AQUI ESTÁ TUDO QUE HÁ DE ERRADO COM O JORNALISMO DE QUADRINHOS – Parte 1

Ho Ho Ho!

Leitores estufados das ceias de natal!

Hoje começarei uma pequena série de textos que são frutos de uma tradução e uma reflexão. Algum tempo atrás na ilha do sol o Nerdbully compartilhou conosco um texto do Jim McLauchlin que chamou muito a atenção. Estou faz quase um mês mastigando e refletindo muito do que foi dito. E isso já parte do próprio título “Here’s Everything Wrong with ‘Comics Jouralism’”, que seria algo como “Aqui está tudo que há de errado com o ‘jornalismo de quadrinhos’”.

Antes que alguém questione qualquer coisa, gostaria de deixar aqui o link para o texto original e informar que pude contatar o próprio autor (através do twitter) que autorizou a tradução do texto. Então sem chororô. E lembrem, a idéia é conversar com o texto e não apenas traduzir.

O Jim McLauchlin Quer segui-lo no twitter? @mclauchlin

O Jim McLauchlin
Quer segui-lo no twitter? @mclauchlin

Como apenas a tradução tomou 5 laudas de um documento de editor de texto, optei por dividir em alguns posts, pois também quero debater com o que ele vai dizendo. Hoje tomarei apenas a introdução e os dois primeiros pontos que ele trata.

Segue abaixo:

Jornalismo de história em quadrinhos é meio como o tempo — todo mundo reclama, mas ninguém parece fazer algo sobre isso.

E aqui no Brasil acaba imensamente restrito a alguns comentários, notas de rodapé de jornais de grande circulação e produção amadora online. Isso piora ainda mais a situação

Ai que bom seria ter esse jornal traduzido e publicado em terras tupiniquins. Não conhece? Clica aqui e dá uma olhada...

Ai que bom seria ter esse jornal traduzido e publicado em terras tupiniquins. Não conhece? Clica aqui e dá uma olhada…

Existe pouca duvida de que, infelizmente, a fé na mídia em geral chegou a pontos ridiculamente baixos. A Gallup indica que a confiança dos americanos na mídia é de cerca de 20%. Entre os profissionais de quadrinhos sobre as mídias de revistas em quadrinhos… isso deve ser ainda mais baixo.

“Eu vejo duas coisas principais: Matérias compradas, geralmente pelas duas grandes [Marvel e DC]; e um o crescimento de uma indústria de ódio” [crítica sem fundamento] diz o criador de Chew e escritor da Detective Comics, John Layman. “Eu realmente não vejo muito mais do que isso”.

Vejo que é parte da própria mistura entre o que é trabalho e o que é ser fã. Eu mesmo já escrevi aqui péssimos textos por estar enebriado por ter visto um filme ou lido algo, deixando de lado a mínima idoneidade e apenas colocando meus pensamentos. Algo que hoje acho imensamente terrível. Mas como uma vez o Velho Quadrinheiro comentou, é parte do nosso processo de amadurecimento.

E Layman sabe o que observar nisso. Ele tem um passado jornalístico no mundo real, tendo trabalhado no que ele chamava de “um assistente de notícias do Jimmy Olsen” em um grande jornal diário, o San Diego Union Tribune.

Ron Marz pende a concordar. Marz foi um escritor de esportes e posteriormente editor de entretenimento para o Kingston (N.Y.) Daily Freeman antes de escrever o Lanterna Verde, Witchblade e tantos outros. A sua observação é muito próxima a de Layman.

“Tem muito enchimento, por que somos um meio de entretenimento, e de maneira geral, é isso que nós criamos,” Diz Marz. “Tem também muita coisa fácil, comunicados de imprensa repaginados, e obviamente entrevistas enlatadas nas linhas e linhas de ‘aqui está um email com uma lista de questões que você nos mandou de volta e a gente vai publicar’. O fazer da escrita jornalística não é tão prevalente como deveria ser.”

