Wein, Wrightson e o Monstro do Pântano: criadores e criatura

Em tempos de perdas fica difícil não lembrar de grandes símbolos da Vertigo.

Mais uma vez venho falar sobre Alec Holland, o Monstro do Pântano, um dos personagens mais bondosos e reflexivos das histórias em quadrinhos. Em 2017 perdemos os dois criadores do personagem, primeiro o desenhista Bernie Wrightson e, recentemente, Len Wein. Sempre acompanhei o trabalho de ambos os autores por terem dado vida a um dos personagens mais importantes em minha formação, o Monstro do Pântano. Mesmo o trabalho definitivo com o personagem não sendo dos dois, o nome deles é carregado por todas as edições e seria impossível para mim, que escolhi o pseudônimo de John Holland, não pensar um pouco sobre as lições do personagem neste momento.

Len Wein pode não ser tão celebrado quanto Moore, Morrison ou Gaiman. Porém ele é um dos principais responsáveis por abrir as portas ao que os quadrinhos são hoje. Junto de Karen Berger foi responsável direto pela Invasão Britânica dos quadrinhos norte-americanos, convidando Alan Moore para escrever seu personagem, e também foi editor de Watchmen, série essa que dispensa comentários, fato pouco lembrado.

A criação do Monstro foi idealizada junto de Bernie Wrightson, um dos maiores desenhistas de terror que o mundo já conheceu. Ambos contribuíram em uma história curta de terror para a DC que fez mais sucesso que o esperado, dando vida à Alec Olsen, o primeiro Monstro do Pântano.

O personagem passa por uma jornada de autoconhecimento durante as edições escritas pelo recruta de Wein, Alan Moore. Isso demonstra a necessidade de evolução, tanto do personagem, quanto da história. A evolução do personagem acontece verdadeiramente a partir do momento que ele se desprende daquilo que um dia já foi e deixa Alec Holland descansar em paz. Ruptura entre o que foi a história original do personagem para uma evolução. A ideia não foi renegar o que foi escrito anteriormente, mas abraçar e seguir adiante, inclusive com uma pequena participação de Alec Olsen que faz uma ligação entre a nova mitologia com o modesto passado do personagem.

As histórias do personagem sempre são cheias de bizarrices e de elementos assustadores, porém sua postura e imagem quanto a este mundo desesperado sempre se mantém intacta. O primeiro arco após Lição de Anatomia deixa claro o pensamento centrado e bondoso do personagem, quando Jason Woodrue destrói vilarejos e mata pessoas em nome do Verde, o Monstro do Pântano não só o impede como explica que ambos podem conviver juntos e traduz que o Verde não deseja a extinção humana, mesmo ele tendo consciência de que é apenas uma planta, ainda reconhece uma parte humana dentro de si. Assim como ele foi contra prover alimento para toda humanidade, mesmo sendo capaz de fazer isso, por saber que isso traria mais malefícios do que benefícios ao mundo, Holland acha que as pessoas devem fazer as coisas por si próprias.

Perdemos um grande ícone no mundo das HQs. Isso nos faz refletir sobre suas criações, trajetória e contribuição na vida das pessoas, perda morte e vida. O autoconhecimento e a bondade do Monstro do Pântano nasceram de uma pequena história de terror de dois rapazes que brilharam e brilham nos corações e mentes dos leitores mundo afora.

Len Wein e Bernie Wrightson se foram, porém deixaram um legado em diversos títulos e momentos dos quadrinhos, a memória deles sempre continuará viva e quando nos lembrarmos deles também recordaremos de seus personagens e criações que tanto nos inspiraram e inspiram.

 

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Sobre John Holland

Procurando significados em páginas de gibi enquanto viaja pelos trilhos do conhecimento e do metrô. Sempre disposto a discutir ideias e propagar os quadrinhos como forma de estudo, adora principalmente a Vertigo, está sempre disposto a conhecer novos quadrinhos e aprender o máximo de coisas possível!
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