Mulher-Aranha, a sofrida (e sexualizada) cobaia da Marvel

Eis um bizarro um acidente cósmico que apenas o Vigia Uatu poderia explicar! No mesmo dia em que nosso Picareta (not) Psíquico mandou um textão sobre a sexualização imputada na Mulher-Hulk, algo baixaristicamente importante aconteceu!

Foi lançada uma revista da heroína Mulher-Aranha que traz, como capa alternativa, um dos mais “Milo-Manaras” desenhos de Milo Manara:

SW

Queríamos evitar, mas como a notícia respira, como nosso público segundo o Facebook é de pessoas maduras e responsáveis entre 18 a 35 anos, não podemos fugir desse papo/imagem/tema/assunto – que aliás merece lugar de destaque em qualquer borracharia ou oficinas mecânicas da mais fina qualidade disponível no nosso país – país apaixonado por carros (ao invés do transporte público).

Ícone máximo da arte erótica nos quadrinhos, o desenhista italiano Milo Manara não pode ser acusado de ter apelado dessa vez. Longe disso. A carreira de Manara é justamente marcada por escapar os limites das convenções estéticas, por explorar os temas vindos de contos de fadas, narrativas históricas, fantasias literárias, operísticas, cinematográficas e infanto-juvenis, sempre de forma erótica.

guliveraPENTITI001

A carreira de Manara como artista define o gênero “arte erótica”, que é um gênero subjacente, tão consagrado e não concorrente, aos quadrinhos mainsteam da Marvel, DC e outras de super-heróis. Porém, nos últimos anos ele tem visitado outras paragens.

manaras

Não muito tempo atrás houve a célebre edição de X-Women, onde Manara pode destilar todo o seu preciso talento nas heroínas dos X-Men.

xwomen1

Mesmo sendo algo aberto à discussão, é seguro dizer que o enredo da história era risível, que pouco acrescentou à essência das narrativas dos X-Men. Aqui consideramos os X-Men uma alegoria sobre a igualdade e tolerância, seja ela racial, sexual, ideológica, religiosa, uma duradoura e fascinante narrativa sobre a diversidade humana – em quadrinhos. O apelo editorial de X-Women era ver as mulheres de X-Men sob a pena de Manara e nada mais que isso.

Claro, o nome “Milo Manara”, já há muitos anos, é uma marca consagrada. Qualquer revista que traga o nome dele é sinônimo de sucesso de vendas. Mas será que teria o mesmo sucesso se ele fizesse uma capa, ou revista, completamente ausente de mulheres insinuantes e seminuas? Não temos uma resposta.

Já a Mulher-Aranha, heroína da Marvel, passou por uma estranha trajetória desde sua criação em 1977. Ela não era muito presente no universo “convencional” da Marvel, onde vivem os Vingadores ou os X-Men, mas ganhou visibilidade como protagonista de um desenho animado para televisão de 1979. Foi só anos depois que ela passou a “conviver” com mais frequência entre os outros heróis nos quadrinhos.

Spider-Woman-cartoon-1979

Parte do destaque que Jessica Drew, a Mulher-Aranha, ganhou nas revistas da Marvel é resultado do esforço de Brian Michael Bendis. O roteirista a colocou não apenas como figura de liderança entre os Vingadores, mas também como a grande vilã da saga Invasão Secreta, de 2009.

spw3

Truques de roteiro que vieram à tona no final, aquela vilã não era a verdadeira Mulher-Aranha, mas uma alienígena Skrull. A verdadeira Jessica Drew foi resgatada pelo Capitão América e companhia. Cabia a esta “nova” heroína encontrar seu lugar no universo Marvel. Ali nasceram as investidas criativas da editora, que já levou a Mulher-Aranha também a habitar uma web-série.

A personagem Mulher-Aranha parece servir como uma espécie de “cobaia” editorial. Ela é uma personagem multi-facetada, humana, falha e virtuosa ao mesmo tempo, complexa, dotada tanto de sensualidade quanto austeridade, o que inspira empatia com os leitores. Por estas exatas razões, ela também tem enorme apelo entre as leitoras.

sp5

A capa alternativa de Manara, com um forte apelo sexual (menos do que um uniforme, ela parece vestir apenas uma tinta no corpo), sugere que a Marvel submeteu a sua cobaia a um novo teste: quantos leitores masculinos a revista é capaz de atrair e quantas leitoras femininas a editora está disposta a perder.

Honestamente, eu não faço idéia! Isso é bom? Ruim? Vai atrair mais leitoras? Vai causar repulsa? Não sei!

sp4

Fiz uma listagem de alguns sites que falam sobre o mesmo assunto. A frase que mais concordo (e que confesso ter inveja) é essa: A capa de Milo Manara que vai provocar mil manchetes.

