Mayara & Annabelle: Paranormal com jeitinho brasileiro

Mayara e Annabelle. Não, apesar do que o nome sugere, não é a mais nova dupla de sertanejo sofrência e sim um caso de sucesso entre os quadrinhos independentes nacionais.

Por Nathalie Lourenço*

Criada pelo alagoano Pablo Casado (roteiro) e pelo cearense Talles Rodrigues (arte), com cores de Brendda Lima, Mayara e Annabelle é uma HQ leve e divertida, com muitos elementos de mangá e regionalidade. A série, três vezes indicada ao prêmio HQ Mix, começou a ser publicada em 2014 e prevê um total de 5 volumes, com 3 já publicados – todos viabilizados por financiamento coletivo.

A história gira em torno de uma fórmula clássica: duas pessoas de personalidades opostas que são obrigadas a conviver e trabalhar juntas se quiserem sobreviver. Apesar da premissa, a história é cheia de detalhes que deixam a história bem atual. Para começar, como o nome do quadrinho já deixa bem claro, na falta de uma, temos logo duas protagonistas femininas.

Mayara é uma funcionária exemplar do SECAF (Secretaria do Controle de Assuntos Fora do Comum) em São Paulo. Veja bem, não é porque você é servidor público que não pode ser heroína de quadrinhos. Descendente de japoneses, a garota é especialista em luta com espada – habilidade que usa para derrotar os muitos demônios e aparições que passam pelo seu movimentadíssimo setor. Afinal, estamos na capital, não é mesmo? Mayara é boa no que faz. Talvez boa demais para seu próprio bem e por isso acaba transferida para a filial da Secretaria no Ceará.

Lá, é forçada a conviver com Annabelle, única funcionária de um setor onde quase não há o que fazer e que não fica nada feliz em dividir a minúscula salinha do departamento. É que, por razões misteriosas, Fortaleza é a capital menos afetada por fenômenos fora do comum (suspeito, não?). A garota, mais habituada a ver séries no computador da firma do que a pegar no batente, conta com forte talento para magia, herdado de uma família bem tradicional daquelas bandas – e com quem ela não se dá nada bem.

É a partir daí que as coisas começam a acontecer. Um dos principais méritos da HQ é a forma que ela incorpora atualidades e elementos nacionais e regionais no que poderia ser mais um quadrinho sobre assuntos sobrenaturais como tantos outros por aí. A trama passa por temas como corrupção e coronelismo de uma forma despretensiosa. Tudo regado a ação, com direito a muito humor e frases de efeito durante as batalhas. O traço, que bebe de referências do mangá, é outro ponto forte, dinâmico e cheio de pequenas soluções criativas e pontos de vista inusitados.

Justamente pela forte ligação do quadrinho com o regionalismo, podemos esperar muitas mudanças para o próximo volume da série, atualmente em processo de financiamento coletivo pelo Catarse (clique aqui e ajude a viabilizar a HQ). Afinal, a próxima parte da trama abandona Fortaleza e o interior do Ceará, onde a maior parte da história se desenrolou até aqui, e leva as protagonistas para São Paulo. Se a HQ vai perder o charme local ou ganhar mais fôlego com referências cosmopolitas, isso vamos descobrir muito em breve.

*Gosta de letrinhas em livros, quadrinhos e na sopa. De vez em quando, escreve umas groselhas aqui.

Anúncios

Sobre theredshirts

Blogueiros convidados ou que se convidam. Fale com a gente em nossa página no Facebook.
Esse post foi publicado em Red Shirts e marcado , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Mayara & Annabelle: Paranormal com jeitinho brasileiro

  1. Sérgio César Júnior disse:

    Compartilhei esse link nas redes sociais com o seguinte comentário:

    “Para que um país como o Brasil, ou qualquer outro em nosso planeta seja um país respeitado e atinja os níveis de bem-estar-social e desenvolvimento econômico é importante que primeiro de tudo ele se dê o próprio valor. Primeiro precisa investir nas próprias iniciativas e consumir seus próprios produtos e acima de tudo incentivar a própria indústria para que algum dia ela passe da fase incial e precária para atingir a de alta-qualidade.

    Para quem curte cultura, arte, literatura e quadrinhos vai uma dica para conhecer e incentivar uma produção de nosso País.

    Os suecos, alemães, estadunidenses, britânicos, franceses, japoneses, italianos e outros considerados países desenvolvidos já fazem isso, só falta nós brasileiros deixarmos nosso sentimento de vira-lata de lado e desenvolvermos mais essa consciência”.

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s