ERAM OS DEUSES SUPER-HERÓIS?: Thor, retcons e alienígenas

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83017-176623-mjolnir[1]Nunca fui um grande fã de Thor. Aliás, sempre achei sua concepção como super-herói muito fraca. Do modo como foi contada pela primeira vez, a carreira super-heróica de Donald Blake parece ter começado por mero acaso. É verdade que a maior parte das origens dos super-heróis está ligada a acontecimentos incomuns, que mudaram a trajetória de pessoas que, em outras circunstâncias, seriam comuns. Mas a origem de Thor exagera. Convenhamos: um médico franzino e manco (americano, claro) de férias na Noruega se esconde numa caverna para fugir de uma invasão alienígena, encontra uma bengala de madeira, que na verdade é um martelo mágico disfarçado, e recebe todos os poderes do deus nórdico do trovão (entre outras coisas) quando bate o cajado no chão não é uma história de origem elaborada e empolgante que vá fazer uma pessoa se interessar por um super-herói.

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Nerd: deslocado ou descolado?

O Nerdbully postou recentemente um texto sobre as diferenças e semelhanças entre Nerd, Geek e Hipster. Pois bem, não vou discordar, apenas queria puxar a discussão para um outro lado, e que talvez aumente ainda mais a carga do que foi apresentado. Leia o que ele escreveu  aqui, vai dar muito mais sentido a esse post. Afinal, por um alinhamento cósmico inexplicável, concordamos em algo – mesmo que não totalmente.

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Como apontado no texto do Nerdbully, não há uma real popularização do Nerd em si, mas sim uma popularização da cultura que era tradicionalmente nicho desse grupo. Porém, diferentemente do que ele coloca, os indivíduos seguem sendo mal vistos. Continue lendo

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Trilha sonora em quadrinhos (parte 2) – 6° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

A relação entre música e quadrinhos é uma via de mão dupla. Das capas dos álbuns de vinil aos fanzines que disseminavam o estilo e a cultura de um determinado tipo de música, essas duas linguagens tem se influenciado mutuamente ao longo de todo o século XX.

O cinema, por razões óbvias, tem uma relação mais carnal com a música, desde as orquestras tocando ao vivo durante a exibição de filmes mudos até a música acidental que representa uma parte importante da produção sinfônica da atualidade. Só que agora os quadrinhos estão no cinema com nunca antes e por isso a relação música /quadrinhos passou a ser mais carnal também. Projetos de convergência de mídia já propõe quadrinhos digitais com efeitos sonoros para tablets e a influência do cinema não vai parar por aí

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Mas não podemos esquecer que a cultura pop vive do hoje (mesmo que o hoje seja uma reciclagem/colagem do ontem), e isso significa que se eu li uma história em quadrinhos há 20 anos e você leu a mesma história agora, seria muito improvável que nós dois elegêssemos a mesma trilha sonora para ela. Assim como remakes de filmes não tem a mesma trilha sonora do primeiro filme (talvez alguns elementos da trilha original como uma forma de homenagem), a produção musical que as rádios repetem à exaustão ou que pululam nas rede sociais são a trilha sonora da sua vida cotidiana, e são elas que vão marcar a leitura dos seus quadrinhos.

Vejam abaixo dois exemplos dos 15 minutos de fama da fusão entre quadrinhos, cinema e  as trilhas sonoras mais marcantes (e por isso mesmo mais esquecíveis) dos últimos dias…

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Herói tem sede de que? – 5° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

Nada como uma gelada numa sexta-feira depois do batente! A vida heroica pode ser bastante cansativa, e como qualquer ser humano sabe (bom, nem todos os heróis dos quadrinhos se encaixam nesse perfil…), é preciso relaxar para curar as feridas e confraternizar com os amigos em meio às histórias das batalhas.

O Hidromel dos Asgardianos, o Vésper inventado por James Bond, o Victory Gin de 1984, o leite Moloko Plus de Laranja Mecânica. A ficção sorve a realidade e destila a relação dos homens com seus alteradores de consciência, suas doses extras de coragem, seus prazeres e perdições. Do alcoolismo de Tony Stark à impossibilidade de embriaguez do Wolverine, do pileque simulado de Bruce Wayne ao pint nosso de cada dia de Jonh Constantine, o importante é não esquecer nunca que com grandes teores alcoólicos vêm grandes irresponsabilidades!

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E abaixo a melhor paródia da relação entre bebidas e super heróis.

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Para que servem os super-heróis?

E hoje temos um Red Shirt aqui no blog, que preferiu manter sua identidade secreta.

O Estrangeiro debutando aqui nos Quadrinheiros.

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São necessárias ressalvas quanto a este post, que são também ressalvas à minha pessoa.

Em primeiro lugar, sou Estrangeiro nestas terras dos quadrinhos – não tenho, portanto, o conhecimento de causa daqueles que hoje me hospedam nestas paragens. Venho de longe e meu discurso tem um olhar admirado com a pátria alheia. Em segundo lugar, como todo errante estrangeiro, não tenho à disposição qualquer biblioteca além daquela feita de retalhos escritos e imagéticos que porto em minha memória.

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Dito isso, para que servem os super-heróis? Continue lendo

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Trilha sonora em quadrinhos – 4° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

Música e quadrinhos sempre tiveram uma relação forte. Hoje ela está mais adulta e intensa com filmes e desenhos animados realistas/épicos/heroicos regados a orquestração com toques de jazz e ópera, mas vem de longa data.

