As muitas faces do Homem Aranha

Em tempos de comunicação instantânea, globalizada e com tantas mídias diferentes como quadrinhos, cinema, tv, teatro, games, podcasts, webséries, etc, é inevitável que alguns ícones da cultura pop se desdobrem em variações, seja para agradar a públicos específicos, para fazer uma crítica ou para simplesmente aumentar mais um pouco o faturamento.

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O comunismo em quadrinhos: heróis, vilões, fetiches e biografados

Os quadrinhos narram mitos. Contam uma história que aconteceu num tempo passado ou numa realidade distante da nossa – como a Ciméria de Conan ou a Gotham City de Batman. Mesmo assim eles trazem ensinamentos importantes para nós.  É quase religioso. As batalhas entre heróis e vilões apontam o que é certo e errado. Isso vale tanto para o âmbito pessoal quanto social. Sabemos que Lex Luthor é um vilão por ser invejoso e ganancioso. Sabemos que o Capitão América é um herói por lutar contra valentões em nome da liberdade. Eles simbolizam vícios e virtudes de uma sociedade. Continue lendo →

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Orgulho da prateleira! (season finale) – 13° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

Colecionadores de quadrinhos são peculiares. Compram saquinhos plásticos para embalar cada edição, fazem catalogação cruzada por saga, por autor, por artista, por personagem, separam as que são mais importantes das outras que são apenas medianas.

Apaixonados por quadrinhos releêm uma vez por ano aquela saga que marcou a juventude ou aquela história que os fizeram repensar a vida. Cada vez que releêm fazem novas associações, comparam, ponderam e renovam sua fé na nona arte.

Viciados em quadrinhos pensam nisso o tempo todo. Mantêm suas edições na prateleira junto com os livros de filosofia, de história e de literatura, tudo na altura dos olhos e com foco de luz para dar destaque. Introduzem o assunto em qualquer conversa, seja no bar ou na sala de aula. Acham estranho que outras pessoas nunca tenham ouvido falar de Jack Kirby ou de Will Eisner, mas pacientemente mostram, explicam e incentivam.

Nós somos assim, viciados em quadrinhos. Colecionamos, adoramos, mas acima de tudo nos definimos pela nossa paixão!

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Herói não é mais aquele… – 12° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

A evolução é algo inevitável. Todos nós crescemos, ampliamos ou segmentamos nossa visão de mundo, somos diminuídos por nossos traumas ou os transcendemos. Não é um processo que podemos controlar ou evitar, estamos fadados a evoluir e isso é tão forte em nós que imprimimos essa característica em tudo que nos cerca, em tudo que de nós deriva.

Personagens de quadrinhos evoluem. Mas não porque crescem ou porque superam seus traumas. Personagens evoluem porque nós definimos esse caminho para eles. E as nossas decisões e escolhas dependem da nossa visão de mundo, dos nossos traumas, nossa ansiedade, e é por isso que a criação ficcional é tão apreciada, discutida, controversa e influente. Quadrinhos são a cor da nossa pele, nossa sexualidade, a roupa que usamos, nossos valores, nossas posturas políticas. Quadrinhos são humanos, demasiadamente humanos…

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A Primeira Guerra Mundial em Quadrinhos: Era a Guerra das Trincheiras de Jacques Tardi

 E nessa semana temos um Red Shirt altamente gabaritado, autor de várias publicações sobre quadrinhos. Fodão como Tony Stark, ele não precisa de uma identidade secreta! Com vocês…

 Túlio Vilela*

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Jacques Tardi é um veterano dos quadrinhos franceses. Apesar disso, não é um nome tão conhecido no Brasil quanto outros compatriotas como o saudoso Moébius, pseudônimo de Jean Giraud,  ou os criadores de Asterix, o saudoso René Goscinny e Albert Uderzo. No Brasil, um dos seus poucos trabalhos publicados é O Grito do Povo, adaptação do livro do também francês Jean Vaultrin, publicado em dois volumes pela Conrad e que trata da Comuna de Paris. Continue lendo →

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O lixo da história: sensibilidade e humor na obra de Angeli

Diversas vezes nos pegamos tentando entender tudo que acontece ao nosso redor. A arte é a ferramenta de maior sensibilidade. A nona arte então, é a mais sublime. Alinhando a temporalidade do cinema com o texto do livro e a beleza das artes gráficas, os quadrinhos ocupam um lugar único no contar do tempo. Falar dos fatos com os quadradinhos exige uma certa elevação de consciência. Continue lendo →

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Filmes formadores de caráter (parte 4) – 11° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

Como o Velho Quadrinheiro mostrou, a palavra caráter tem sua origem na palavra grega que significa cicatriz. Bem diferente da personalidade, que tem sua origem na palavra grega πρόσωπον, que no latim se tornou persona, máscara.

Pode-se colocar ou tirar a máscara (sábias palavras de Heráclito: por trás do rosto da máscara há a máscara do rosto), mas a cicatriz é algo que vai ficar para sempre. A cicatriz molda a sua percepção sobre você mesmo e também como os outros te percebem. Ela não pode jamais ser esquecida, torna-se para sempre parte de quem você é.

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Nossas cicatrizes derivam das nossas experiências. Mas uma experiência não será nada a menos que se pense a partir daquilo que aconteceu. Em última instância é necessário que a cicatriz ganhe sentido e significado por meio da reflexão.