Ainda vejo algo um pouco pior. O caso dos blogs em português, majoritariamente, se ocupam das resenhas opinativas ou simplesmente de dizer bobagens sobre o que pensam. Os poucos espaços/portais com mais notícias, são praticamente reféns das assessorias de imprensa.

Ainda é importante lembrar que boa parte desse material de divulgação nem mesmo vinha para o Brasil. Isso passou a ocorrer com o crescimento do mercado de consumo nerd nas terras tupiniquins. Hoje em dia temos jogos legendados e dublados e adaptados em português do Brasil. A pouquíssimos anos atrás, não tínhamos nada nem perto disso. Uma vantagem foi que acabava-se aprendendo inglês com muita facilidade, mas isso desestimulava muitas pessoas de jogar. Era bem mais difícil ser nerd…

Aprendi Inglês e até um bocado de história passando horas e horas jogando isso aqui... Wololo...

Aprendi Inglês e até um bocado de história passando horas e horas jogando isso aqui… Wololo…

O profissionalismo tende a ajudar qualquer indústria. A odontologia é agora melhor com a Novocaina do que era nos tempos dos alicates sangrentos e uma dose de whiskey. Com isso em mente, aqui vai um rápido guia para tudo o que está errado no “Jornalismo de quadrinhos”, com algumas sugestões uteis, espero, de como fazer as coisas um pouco melhor. E vamos começar falando sobre esta primeira bala da nossa arma retórica:

Eu não estou te falando que você deve fazer as coisas desta maneira

Mas eu espero que você faça. Novamente, toda comunidade é mais bem servida com um profissionalismo de alto nível, e eu gostaria de ver isso na minha comunidade jornalística. Este é um guia de “boas práticas” que, se seguido, pode te ajudar a colocar o seu trabalho pau a pau com o mesmo trabalho criado no Los Angeles Times, Washington Post, NBC News, e vários outros. São alguns blocos básicos que tornam a maré grande o suficiente para qualquer barco navegar. Então, se for a sua vontade, por favor, suba no meu barco.

A partir deste paragrafo ele passa a descrever as diversas dicas, que como são muitas e muito importantes, achei por bem dividi-las em diferentes posts. Até por que ficaria um texto maior que os maiores textos do Quotista…

E atenção, não pense que o que ele está propondo é algo irreal. Todos os jornais tem seus próprios manuais. E eles são úteis inclusive para nós. Eles vão desde regras gramaticais básicas até estilo de escrita. Aí cabe a você descobrir qual que mais te agrada e adotar.

Como filho de jornalista, sempre cansei de olhar essa capa...

Capinha velha… hoje em dia é online até!

Você nunca é a notícia

O primeiro erro mais básico de um aluno do primeiro semestre de jornalismo é o do lead* “A câmara de Pasadena manteve seus encontros regularmente agendados na quinta feira”. O lead nunca é o encontro. O lead é o que aconteceu no encontro.

O lead é aquela frase que geralmente está abaixo do título da notícia. É uma sentença que você coloca para guiar o seu público sobre o que você vai falar no seu texto. Tanto que lead é guiar em inglês. Tem a sua versão aportuguesada muito utilizada nas redações de grandes jornais que é grafado como “lide”.

Infelizmente, muitos sites de quadrinhos vão um passo atrás ainda. Frequentemente vemos reportagens de eventos que começam com “Eu fui na Tal-Tal Con 2014, e aqui está o que eu vi.” Para ser honesto e franco, isso é um 0.5 numa escala de 1 a 10 de reportagens. Não apenas o lead sobre uma Con [convenção, bem mais comuns lá que aqui] que aconteceu, mas inserir a si mesmo como ponto focal é totalmente errado. As coisas acontecem ao seu redor que não tem nada a ver com você, e se você está cobrindo um evento, você deve estar atento o suficiente para separar você da importância (ou a falta dela, usando o seu julgamento de notícias) de um acontecimento.

“No último fim de semana, na Tal-Tal Con, houve um recorde de público de mais de 41,000 e um importantíssimo anúncio da Marvel” é um exemplo muito melhor de como começar uma cobertura de um evento. Você não é parte disso. E o que ACONTECEU no evento que é notícia. Captou?

