The Heap e a história por trás dos monstros do pântano

Swamp.jpgConheça a história por trás de duas criações quase idênticas da Marvel e DC.

No início da década de 70, dois “novos” personagens fizeram sua estreia nos quadrinhos da Marvel e da DC Comics. Eram eles o Homem-Coisa (da Marvel) e o Monstro do Pântano (da DC). Eles são o legado do The Heap, um monstro da Era de Ouro que se desdobrou em um amontoado de referências e plágios sem fim!

De um lado temos o Dr. Theodore Sallis, cientista num laboratório no parque nacional de Everglades (nos pântanos da Flórida). O objetivo dele: refazer a fórmula do soro do super soldado. Traído, ele foge e injeta o soro em si mesmo, mas acaba afundando no pântano… Mas a combinação do soro com o pântano (mais tarde roteiristas incluiriam magia nessa origem) transformam Ted Sallis em uma criatura planta de olhos vermelhos, capaz de expelir ácido, despida da habilidade de falar e que não se lembra de seu passado. Esse é o Homem-Coisa, da Marvel, criado por Stan Lee, Roy Thomas, Gerry Conway e o artista Gray Morrow, que estreou em maio de 1971 na revista Savage Tales #1.

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Do outro,  temos o cientista Alex Olsen, vítima de explosão em um laboratório, causada pelo seu colega, Damian Ridge. Os elementos químicos combinados ao pântano onde Olsen afunda o transformam em uma criatura planta monstruosa. O monstro mata Damian, mas não é reconhecido por Linda, esposa de Olsen, e por isso retorna ao pântano. Essa é a origem do Monstro do Pântano da DC, criado por Len Wein e o artista Bernie Wrightson, que estreou em julho de 1971 na revisa House of Secrets # 92.

Dado pouco conhecido, Gerry Conway e Len Wein dividiam um apartamento na época da criação e lançamento do Homem-Coisa. Wein escreveu a segunda história para o personagem da Marvel, mas a revista Savage Tales foi cancelada depois da primeira edição. Meses depois ele alegou ter tido a ideia de um monstro que vivia no pântano para a DC enquanto andava de metrô. Confrontado por Conway, Wein disse que não achava que as histórias se pareciam.

A Marvel não se preocupou em processar a DC já que as vendas do título do personagem não eram significativas, mas o principal motivo para a falta de empenho em proteger a propriedade intelectual era outra – o Homem-Coisa também era uma cópia.

O modelo para todos os homens do pântano é uma a história curta de Theodore Sturgeon, (It, de 1940), que apresenta um homem que morreu no pântano, mas ressuscitou como uma criatura formada por vegetação meio apodrecida para se vingar. Inspirado nessa história, a revista Hillman Periodicals (publicação de Alex L. Hillman) trouxe o primeiro homem do pântano dos quadrinhos – The Heap (1942). Começando como um vilão menor (criado por Mort Leav e Harry Stein), The Heap logo se tornou um personagem recorrente na revista Airboy Comics até o título ser cancelado em 1953.

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A volta do personagem original aos quadrinhos é ainda mais inacreditável. Roy Thomas (Co-criador do Homem-Coisa da Marvel), era fã do personagem. No final dos anos 1960, Thomas sugeriu o homem do pântano dos anos 40 para seu amigo Sol Brodsky, que estava deixando a Marvel para fundar sua própria editora (Skywald Publications). No mesmo ano da publicação do Monstro do Pântano e do Homem-Coisa (1971), a revista Psycho #2 (publicada em março), mostrava uma origem atualizada de The Heap. Com poucos meses de diferença, três versões de homens transformados em monstros no pântano concorriam pela atenção dos leitores.

A Skywald faliu e a editora Eclipse Comics passou a publicar The Heap nos anos 80. Nesse meio tempo Steve Gerber (criador do Howard, o Pato) já havia se consolidado como principal roteirista do Homem-Coisa da Marvel. No final da década a Eclipse faliu e vendeu os direitos para a Image Comics. Steve Gerber saiu da Marvel e foi para a Malibu Comics. Nos anos 90 mais duas versões desses monstros vieram à tona – Slurge (de Steve Gerber para a Malibu, em 1993), e The Heap (com uma nova origem, em Spawn #73, de 1998).

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BOG.jpgTamanha profusão de personagens similares teve outras versões como Bog Swamp Demon, vilão das histórias em quadrinhos das Tartarugas Ninja, e Muckman, vilão do desenho animado das Tartarugas (de 1987).

Para além dos quadrinhos as criaturas do pântano foram parar no cinema. Primeiro pelas mãos do mestre do terror Wes Craven, o filme Swamp Thing (1982). Foi esse filme que impulsionou os quadrinhos do personagem, que trouxe problemas de prazo e agenda de seus criadores, culminando no convite de Len Wein a Alan Moore para assumir o título. Em 1989 o filme The Return of the Swamp Thing nas mão de um diretor de filmes B de baixíssimo orçamento enterrou a franquia. Anos depois o Homem-Coisa da Marvel ganhou seu próprio filme para o canal SyFy pelas mão de Brett Leonard (Man-Thing, 2005).

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Mais recentemente o Monstro do Pântado na DC ganhou destaque na linha Novos 52 com argumentos de Scott Snyder e desenhos de Yanick Paquette, participando da Liga da Justiça Dark (nos quadrinhos e na animação). Também há a série recentemente finalizada de cinco edições escrita pelo premiado autor R. L. Stine para o Homem-Coisa. É uma homenagem a tudo que foi feito com o personagem até hoje e ao legado das histórias de terror da EC Comics que foram barradas pelo Comics Code Authority nos anos 1950.

A última aparição do The Heap da Image foi em Spawn #74, de 1998. Vamos esperar que a fertilidade criativa do pântano germine novamente com mais uma explosão de monstros planta!

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Sobre Picareta Psíquico

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