O lado B da Vertigo – Garth Ennis, Preacher e a sombra da corporação

Garth-ennisEm um painel sobre os 20 anos da Vertigo que juntou os escritores Garth Ennis (Preacher), Jaime Delano (Hellblazer) Peter Hogan (Tom Strong) e o artista Phil Winslade (Transmetropolitan), o que deveria ser uma conversa sobre a importância do selo para a indústria de quadrinhos acabou virando um desabafo capitaneado por Garth Ennis sobre os problemas contratuais entre a DC Comics e os roteiristas.

 

A sombra da corporação, como Ennis coloca, cria empecilhos para o escritor, seja pela censura editorial que dita o que você pode mostrar ou não, seja pelo contrato que estabelece que o autor é o dono dos personagens mas a editora pode fazer algumas coisas com o material que não são obrigatoriamente aquilo que o autor imaginou. Ele cita a Warner diretamente ao dizer que as coisas mudaram na Vertigo quando a pressão que ela exercia começou a limitar o controle criativo dos autores para poder explorar produtos derivados para TV, cinema, etc.

Garth Ennis

Garth Ennis

Sobre Karen Berger, a lendária editora que carregou e deu forma ao selo Vertigo, Ennis diz que a saída dela da DC Comics é o resultado de muitas batalhas perdidas a ponto dela perceber que o que ela havia criado não existia mais e não voltaria a existir. A principal habilidade dela, segundo Ennis, era navegar pela corporação, saber o quanto de informação revelar e para quem, com o objetivo de passar aquelas narrativas pela resistência engessada da máquina industrial e fazê-las chegar ao público sem perder sua essência.

Karen Berger

A mãe do selo Vertigo

Com a saída de Karen Berger e a pressão crescente da Warner, Garth Ennis aponta para as editoras independentes como oásis. Ele diz que faz coisas muito mais interessantes nelas do que na Vertigo e cita a série The Boys que começou na DC e ele levou para a Dynamite com mais liberdade e pelo mesmo contrato comercial. Phil Winslade lembra que as editoras independentes pagam muito pouco para os artistas e roteiristas iniciantes e que portanto aliar independência criativa e financeira, só pra quem já tem um nome no mercado.

Gartn Ennis reconhece a importância do selo como um celeiro de autores e cita o caso do autor de Y- O último homem, Brian K. Vaughan, dizendo que se não fosse a Vertigo, ele teria sido engolido pelo gênero dos super heróis. O próprio Ennis leu o humor ácido e grotesco de Johna Hex (Two-Gun Mojo de Joe Lansdale, publicado no Brasil pela Abril na revista Vertigo 10 de 1995) e pensou que poderia cavar mais e impor uma escrita mais crua em Preacher, por exemplo.

Veja o vídeo desse painel na integra aqui!

Para saber mais sobre Preacher, Garth Ennis e o selo Vertigo veja o episódio onde dissecamos esse título:

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Sobre Picareta Psíquico

Uma ideia na cabeça e uma história em quadrinhos na mão.
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2 respostas para O lado B da Vertigo – Garth Ennis, Preacher e a sombra da corporação

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