Mas como regra, para saber quando os quadrinhos vão longe demais, me convenci daquela ideia trazida pelo Hawkeye Iniciative (Iniciativa Gavião Arqueiro), a forma mais contundente que já vi para apontar os possíveis excessos da sexualização das heroínas. É um trabalho que vale muito a pena ver.

http://thehawkeyeinitiative.com/

Outros links que trataram do tema:

http://io9.com/check-out-spider-woman-1-starring-spider-womans-ass-1624535918?utm_campaign=socialflow_io9_facebook&utm_source=io9_facebook&utm_medium=socialflow

http://www.theguardian.com/books/2014/aug/21/spider-woman-comic-cover-erotic-artist-sexualisation?CMP=fb_gu

http://www.comicbookresources.com/?page=article&id=54990

Anúncios

Sobre Velho Quadrinheiro

Já viu, ouviu e leu muita coisa na vida. Mas não o suficiente. Sabe muito sobre pouca coisa. É disposto a mudar de idéia se o argumento for válido.
Esse post foi publicado em Velho Quadrinheiro e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

23 respostas para Mulher-Aranha, a sofrida (e sexualizada) cobaia da Marvel

  1. Diego Borges disse:

    Excelente post! Eu fiquei sabendo dessa “polemica” e achei extramente idiota, visto que eles falaram de uma capa VARIANTE feita por um artista RECONHECIDO por esse tipo de arte e estilo, então pra mim era procurar cabelo em ovo, pois ela não é uma capa obrigatória e foi feita como uma opção PARA os leitores adultos e masculinos…

    Vocês foram sagazes em falar DO MANARA para contextualizar o assunto, parabéns por isso! Contexto nerd é algo valioso quando feito direito!

    • Velho Quadrinheiro disse:

      Olá Diego!

      Pois é, pra quem conhece, o tema é um tanto auto-evidente. Manara é o imperador do gênero erótico nos quadrinhos, de um talento soberbo e inigualável.

      Aqui eu só não queria perder a chance de apontar que esse talento singular foi trazido pra um território menos associado ao erotismo que ele explora, as histórias em quadrinhos de super-heróis.

      O que chama mais atenção é que essa “migração” se dê por meio da Mulher-Aranha, uma heroína já meio calejada por tantas “experiências” anteriores da Marvel.

      Obrigado por ler o post! =D

  2. A manchete que te causou inveja, fosse escrita em nossa língua materna, teria resultado mais impactante, porém mais triste dada o obvio – A capa de Milo Manara que vai provocar uma abundância de manchetes.

  3. Nerd Cansado disse:

    A frase é inspirada na Ilíada, fariseus. Helena de Tróia, o rosto que lançou mil navios.

    • Velho Quadrinheiro disse:

      Cansado,

      1. Eu agradeço por apontar a origem da referência. Eu realmente não sabia (e ainda não encontrei a passagem, será que você podia me localizar na obra, por favor? A minha cópia está aqui na mesa esperando com o post it do lado).

      2. Eu lamento a forma que você comentou. Apesar do que diz-se lá na topo da página (“Xinga só aquele que falou merda”), xingamentos não são bem-vindos aqui.

      Este blog é um espaço de discussão de idéias, não rotulação de pessoas (“name calling”), e menos ainda incitação de hostilidades. Lembre-se bem, insisto.

  4. Stefano disse:

    OFF TOPIC: Vocês conhecem ?

    • Velho Quadrinheiro disse:

      Stefano,

      ora, sua pergunta é um insulto! Evidente que conhecemos!

      Quotista e eu, que trabalhávamos numa mesma repartição, costumávamos cantar a música toda no caminho do trampo! XD

      Vida longa ao Encouraçado de Batalha Yamato! =]

  5. God Zamiel disse:

    Porque existe pouca originalidade nas super-heroínas? Copiadas, para sempre associadas aos seus originais masculinos. Mulher Hulk, spiderwoman…

  6. Me desculpem se eu fugir um pouco do foco da discussão…

    Bom, eu sou a favor da sexualização de humanos e não-humanos de qualquer sexo possível. Acho que no mercado editorial ocidental temos uma imensa falha de direcionamento de recursos, pois praticamente 90% de toda publicação ocidental de quadrinhos é produzida tendo como público-alvo um tipo único de leitor (e acho que todos aqui sabem qual o perfil).

    Meu problema é justamente esse direcionamento muito específico, que além de ser burro, também acaba por matar o interesse do leitor-padrão, que se cansa de ler a mesma fucking coisa em todo título (eu me canso).

    No mercado editorial japonês, por exemplo (que é o maior mercado de quadrinhos no mundo), eles possuem uma multiplicidade gigante de gêneros e subgêneros pra qualquer idade, sexo ou ideologia. Há títulos (e títulos bons) para qualquer público e isso faz com que qualquer pessoa se interesse pelos mangás e as editoras vendem para todos os públicos existentes.