Esse erro é justamente o que pode se tornar o seu grande diferencial. Existem milhões e milhares de blogs com layouts lindos e super bem produzidos, mas o conteúdo é incrivelmente péssimo pois o autor se preocupa em opinar o que ele viu ou achou. Claro que isso também tem seu espaço, mas se o seu objetivo é fazer um jornalismo sobre quadrinhos, é preciso dar esse passo.

Agora todos que já fizeram isso estão nesta cena...

Agora todos que já fizeram isso estão nesta cena…

Meu problema é que muitos Bloqueiros Caseiros—e isto é meramente descritivo, não pejorativo—simplesmente não tem experiência em separar a sua própria experiência do observador-externo quando relatam uma experiência. Use o que está acima como guia, e rapidamente você mudará isso. O que nos leva a…

Há uma real falta de matérias originais

Marz acertou em cheio uma coisa, ou pelo menos parte dela: Os sites de notícias de quadrinhos estão repletos de comunicados de imprensa repaginados, ou as vezes, os comunicados em si nem mesmo mascarados. Se isso é tudo que você tem feito, você não é um jornalista de quadrinhos. Você é apenas um amplificador. No mínimo dos mínimos, comunicados de imprensa devem ser claramente identificados como tal se você irá publicá-los.

Se um outro blog já postou, tente conversar com a notícia. No caso brasileiro isso é ainda mais complicado. A gente vê isso as vezes acontecendo nos próprios portais. É fruto do preconceito que os quadrinhos sofrem aqui também. As vezes as “notícias” são apenas o teaser do novo filme. Meu caro… o teaser é bem fácil de conseguir. Me traga um algo a mais.

Eu digo aos meus alunos de jornalismo que um bom RP [Relações Públicas] pode ser uma enorme vantagem. Ele pode pegar informações muito básicas, ajudá-lo com a checagem e pesquisa de fatos, além de ajudá-lo ao acesso a tudo isso. Mas isso é tudo que eles são—facilitadores de preliminares. Você deve fazer o trabalho braçal, e manter em mente que um RP tem como objetivo principal atender os interesses de quem ele representa. Eles têm uma agenda, e ela segue uma única direção. Você deve estar atento à essa agenda.

Há uma diferença entre o profissional de Relações Públicas nos EUA e aqui. Os estereótipos entre os daqui e os de lá são bem distintos. Um RP nos EUA é o cara que trabalha na assessoria de imprensa e geralmente é um grande lobista dos interesses da sua empresa, em um espaço entre o jornalista e o Marketing. Aqui muitas vezes o RP acaba trabalhando muito mais com organização dos eventos e com materiais de apoio e desenvolvimento da marca, entre o Marketing e a Publicidade.

Dois bons exemplo para compreender o que um RP, sob o cargo de lobista, pode fazer são os filmes “Obrigado por fumar” e “O super Lobista”.

Em português ficou como "O Super Lobista". Neste caso ele é corrupto, e muito, mas vale para entender.

Em português ficou como “O Super Lobista”. Neste caso ele é corrupto, e muito, mas vale para entender.

Notícias originais não são difíceis. Existem milhares de coisas para se noticiar, e dez vezes mais outros ângulos para elas, se você olhar com atenção. Muitas vezes a resposta é tão simples quanto… apenas abra seus olhos.

Eu ensinei jornalismo durante 10 semanas em uma escola de Ensino Médio, uma vez por semana, no ano passado. Os estudantes tinham muita dificuldade em encontrar histórias de interesse local até eu mostrar um memorial de beira de estrada onde uma menina havia morrido em um acidente de carro envolvendo um motorista bêbado. A família estava mantendo o memorial há dois anos. O memorial era a menos de uma milha da porta de entrada da escola. Apenas abra seus olhos.

Novamente, existem diversas idéias para se reportar, e dezenas de ângulos para cada idéia. Encontre um, e encontre suas fontes.

