe quadrinhos digitais com efeitos sonoros para tablets e a influência do cinema não vai parar por aí

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Mas não podemos esquecer que a cultura pop vive do hoje (mesmo que o hoje seja uma reciclagem/colagem do ontem), e isso significa que se eu li uma história em quadrinhos há 20 anos e você leu a mesma história agora, seria muito improvável que nós dois elegêssemos a mesma trilha sonora para ela. Assim como remakes de filmes não tem a mesma trilha sonora do primeiro filme (talvez alguns elementos da trilha original como uma forma de homenagem), a produção musical que as rádios repetem à exaustão ou que pululam nas rede sociais são a trilha sonora da sua vida cotidiana, e são elas que vão marcar a leitura dos seus quadrinhos.

Vejam abaixo dois exemplos dos 15 minutos de fama da fusão entre quadrinhos, cinema e  as trilhas sonoras mais marcantes (e por isso mesmo mais esquecíveis) dos últimos dias…

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Herói tem sede de que? – 5° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

Nada como uma gelada numa sexta-feira depois do batente! A vida heroica pode ser bastante cansativa, e como qualquer ser humano sabe (bom, nem todos os heróis dos quadrinhos se encaixam nesse perfil…), é preciso relaxar para curar as feridas e confraternizar com os amigos em meio às histórias das batalhas.

O Hidromel dos Asgardianos, o Vésper inventado por James Bond, o Victory Gin de 1984, o leite Moloko Plus de Laranja Mecânica. A ficção sorve a realidade e destila a relação dos homens com seus alteradores de consciência, suas doses extras de coragem, seus prazeres e perdições. Do alcoolismo de Tony Stark à impossibilidade de embriaguez do Wolverine, do pileque simulado de Bruce Wayne ao pint nosso de cada dia de Jonh Constantine, o importante é não esquecer nunca que com grandes teores alcoólicos vêm grandes irresponsabilidades!

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E abaixo a melhor paródia da relação entre bebidas e super heróis.

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