    Aqui no ocidente a nona arte, além de não ser levada a sério, também acaba ficando marginalizada porque o mercado simplesmente não atende a uma demanda de múltiplos públicos, tendo de arrancar lucros de adaptaçòes pro cinema ou produtos derivados.

    Felizmente a Marvel parece que está percebendo que apostar em novos perfis de leitores é uma boa ideia, mas eles fazem da maneira errada.

    Ninguém parece ter entendido ainda que não se deve pegar um título tradicionalmente de meninos-brancos-héteros e transformá-lo em um título de múltiplos públicos. Nenhuma publicação consegue abranger todos os gostos num único título, é impossível.

    Mas o mercado parece temer apostar em títulos novos e sem tradição para leitores não-padrão. Talvez isso explique a popularidade dos mangás aqui a partir de certa época (2002? 04?).

    E claro que a sexualização não deve ser uma obrigação também, porque cansa. E começa a virar show de horrores, onde cada ilustrador tenta fazer os personagens mais sexy que os do outro cara lá, e acaba aparecendo uns desenhos mal-feitos como os da mulher-aranha.

    Esse desenho, aliás, foi a coisa mais “desenhista iniciante” que eu vi o Manara fazer. Ele já desenhou mulheres sexys muitas vezes, mas geralmente ele não zoava a harmonia da composição com pivetagem…

  7. Ah, só esclarecendo, claro, que a discussão proposta aqui é sim muito necessária, pois toda publicação tem um efeito socio-cultural no grupo de indivíduos que lê esses trabalhos. E repensar papéis de gênero são uma coisa que está faltando fazer há eras. Pena que mesmo tanta gente falando nisso ainda haja tantos estereótipos óbvios e daninhos.

    Estereótipos de gênero já são ruins, mas temos também muitos outros. E os estereótipos raciais são alguns dos que mais me assustam. O problema deles é que só servem para reforçar o padrão ideológico desse público-alvo específico, não proporciona um choque cultural que ofereça reflexões ou ampliação de horizontes.

    Temos histórias de super-humanos que quebram barreiras e paradigmas físicos, mas os paradigmas ideológicos tem que estar todos lá: nada de questionar sistemas econômicos/políticos/culturais/morais.

    Vejo isso como uma grande deficiência do mercado ocidental.

    Embora sejam poucos os títulos japoneses que questionem tanto todas as instâncias das sociedades humanas. Ah, mas os que fazem… uma coisa linda se ver.

    Ótimo post o de vocês.

    • Velho Quadrinheiro disse:

      Patrícia,

      é um baita privilégio ler sua opinião nesse espaço! =]

      Mais ainda porque ela amplia uma discussão invés de encerrar, o que é justamente o problema quando tratamos de tabus contidos na arte.

      Quadrinhos, como qualquer outra expressão social, é cheio de significados, valores, morais, vícios e virtudes de uma época. O que me chama a atenção, o que trouxe no post, é o “trânsito” de gêneros identificado na capa do Manara. Ele “pertence” a um gênero, o erótico, tão próximo das experiências privadas/subjetivas, e visita outro, o “heróico”, que celebra as “boas condutas” públicas que uma sociedade – ou leitor – deve seguir.

      Afinal, que sociedade e quais valores são aqueles onde uma sensual Mulher-Aranha ao estilo Manara é um modelo para leitores e leitoras? Eu gosto dessa sociedade? Qual é a consequência disso? Quanto eu devo me preocupar? Onde está o limite do meu exagero? Será que isso é o fim do mundo? Ou não?

      Seja como for, minhas indagações vão sempre ser “parciais”, afinal até que um milagre aconteça, eu continuo sendo homem, e por mais que eu tente, jamais vou ser capaz de ver o outro lado da moeda como se fosse uma mulher. Minha única opção é imaginar como minha filha, irmã, mãe, amigas ou namorada reagiriam a essas publicações (ou qual é a conduta de uma sociedade que acha isso ok diante delas).

      Arrisco dizer, no caso do Manara e essa capa, não acho que seja tão (veja bem, “TÃO”) grave, afinal cultuar a forma física não é diferente do ingrediente “sexualizante” ou erótico num evento como as Olimpíadas, uma escultura com nu feminino ou um modelo de biquíni na praia… Nenhum genital foi exposto. Há mais uma insinuação do que uma exposição literal. Não acho que as mulheres que fazem parte da minha vida se ofenderam tanto.

      O que você acha? O caso foi longe demais? Merece ser condenado? Invés de sentenciar, minha opção tem sido pensar sobre o assunto, afinal estou aprendendo algo que eu não sei.