Com estas primeiras duas dicas encerro a primeira parte. Mas antes de nos despedirmos queria ainda tecer algumas reflexões:

Escrever sobre quadrinhos é sim muito mais difícil do que parece. Podemos abraçar fortemente a superficialidade e não discutir as raízes e os objetivos dos quadrinhos. Podemos seguir tratando como uma mídia inferior e simplificada. Ou podemos dar esse passo além. Espero poder contribuir com o crescimento e aprimoramento da produção dos blogs e até nossa aqui com essa tradução. Ainda tem muito a ser colocado aqui. Mas espero que apenas essas duas dicas já nos façam refletir.

Leia a parte 2 aqui.

afinal, isso tudo é também jornalismo...

afinal, isso tudo é também jornalismo…

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10 respostas para AQUI ESTÁ TUDO QUE HÁ DE ERRADO COM O JORNALISMO DE QUADRINHOS – Parte 1

  1. Victor S disse:

    Parabéns pela iniciativa.

    Estou acompanhando o blog faz algum tempo, mas é a primeira vez que comento e, sem dúvidas, é um dos melhores do gênero aqui no Brasil ( se tiverem indicações de bons sites gringos, por favor, me indiquem ).

    Talvez o grande “problema” da imprensa de quadrinhos no Brasil é que ela é relativamente nova. Claro que há um monte de pessoas que compartilham o conteúdo que acham legal e acham que isso é jornalismo e há também pessoas que dão opiniões alheias e acham que isso é jornalismo, mas o que podemos querer dessa gente? A maior parte ganha um tapinha nas costas e um bicudo pra ficar esperto. Em geral são fãs querendo falar para fãs. Não estou querendo justificar mediocridade, apenas ressaltar alguns pontos que considero importantes. Além disso, o público também falha ao não saber selecionar o conteúdo e não mostrar retorno aos portais ( coisa que eu faço, por exemplo). Vejo que a imprensa cresce numa escala absurda, só esse ano contabilizei uns 30 novos vlogs. Algumas iniciativas sensacionais como o Quadrinhos Para Barbados e outras que deixam a desejar. Contudo, apenas o tempo e a discussão podem amadurecer o conteúdo. E o bom conteúdo existe, mas falta incentivo.

    • Sidekick disse:

      Sobre o elogio:
      Poxa! Valeu mesmo! A gente tenta produzir sempre o melhor material possível mas sem perder o bom humor.

      Sobre o comentário em si:
      Não sei quão nova é essa imprensa. Pensando que a EBAL do Aizen é fundada em 1945, mas já em 1934 ele já tinha lançado a Suplemento Juvenil, oficialmente estamos completando 80 anos de quadrinhos no Brasil. É praticamente o mesmo tanto que os EUA. A diferença é que aqui sempre foi visto como coisa de criança, enquanto lá, após uma série de mudanças, se tornou uma linguagem mesmo…
      Quanto aos fãs: Eu acho importante que existam e que produzam esse tipo de conteúdo, mas não esperem serem vistos como jornalistas. O meu problema é com o dono de blog que se acha “O” entendedor e “A” assumidade no tema.
      E olha que tem cara grande e reconhecido que acaba confundindo trabalho com opinião pessoal. O Nerdbully falou disso quando o Paulo Ramos escreveu aquela carta aberta ao Superman (vide aqui: https://quadrinheiros.com/2014/01/07/para-qualquer-fa-do-superman-com-mais-de-30-anos/ )
      A qualidade acho que tem a ver com a própria cultura de consumo. A maioria dos blogs é de caras com seus 15 a 20 anos se tanto, que são parte grande dos consumidores desse material. É uma galera ainda muito nova para ter opiniões de consumo realmente concretizadas e conceituadas. Basta ver uns portais e formadores de opinião zuando os mais novos o tempo todo.
      Retorno aos portais é um troço complicado pq o Brasil num soube utilizar muito os foruns. Então ficamos mais numa cultura de consumo passivo. Vide a Wikipedia em português quando comparada com a em Inglês.
      Conteúdo vai crescendo exponencialmente, a questão é, de fato, quais são os alimentados e incentivados a crescer. Post com foto de bunda tem muito mais view do que um com o mesmo conteúdo mas sem a foto sensual… É a vida…

      Mais uma vez obrigado pelo comentário e pelos elogios!
      Segue a gente lá no fb e vamos bater mais papos! Gostei muito dos seus questionamentos…

      • Victor S disse:

        É… relendo agora fui (bem) superficial no meu comentário.

