Star Trek: Enterprise, o que se salva do maior fracasso da franquia?

anekdoto-i-diafora-tou-ellina-apo-tous-allous-se-ena-diastimoplioNa expectativa pela nova série da franquia, quais as surpresas que nos revelam a única série de TV ainda canônica de Star Trek?

Depois do sucesso da Nova Geração do capitão Jean-Luc Picard (Patrick Stuart), do comando de Benjamin Sisko (Avery Brooks) na estação Deep Space Nine, e da nave Voyager da capitã Kathryn Janeway (Kate Mulgrew), que se passam entre os anos 2364 e 2379, os produtores decidiram voltar no tempo e desenvolver histórias anteriores à série clássica de Kirk e Spock (que se passa entre os anos 2265 e 2293, considerando a série animada e os filmes posteriores).

A série Star Trek Enterprise (que se passa aproximadamente 100 anos antes da série clássica) prometia descortinar o passado de humanos e vulcanos e o os eventos que levaram a Frota Estrelar a fundar a Federação dos Planetas Unidos. Tinha tudo para coroar o sucesso de mais de uma década de atividade da franquia na TV, mas foi cancelada por causa da baixa audiência.

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A série mostra que depois de um século do primeiro contato com o vulcanos, a raça humana está pronta para explorar o espaço, mas ainda há muita inexperiência e impulsividade para superar. O capitão Jonathan Archer (Scott Bakula) comanda uma tripulação muitas vezes inocente, que vai aos poucos aprendendo com seus erros.  Com apenas 4 temporadas e um final abrupto a série tentou diferentes formatos e temas para cativar o público, sem sucesso.

As duas primeiras temporadas são interessantes, apesar de inconstantes. Mesclam elementos essenciais da franquia com personagens deslocados de suas características já consolidadas nas outras séries. Apesar disso, essas temporadas cumprem o papel de mostrar a busca por um propósito no cenário complexo e diverso da Frota Estrelar.

A terceira temporada é um mergulho na escuridão, inteiramente dedicada a uma trama militar cheia de traições e táticas de guerrilha (reflexo do então recente 11 de setembro que dominava o imaginário do público norte-americano). É a fase mais difícil de assistir e a que mais foge do espirito de convivência amistosa com outras culturas, tão caro ao criador de Star Trek, Gene Roddenberry.

A quarta temporada é um alento. Apesar do final improvisado, o espirito de Roddenberry está presente na maioria dos episódios, principalmente na relação entre humanos e vulcanos e na construção das características dessa civilização tão importante para toda a franquia (episódios 7, 8 e 9).

Por conta do filme de 2009, que alterou a linha temporal, jogando tudo o que aconteceu a partir da série clássica para outra linha do tempo, Star Trek: Enterprise é agora a única série de televisão que ainda é cânone. Além disso é um bom aquecimento para a nova série – Discovery – que estreia no Netflix em setembro, e se passa entre o período da Enterprise de Archer e da Enterprise de Kirk.

Então, se você quiser fazer esse aquecimento, separei os melhores episódios da série.

Temporada 1: Episódios 1 e 2, “Broken Bow”. O piloto da série é tão atribulado quanto as duas primeiras temporadas, mas é fascinante ver as incertezas da tripulação da primeira Enterprise. Finalmente a série mostra os problemas de tradução no contato com os alienígenas desconhecidos.

Temporada 1: Episódio 7, “The Andorian Incident”. O passado xenofóbico e odioso dos Vulcanos é finalmente mostrado para o público.

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Temporada 2: Episódio 2, “Carbon Creek”. Colocar os personagens em pontos reconhecíveis do século XIX e XX é uma tradição da franquia. Mas nesse caso não é uma viagem no tempo ou uma simulação holográfica, e sim a história de uma antepassada da vulcana T’Pol (Jolene Blalock). Vale pelo choque cultural!

Temporada 3: Episódio 10, “Similitude”. A ética da clonagem é explorada de forma surpreendentemente sutil neste episódio em que um segundo Trip (engenheiro chefe da nave interpretado pelo ator Connor Trinneer) é “cultivado” para atuar como, essencialmente, uma fazenda de órgãos para o Trip original. O fato do clone possuir todas as memórias e emoções de Trip, mas não o conhecimento social sobre como lidar com elas, é bastante perturbador.

Temporada 3: Episódio 21, “E2”. Por causa da “guerra fria temporal”, a tripulação encontra uma versão da mesma Enterprise com mais de cem anos, comandada pelos descendentes da tripulação original. Essa outra Enterprise pode ajudar a evitar a viagem no tempo que os criou? Ah, os deliciosos dilemas temporais de Star Trek!

Temporada 4: Episódio 3, “Home”. O que acontece depois que a Terra, a humanidade, o Universo e a linha de tempo, como a conhecemos, foi salva? Depois do peso dramático da temporada anterior, este episódio de descanso é extremamente satisfatório, humanístico, e serve como uma correção do curso para a série. Excelente!

Temporada 4: Episódios 4, 5 e 6, “Borderland”, “Cold Station 12” e “The Augments” Amarrando vários pontos da mitologia de Star Trek, incluindo Khan (de A Ira de Khan) e o personagem Data (Brent Spiner) da Nova Geração, acompanhamos o mesmo Brent Spiner no papel do criador de Data, trabalhando com experimentação genética. Um deleite para os fãs da franquia.

Temporada 4: Episódios 18 e 19, “In A Mirror, Darkly” Partes 1 e 2. O “universo espelho” da série clássica (episódio 4 da segunda temporada “Mirror,Mirror”, de 1967) é revisitado para delírio dos fãs. Há ligações com “Star Trek: First Contact” (filme da Nova Geração de 1994), para explicar onde o “universo espelho” se ramificou da linha regular da série, além dos trajes da década de 1960 e as sequência de abertura diferente. Por ironia do destino, foi durante as filmagens desses dois episódios que a equipe soube do cancelamento da série.

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Temporada 4: Episódios 20 e 21, “Demons” e “Terra Prime”. A conclusão da série mostra as discussões sobre a formação do que eventualmente se tornará a Federação dos Planetas Unidos sendo interrompidas por uma facção xenófoba que quer livrar a Terra de todos os alienígenas. Um final bem político para uma série cheia de questionamento éticos e escolhas difíceis.

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Sobre Picareta Psíquico

Uma ideia na cabeça e uma história em quadrinhos na mão.
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