Então é isso, estamos aí, mais uma vez comentando quais filmes foram decisivos para que nossas experiências fossem pensadas e se tornassem cicatrizes, moldando nosso caráter.

Qual moldou o seu?

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JEREMIAS E O PARADIGMA KITTY PRYDE: Diversidade (?) humana em quadrinhos

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O plano inicial era escrever isso há algumas semanas e publicar no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Comecei a escrever, mas, por uma série de razões, o fechamento foi adiado. E isso foi bom. Tive tempo de ler mais algumas coisas, amadurecer um pouco mais as idéias, conversar com mais algumas pessoas. Nada disso garante a qualidade do post, é verdade, mas você pelo menos pode ter a certeza de que não foi algo escrito às pressas só para não perder uma data importante.
Você pode estar se perguntando “o que esse japonês tem na cabeça para achar que pode escrever sobre racismo e quadrinhos?” e eu entendo a desconfiança. De fato, exceto por um ou outro caso de insultos gratuitos que escuto quando ando na rua ou do bullying sofrido nos tempos de escola, minha percepção do racismo é essencialmente teórica e/ou de segunda mão, assim como minha percepção da situação de qualquer minoria. É por isso que não vou discutir o racismo em si, mas como o paradigma da representação esvaziou essa discussão nos quadrinhos.

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Filmes formadores de caráter (parte 3) – 10° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

Ensinavam os gregos: o homem virtuoso é aquele carregado de caráter. E caráter não era um dom natural, nem era hereditário, nem era concedido. Caráter leva tempo para conquistar. Caráter é resultado de uma vida. O adulto sem caráter vivia sob a pena da rejeição, da desconfiança, do desprezo, do ostracismo. Sem caráter um homem não valia o trapo que vestia. Sem caráter toda decisão é um capricho, toda atitude é um impulso, toda ação é um erro. Os responsáveis por esculpir caráter? Pais, mestres, amigos, inimigos.

E, meu caro, caráter (kharakter) em grego não é pouca merda não. Caráter quer dizer apenas uma coisa: cicatriz!

Cada um tem um seu cardápio de histórias, filmes ou quadrinhos que esculpiram o próprio caráter.  Mas pra um quadrinheiro velho, filmes como Conan e Indiana Jones foram tão importantes tanto quanto as marretadas que a vida dá (que aliás, devem ter sido avisadas que haveria bolo, pois continuam tão presentes quanto no 2º colegial, aquele esgoto infernal da existência contemporânea).

Se você é um nerd alienado e não sabe do que se trata, saiba disso: Conan e Indiana Jones são dois caras azarados. Eles apanham, erram, são traídos, esquecidos e usados por… bom, quase toda pessoa que encontraram no caminho. Mas em algum momento eles desistiram? Não, porra! Isso é caráter! Que se derrame sangue, que a fé esmoreça, que a moça se mande, que o prêmio seja roubado, mas bola pra frente! (ou “continue empurrando a roda”, diria Conan). Uma cicatriz jamais deixa esquecer uma lição!

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Não só nestes filmes, mas vários outros, como a Trilogia do Dólar de Sérgio Leone, os Irmãos Cara de Pau, Duro de Matar, Máquina Mortífera, Fuga de Nova York, pertenciam a um gênero que, a olho nu, era reunido nas velhas locadoras de VHS apenas como “ação”. Isso é injusto.

Todos os heróis destes filmes tinham em comum serem colossalmente desafortunados, humanos. Ferrados pelas circunstâncias, adaptaram-se a elas, criaram oportunidades para sobreviver. Além de tudo, estes filmes tinham um teor “lado B” que fizeram de cada um tão originais, apesar de orçamentos milionários de algumas produções.

Há quem diga que os heróis dos filmes de ação dos anos 70 e 80 são modelos de uma violência desenfreada, insana, típica no contexto da Era Reagan (1982-1990). Talvez. Mas isso é passível de discussão. Indiana, Conan, o Homem Sem Nome (Clint Eastwood), o Coronel Douglas Mortimer (Lee Van Cleef!), Jake e Elwood Blues, John McLane, Riggs, Snake Plisken: todos são heróis relutantes de histórias que eles mesmos preferiam ter evitado. Eles são arrogantes, invejosos, curiosos, ambiciosos, desajeitados e sofreram pacas por isso. Mas mesmo assim se viraram pra reverter a situação.

E você? Que filme esculpiu essa cicatriz que molda tua existência??

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Fragmentos para uma Filosofia Quadrinheira

E essa semana  novamente com vocês: O Estrangeiro!

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Todas as artes se vinculam por aspectos comuns como o uso da imaginação, o foco na expressão do artista e sua pretensa universalidade em relação aos sentimentos humanos. Além disso, as artes necessitam recorrer umas às outras como auxiliares. Nesse sentido se enquadra o serviço que as ciências e as filosofias prestam entre si e às artes. Por exemplo, a anatomia – embora seja uma disciplina autônoma – serve como auxiliar para um pintor. Saber anatomia aproximará o pintor da perfeição ao retratar um corpo humano. Conhecer algo das propriedades matemáticas é necessário a um arquiteto para que desenvolva seus projetos. E o mesmo se passa com todos os artífices nos quais consigamos pensar. Continue lendo →

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