        Vale ressaltar que não li o texto original na íntegra e não sei como o autor lida com algumas questões, se falar algo que ele explora no resto da matéria, por favor, me corrija. Também não gosto de tomar partido em debates ( mas é claro que é impossível não tomar partido) porque eles me atrapalham na hora de analisar, portanto vou aproveitar o termo usado pelo McLauchlin e ser apenas um observador-externo. Um observador-externo com muitas perguntas. E sendo um observador-externo com muitas perguntas eu pergunto: qual a definição de jornalismo?

        “Não sei quão nova é essa imprensa. Pensando que a EBAL do Aizen é fundada em 1945, mas já em 1934 ele já tinha lançado a Suplemento Juvenil, oficialmente estamos completando 80 anos de quadrinhos no Brasil. É praticamente o mesmo tanto que os EUA. A diferença é que aqui sempre foi visto como coisa de criança, enquanto lá, após uma série de mudanças, se tornou uma linguagem mesmo…”

        Concordo, realmente temos quadrinhos sendo publicados há tempos, mas qual a diferença de se trocar quadrinhos como “coisa de criança” para “coisa de fanboy”? O poder de consumo desses grupos? Não tenho dados, quando foi que começaram a sair os primeiros materiais sobre quadrinhos no sentido jornalístico aqui no Brasil e noutros países?

        “Quanto aos fãs: Eu acho importante que existam e que produzam esse tipo de conteúdo, mas não esperem serem vistos como jornalistas. O meu problema é com o dono de blog que se acha “O” entendedor e “A” assumidade no tema.”

        Novamente não quero defender mediocridade ( e uso mediocridade no sentido original de estar na média), mas os jornais querem saber de política e literatura, coisa de gente séria, os quadrinho para eles se resumem a charges e tiras, coisas de gente boba. Tá, tô sendo (bem) superficial de novo. E, olha que engraçado, a maior parte das pessoas vê quadrinhos de forma superficial. Donos de blog que se acham entendedores e assumidades no tema não procuram aprovação? Não querem divulgar coisas que acham relevantes e que, quem sabe, faça diferença? Devemos criar uma cultura dos quadrinhos eruditos? E quem quer isso? Os fãs? Afinal, a expectativa dos fãs é ser jornalista e produzir conteúdo jornalístico? Deveria ser essa a expectativa deles? E a expectativa dos jornalistas para com os quadrinhos? Apaixonados por esporte devem cobrir eventos esportivos?

        “E olha que tem cara grande e reconhecido que acaba confundindo trabalho com opinião pessoal. O Nerdbully falou disso quando o Paulo Ramos escreveu aquela carta aberta ao Superman (vide aqui: https://quadrinheiros.com/2014/01/07/para-qualquer-fa-do-superman-com-mais-de-30-anos/ )”

        Pretendo ler com calma para não falar besteira novamente. KKK

        “A qualidade acho que tem a ver com a própria cultura de consumo. A maioria dos blogs é de caras com seus 15 a 20 anos se tanto, que são parte grande dos consumidores desse material. É uma galera ainda muito nova para ter opiniões de consumo realmente concretizadas e conceituadas. Basta ver uns portais e formadores de opinião zuando os mais novos o tempo todo.”

        Não quero parecer aquele tipo de relativista chato, mas opiniões precisam ser realmente concretizadas e conceituadas? Eu, por exemplo, gosta cada vez mais de coisas que se aprofundam no tema escolhido, porém todo mundo começa como um poser. Há espaço para os dois tipos citados? Até que ponto a relação desses tipos é saudável? Até que ponto estimula os novatos? Até que ponto estimula os velhacos? Os dois saem ganhando?

