13 + 2 obras para pesquisar quadrinhos

Os primeiros passos para a bibliografia da sua tese.

Sabe, listas são coisas insidiosas.

Elas camuflam dificuldades e resolvem problemas. O maior deles, quase sempre, é o mesmo: faltam horas no dia pra dar conta de tudo da forma que gostaríamos.

Como isso é um blog e não um best seller, hoje, entre banho tomado e post parnasiano, opto pela higiene em 1º lugar e um post meia-sola em 2º. Como essa não é a melhor solução, que pelo menos ele seja útil. O post, não o banho, que é útil em si mesmo.

Desta feita passo a ponderar.

Quando se publica uma lista há quem pense que a inclusão de algum item sugere a exclusão intencional de outro. Olha, antes fôssemos tão competentes o tempo todo. O mais certo é que a título de açodamento (a-ço-da-men-to, procure aí), a lista atende a nenhum outro desígnio além de mapear um cenário geral num certo assunto. Mera abertura, pura introdução, claro convite pro diálogo, as listas são tão sólidas quanto o melhor argumento em contrário.

Pesquisador iniciante, leitor curioso ou, quem sabe, ente imortal que desvendou todos os segredos dos grimórios proibidos de Merlin, Moley, Crowley e Antão, você pode ter se perguntado: que livros batutas e joinhas eu deveria ler para entender melhor os quadrinhos?

Quadrinheiros, sempre solícitos, sugerem aqui algumas obras. O critério é simples: o que você deveria ler/consultar para dar os primeiros passos para estudar quadrinhos?

  • ADORNO, Theodor & HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento.  Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

Clássico da Escola de Frankfurt, indispensável para qualquer pesquisador da cultura, e também a de massa.

  • ASSUMPÇÃO Jr., Francisco. Psicologia e História em Quadrinhos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.

Mais do que uma obra de referência, um ensaio da mais fina qualidade, uma análise psicanalítica dos quadrinhos e de seus personagens. O exame da trajetória de Conan é particularmente rico.

  • BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica In Obras Escolhidas – Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1996, pp. 165-196.

Quando noviço nessa coisa de pesquisa acadêmica havia um velho ditado: em cultura de massa, ou você conhece Walter Benjamin, ou os 7 inimigos do He-Man. Já que o leitor jovem talvez nem saiba quem é He-Man, trate de devorar este texto. Vale cada palavra. Fizemos aqui uma leitura voltada aos quadrinhos de um de seus mais célebres textosA obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica (que consta no livro indicado).

  • CIRNE, Moacy. Para Ler os Quadrinhos. São Paulo: Vozes, 1975.

Recomendação de 9 entre 10 orientadores das antigas, é referência obrigatória (o 10º  orientador esqueceu desse e indicou só o Shazam! do Álvaro de Moya).

  • CIRNE, Moacy. Quadrinhos, Sedução e Paixão. São Paulo: Vozes, 2001.

Mais do que o Para Ler os Quadrinhos, do mesmo autor, este livro é provocador. Prato cheio pra aprender a fazer crítica aos quadrinhos mainstream com garbo e elegância.

  • DORFMAN, Ariel e MATTELART, Armand. Para Ler o Pato Donald – Comunicação de Massa e Colonialismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.

Obra que se proliferou na bibliografia de centenas de teses e dissertações nas últimas 3 décadas (quase 4!). Crivando posicionamentos, denunciando a “perfídia imperialista”, a obra tem o mérito de ter alçado os quadrinhos ao patamar de objeto de sério estudo acadêmico.

  • ECO, Umberto. Apocalípticos e Integrados. São Paulo: Perspectiva, 2001.

Imagine que pesquisa em quadrinhos é um salão. Uma das paredes é Escola de Frankfurt. Umberto Eco é a outra dessas paredes .

  • ECO, Umberto. O Super-Homem de Massa. São Paulo: Perspectiva, 1991.

Nesse salão de estudos dos quadrinhos, O Super-Homem de Massa é o chão que a gente pisa. Eco mapeia a genealogia das narrativas seriadas desde o século XIX, os avós dos quadrinhos, as histórias de folhetim.

  • EISNER, Will. Quadrinhos e Arte Seqüencial. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

Como só ele poderia, Will Eisner ensina, com o carinho professoral, a singularidade da narrativa em quadrinhos.

  • GONÇALO Jr.. A Guerra dos Gibis. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

De fazer inveja para qualquer historiador profissional, aqui o jornalista Gonçalo Jr. narra, com generosidade de detalhes, a história das histórias em quadrinhos no Brasil entre a década de 1920 a meados de 1980, com ênfase na trajetória de Adolfo Aizen, o legendário editor da EBAL.

  • GONÇALO Jr.. Biblioteca dos Quadrinhos – Guia Obrigatório da Arte Sequencial No Brasil. São Paulo: Opera Graphica, 2006.

Como o próprio autor descreve, é uma obra de referência, um catálogo pro leitor e interessado em quadrinhos perambular pelos sebos e bibliotecas com indicações valiosas sobre quase tudo que já saiu publicado sobre quadrinhos no Brasil (até 2006).

  • MORRISON, Grant. Superdeuses. São Paulo: Pesamento/Cultrix, 2012.

Não só roteirista formidável, Grant Morrison fez uma das melhores análises dos quadrinhos mainstream americanos, suas Eras, seus significados implícitos, explícitos, e até possíveis leituras transcendentais.

  • MOYA, Álvaro de (org.). Shazam!. São Paulo: Perspectiva, 1977.

Dependendo da data da sua matrícula no pós-graduação, talvez seja a única referência que seu orientador conheça sobre quadrinhos. Em que pese a datação, já meio vencida em termos de debate, o livro traz alguns dos artigos mais provocadores sobre os quadrinhos.

E temos mais duas indicações bônus no vídeo abaixo:

Boa pesquisa!

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Sobre Velho Quadrinheiro

Já viu, ouviu e leu muita coisa na vida. Mas não o suficiente. Sabe muito sobre pouca coisa. É disposto a mudar de idéia se o argumento for válido.
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2 respostas para 13 + 2 obras para pesquisar quadrinhos

  1. xjoaogabrielx disse:

    Vou salvar este post em todo lugar possível, para não correr o risco de perder.. =)

  2. Pingback: Quadrinheiros Entrevistam – O Legado de Moya | Quadrinheiros

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