Os programas de rádio com as aventuras dos heróis nos anos 40 e 50 embalavam os personagens em marchas militares e narrações dramáticas (condizentes com conjuntura da época).

Tivemos ainda a Surf Music e um espírito mais humorístico – como o Batman live action da TV na década de 60 e discos de vinil como os da dupla Jean e Dean.

Nos anos 80 e 90 com autores citando bandas pouco conhecidas, reflexo da relação entre fanzines e movimentos musicais underground como o punk, que marcaram essa geração.

Daqui para frente, com outra mídias se apropriando da 9ª arte, essa relação tende a se expandir. Games, aplicativos e filmes feito por fãs tornam-se (em diferentes níveis) negócios rentáveis que estabelecem sua linguagem própria e seus critérios.

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Apropriar-se dessas linguagens e transformá-las/subvertê-las parece ser o caminho inevitável do nosso mundo cada vez mais conectado e autoral. Embora a linguagem gráfica seja mais simples (e portanto mais fácil de se trabalhar), a música vem avançando com trilhas feitas por fãs e mashups.

Vejam alguns exemplos:

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COSPLAY É SOLUÇÃO, SIM!

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039aFantasias (ou cosplay, como dizem os aficcionados) nunca foram muito a minha praia. Vindo de uma família protestante (meu pai é pastor), cresci longe da tradição dos bailes de Carnaval e só usei fantasias para os teatrinhos da igreja ou da escola. As duas únicas vezes em que isso aconteceu fora desses dois contextos foram minha primeira (e única) quadrilha junina (porque todos os alunos da 1.ª série eram obrigados a participar — e eu nem sabia o que era uma quadrilha, porque não tinha feito o jardim nem o pré) e uma festa temática da Turma da Mônica, com um grupo bem fechado de amigos (minha fantasia se resumiu a colocar o manto da Dona Morte — não quis passar tinta branca na cara e nem me preocupei em fazer uma foice). Fora isso, sempre fui o cara sem-graça que recusa convites ou aparece com roupa comum em festas à fantasia.
Todas essas informações pessoais e sem importância servem para que você saiba que não sou um profundo conhecedor do mundo dos cosplayers. Tudo o que percebo sobre eles é uma mistura de estranhamento, fascínio, curiosidade e perplexidade. Para bem e para mal. Não acho que seja falta de imaginação de minha parte — sou desenhista (ruim, mas sou), leitor de quadrinhos, contador de histórias, volta-e-meia me pego imaginando o que faria se tivesse esse ou aquele poder. Apenas temos imaginações diferentes.

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Ad hominem nerdus: Nerds são hipsters?

Tenho deparado com cada vez mais frequência a seguinte frase: “nerds são hipsters” e isso me intrigou.  Os contextos eram parecidos: alguém fez um comentário sobre determinado filme, série, quadrinho etc. Em seguida foi confrontado ou mesmo corrigido por um suposto nerd que seria, também, hipster.

Creio que nerd todo mundo saiba mais ou menos o que é. Se não, fiz uma breve pesquisa sobre o significado do termo e pareceu interessante. A definição mais tradicional que encontrei foi: Continue lendo

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Alan Moore x Grant Morrison – 3° episódio da S02 de Viciados em Quadrinhos

Como em qualquer disputa, as paixões falam mais alto que a razão. No caso de Alan Moore e Grant Morrison os argumentos vão desde quem teve mais ideias originais e transgrediu mais a linguagem dos quadrinhos até a comparação de datas para saber quem foi publicado primeiro, quem seria o mago mais poderoso num confronto direto, qual a influência da abundância ou da total ausência de pelos no corpo no trabalho de cada um…

imagesJá publicamos por aqui algumas impressões sobre o trabalho de Alan Moore e de Grant Morrison. Dois criadores desconcertantes, que consideram a linguagem (escrita, falada, desenhada, etc) a mais potente forma de magia. Dois autores consagrados, amados e odiados pelos fãs. Escolha o seu lado nessa épica batalha!

Alan Moore x Grant Morrison!

Um é recluso e faz criticas ferozes a indústria cultural (quadrinhos/cinema). O outro é midiático e subverte a indústria de dentro pra fora. Grant Morrison é o autor de Homem-Animal, Patrulhado Destino, Os Invisíveis, Batman: Asilo Arkham, 7 soldados, All-Star Superman, além da fase no Batman (Batman R.I.P.) e o Superman dos Novos 52. Alan Moore é o criador de V de Vingança, Watchmen, Liga Extraordinária, Do Inferno, Tom Strong, além de A Piada Mortal e o Monstro do Pântano.

E aí, para vocês qual dos dois é o melhor?

*E aqui a íntegra da batalha física que usamos nessa edição.

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A TV está preparada para John Constantine?

Semana passada foi noticiado que a rede americana NBC de televisão vai produzir uma série baseada em Hellblazer, a HQ protagonizada por John Constantine. A produção, diz a Rolling Stone, contará com os roteiros de David S. Goyer, respeitado pelos fãs de quadrinhos por ser o roteirista da trilogia de Batman de Chris Nolan. Especulação de elenco não demorou. Difícil não ficar empolgado.

Pra quem só conhece a versão do filme de 2005 com Keanu Reeves, verdade seja dita: John Constantine pode ser um protagonista, mas ele não é um herói. Longe disso… Continue lendo

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