Filmes formadores de caráter (parte 1) – 8° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

A lista de filmes que impactaram a forma como vejo o mundo são dos anos 80, quando o politicamente correto ainda não tinha sido inventado e não existia essa obsessão pelo realismo que é tão cara nos dias de hoje. A metáfora visual ainda era um conceito concreto e por isso mesmo a catarse resultante era mais profunda. Por limitações técnicas o público aceitava fantoches e bonecos mecânicos como personagens (Star Wars, Labirinto, Gremlins), e quando nem isso era possível, o personagem fantástico era apenas insinuado na maior parte do tempo (Tubarão). A imaginação de quem assistia a tudo isso era estimulada a preencher as lacunas e a cumplicidade era maior, já que aceitávamos conscientemente uma representação relativamente frágil do real. Não era possível enganar o público, apenas iludi-lo de forma consentida.
80 movies

Mas aí em 1985 o filme O Enigma da Pirâmide trouxe o primeiro personagem criado e animado digitalmente: o Cavaleiro de Vitral, e então tudo começou a mudar:

A partir dali o CGI (Computer Generated Imagery) passou a fazer parte da maioria dos filmes e na década de 90 a representação cada vez mais perfeita do real foi dando lugar a uma narrativa menos inocente (Jurassic Park, Exterminador do Futuro II). A ilusão ainda tinha seu espaço nas animações da PIXAR (Toy Story) e da Disney (O Rei Leão), mas desenhos animados (digitalmente ou não) são uma ilusão consciente e por isso estabelecem uma relação de honestidade/inocência com o público).

Hoje já não é mais possível saber o que é ou não real. Filmes de fantasia usam esse recurso à exaustão (Matrix, Senhor dos Anéis), mas o que mais me chama a atenção é o quão imperceptível é o uso dessa tecnologia. As câmeras digitais e os programas de edição de vídeo cada vez mais poderosos ampliaram muito o uso desse recurso. Passamos da ilusão consentida ao engano inconsciente.

Por mais que os novos tempos sejam promissores – e todos os filmes de heróis Marvel e DC só foram e são possíveis por causa do CGI – ainda prefiro um bom e velho truque de mágica. Vejam como sem o realismo do CGI, a forma a princípio estranha vai se naturalizando na cabeça do espectador, e poucos segundos depois a história simplesmente flui nesse filme de Edson Ota – Malária (aliás não é por acaso que a linguagem dos quadrinhos é dominante nesse curta).

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2 respostas para Filmes formadores de caráter (parte 1) – 8° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

  1. Fellipe Canale disse:

    Concordo 100%… A tecnologia atual é muito eficaz mas nada substitui a imaginação. O livro é outro bom exemplo, não e raro se sentir decepcionado com a versão filmada de um bom livro!!
    Todos os filmes citados da década de 80, vistos hoje não tem o mesmo encanto, passei por isso diversas vezes. Baixava o filme, seriado e desenho que adorava quando criança/adolescente e não era mais a mesma coisa. A imaginação que fiz uso na época e que marcou na memória se perde hoje… Excelente texto e edição Mau!!! Bjs

  2. Não dá pra voltar no tempo meu caro! E essa é o que mais me encanta no De Volta para o Futuro. O interessante é que essa coisa da imaginação ainda é verdade. Quem leu os livros do Harry Potter prefere os livros aos filmes. É a mesma coisa com The Hunger Games, só o Crepúsculo não entra nessa lógica…hahaha!

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