Pensando quadrinhos: o que é um clássico?

Quando se fala que determinado quadrinho é clássico, o que se quer dizer com isso? Por exemplo, é muito comum ouvir dizer que Watchmen é um clássico, que O Cavaleiro das Trevas é um clássico etc. Mas o que se quer realmente dizer com isso?

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Bom, normalmente se quer dizer com isso que são quadrinhos que devem ser lidos porque são boas histórias. Simples assim. Mas isso é uma questão muito pessoal. Claro, uma geração inteira leu Watchmen e afirma que é uma ótima história, mas é realmente? Ou melhor Watchmen continua sendo uma boa história?

Aí começamos a enveredar pelo cerne da questão. Outro sentido da palavra “clássico” nas artes é uma obra em que sempre é descoberto algo de novo. Ou seja, cada geração que lê uma obra “clássica” vê nela algo de novo, que a renova e renova o interesse por ela. Então, se a atual geração de leitores de quadrinhos ler Watchmen e gostar e descobrir ali algo novo, então podemos dizer que ela é um clássico que será recomendado para a próxima geração e assim por diante.

Outro aspecto da questão é o clássico como padrão ou norma de um determinado gênero. Podemos dizer que um determinado quadrinho é um clássico porque contém todos os elementos característicos de um determinado gênero. Nesse sentido podemos considerar All Star Superman um clássico porque contém todos (ou quase) os elementos tradicionais do gênero supers. A tentativa de estabelecer critérios universalmente válidos para se julgar uma obra, ou seja, regras para o julgamento de uma obra remonta a Aristóteles. Clássico seria o que está dentro dessa regra ou padrão. Se utilizarmos essa noção Watchmen não é um clássico porque não se enquadra no padrão estabelecido do gênero supers (por exemplo: em Watchmen o vilão vence no final).

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O que complica as coisas é que há uma noção de clássico que é justamente o contrário da definição acima e que tem embasamento em Kant: clássica seria uma obra que desafia as regras existentes, que quebra as regras estabelecidas para criar algo novo ou, para criarmos um paradoxo: a regra para ser clássico é quebrar as regras! Esse sentido talvez é o que esteja mais próximo de nós. Levando isso em conta Watchmen é o clássico dos clássicos porque quebrou com as regras do gênero supers e criou, juntamente com O Cavaleiro das Trevas, uma nova abordagem ao gênero supers.

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Há ainda outras definições: clássico como aquilo que é universal sem perder suas características, ou então uma obra que traduz as características de uma determinada época etc. Não daria para abordar todas num mero post.

Mas tendo em vista tudo isso, acho que podemos definir mais ou menos três critérios para chamarmos uma obra de clássica:

– Permanência: a obra de mantém digna de ser revisitada, resistindo ao tempo. As tragédias gregas são clássicas e lidas até hoje.

– Referência: uma obra vira referência para uma determinada geração. Como pensar Batman sem pensar na contribuição de Frank Miller para o personagem?

– Influência: a obra determina a produção de toda uma época, a chamada Era de Ferro, como as já citadas Watchmen e Cavaleiro das Trevas.

Bom, por hoje é isso. E para você, o que é um clássico em quadrinhos? Qual quadrinho você considera clássico? Divida sua opinião conosco.

Nota: para quem quiser se aprofundar na discussão recomendo esse texto.

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Sobre Nerdbully

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10 respostas para Pensando quadrinhos: o que é um clássico?

  1. Sérgio Nova disse:

    Entende-se por clássico uma obra que resista ao tempo, ou seja, o contrário do modismo. Assim, Romeu n& Julieta é clássico enquanto as As brumas de Avalon foi modismo. Nesse sentido, nenhuma obra nasce clássica, mas torna-se. Watchmen e O cavaleiro das trevas ainda não podem ser definidos como clássicos nesse sentido, embora ao que tudo indica tendam a se tornar, assim como The Spirit, de Will Eisner, já é.

    • dabliuo disse:

      brumas de avalon modismo? what
      não tem como comparar duas coisas tão diferentes
      e não precisa de um periodo de tempo GEOLÓGICO
      para definir. Essa definição de classico como resistente ao
      tempo é apenas uma de muitas maneiras e tá bem longe de ser eficaz.

  2. Stefano disse:

    clássico: Akira – (Otomo Katsuhiro)

  3. Pingback: A importância do formato: de Alan Moore à Shakespeare | Quadrinheiros

  4. Pingback: 10 (+5) referências de histórias em quadrinhos | Quadrinheiros

  5. jeffhonorato disse:

    Parabéns pelo o texto, ótimo tema, complexo e bastante interessante.

  6. Góis Murdock disse:

    Como dizia o meu professor de Geopolítica: “Clássico é aquilo que não sai de moda”.

  7. Pingback: Quadrinhos na História: bibliografia quadrinheira | Quadrinheiros

  8. Pingback: A MARCA DO BATMAN: uma introdução por Alan Moore (1986) | Quadrinheiros

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