      Diga-se, um dos maiores problemas que nós, Quadrinheiros, temos, é a falta de visões femininas nesse espaço. A sua, não só garantida, é incentivada na sessão Red Shirts, aberta aos textos do público que visita o blog!

      Sinta-se convidada!

      Abs!

  8. Nosferatuzod disse:

    Já deu no saco essa “patrulha do politicamente chato”. Mulheres sempre se identificaram e/ou almejaram ser como as personagens sensuais e poderosas dos quadrinhos. Mas o feminismo imputou na cabeça desta nova geração a ideia errônea de que elas estão sendo usadas, manipuladas e desvalorizadas com estes tipos.

    Homens também são “explorados” nestas mídias também ao serem retratados como superfortes, bonitos, geniais e muitas vezes ricos.

    Lamentável. Lamentável, e sinistro pensar aonde vamos parar com toda esta imbecilidade.

    • Velho Quadrinheiro disse:

      Nosfeatuzod,

      vamos supor que você tem razão. As mulheres sempre almejaram ser sensuais e poderosas como aquelas dos quadrinhos. Homens também são objetificados como símbolos de virilidade.

      Vejo dois problemas aí: “sempre” e “homens”. Foi sempre que as mulheres – essa entidade indistinta – pensaram assim? Todas se incluem nesse sistema de valoração estética, incluindo nossas mães, irmãs, filhas, avós, tias, esposas e namoradas? Há como ter certeza?

      O mesmo vale para homens, se todos eles são retratados como superfortes, bonitos, geniais e ricos, todos nós gostamos e ansiamos reproduzir exatamente o mesmo?

      Exceto se você faz parte de todas as categorias, o que é difícil, certamente uma – ou todas – elas poderiam ofender ou gerar um mal-estar entre aqueles que não se reconhecem nesses termos.

      O problema implícito aqui não é a sensualização da Mulher-Aranha, mas a “naturalização” da ideia de que as mulheres deveriam se comportar daquela forma para serem mais… mulheres. E isso não é verdade.

  9. Márcia disse:

    Excelente texto!
    A sensualidade, e erotismo são coisas tão humanas que é natural estarem presente nos meios entretenimentos, mas o problema é manter os personagens/histórias somente nisso.
    Infelizmente as personagens sensuais acabam não tendo uma personalidade e histórias bem desenvolvidas, como se ser desejável fosse o suficiente para agradar o público. E isso acontece muito com personagens femininos e os poucos masculinos, por exemplo o Gambit que é um personagem sedutor e suas histórias ficando sempre presas ao romance com a Vampira (é uma chatice infinita).
    Infelizmente as editoras optam por aquilo que vende, o que o vende é o que a sociedade dita como correto, mulheres e homens perfeitos fisicamente, brancos, heterossexuais, católicos…
    É muito bom ver a arte maravilhosa do Manara, mas creio que muitas leitoras não vão identificar, algumas porque as fizeram acreditar que a sexualidade feminina é errada e outras por acharem que é só mais uma história que coloca a mulher como objeto.
    Eu particularmente ficaria com a segunda opção e olharia meio torto para essa revista, mesmo sendo do Manara.Quando você entende o que é a mulher para sociedade fica muito difícil não ver o preconceito, por mais sutil que seja.

  10. Pingback: Recato ou evolução? Mulher-Maravilha e Batgirl na polêmica sexista | Quadrinheiros

  11. Pingback: “Respeite minha opinião!”: liberdade de expressão na indústria dos quadrinhos | Quadrinheiros

  12. Túlio Vilela disse:

    Esse tipo de patrulha ideológica é uma mistura de dois extremismos, um de esquerda, outro de direita. O de esquerda é daquela vertente do feminismo ianque que odeia os homens. O de direita é do moralismo de certos grupos religiosos que enxergam obscenidade em tudo.
    Segundo essa porcaria de “politicamente correto”, tudo bem que uma personagem feminina diga que gosta de ver como o Homem-Aranha fica “popozudo” com aquela roupa agarrada, mas o público masculino (especialmente adolescentes)admirarem a bunda da Mulher-Aranha é “machismo”.
    Será que não existem leitoras que gostariam de ter um corpo igual ao da Mulher-Aranha?

    • Velho Quadrinheiro disse:

      Grande Túlio,

      caso elas existam, elas não se manifestam muito, imagino.

      Acho que um dos maiores desafios do nosso tempo é estar na crista da onda do “politicamente correto”… Quase todo dia tem uma nova atualização nas configurações, como se fôssemos um “computador moral”. Mas instalar os updates e reiniciar a máquina não muda o hardware.

  13. Pingback: Ortodoxia e Quadrinhos – uma crítica à ditadura que te habita | Quadrinheiros

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s