        “Retorno aos portais é um troço complicado pq o Brasil num soube utilizar muito os foruns. Então ficamos mais numa cultura de consumo passivo. Vide a Wikipedia em português quando comparada com a em Inglês.”

        Vide o fórum da Panini. Falando em cultura de consumo passivo lembra-se daquela votação para o material publicado na antologia em comemoração aos 75 Anos da DC? É o tipo de coisa que acho muito interessante para os consumidores e para a empresa, mas não é o tipo de coisa que vinga. Iniciativas bacanas se perdem pela dificuldade na hora de planejar e pelo pouco retorno, penso eu. “Do que adianta mudar o método, ter mais trabalho e não ter maior retorno?” talvez seja o tipo de pensamento que restrinja as tais iniciativas bacanas. Gosto muito de plataformas colaborativas, a internet é fantástica nesse aspecto, mas a gente pensa “Do que adianta não ser um consumidor passivo, ter mais trabalho e não ter maior retorno?”. Puxo minha orelha nesse quesito. Questão de cultura? Pelo que percebo essa geração está trabalhando muito mais isso, espero que também esteja trabalhando muito melhor.

        “Conteúdo vai crescendo exponencialmente, a questão é, de fato, quais são os alimentados e incentivados a crescer. Post com foto de bunda tem muito mais view do que um com o mesmo conteúdo mas sem a foto sensual… É a vida…”

        Todos querem um pouco de atenção no final das contas. Enquanto uns usam fotos sensuais para conseguir essa atenção outros digitam longuíssimos comentários em sites de quadrinhos, assim é a vida. KKK

        HAHAHAHA Eu que agradeço pelo elogio.

      • Sidekick disse:

        Victor S! respondendo ao seu comentário do dia 27:

        Bem… vamos começar por um começo.
        Desculpa pela demora, estive atarefado com outras questões e só agora pude retornar.

        Você pergunta “qual a definição de jornalismo?”.
        Cara, essa pergunta em si é um debate acadêmico com livros e livros sobre as possíveis respostas. Entendo Jornalismo a partir do ato de se criar e publicar uma noticia, que definiria como um texto, verbal ou não, que se propõe a informar sobre um fato de interesse à um publico, específico ou generalizado, tendo clareza, objetividade e confiabilidade como fundamentos.
        É sim questionável, até por existirem diferentes tipos de jornalismo -marrom, gonzo…- , mas todos se relacionam com essa lógica. A crítica de McLauchlin é justamente aos blogueiros que se põe a fazer notícia, mas não tomam nenhuma referência ou mesmo se preocupam em noticiar algo. Na primeira parte que está aqui acima, se você observar com atenção, ele fala sobre o que é notícia e como ela deve ser o centro do texto.

        Num segundo questionamento você pontua: “qual a diferença de se trocar quadrinhos como “coisa de criança” para “coisa de fanboy”? O poder de consumo desses grupos?”
        Acredito que nos EUA quadrinhos não são coisas de fanboy. É uma linguagem. Obviamente ela é adotada e atinge um nicho relativamente mais específico na maior parte do tempo, mas ela pode ser consumida e sem preconceitos por qualquer pessoa. O fanboy é como o otaku brasileiro. Ele deu um passo a mais no seu colecionismo e se aprofunda em outras questões que extrapolam e expandem o universo com o qual ele se relaciona.
        No Brasil, ainda tem muito preconceito. Tanto que um dos termos mais comuns para quadrinhos em terras tupiniquins é Gibi, que era um suplemento infantil que continha alguns quadrinhos.

        “Quando foi que começaram a sair os primeiros materiais sobre quadrinhos no sentido jornalístico aqui no Brasil e noutros países?”
        Vish… você me pegou no contrapé. Mas se pegarmos as referências acadêmicas, podemos ter algum tipo de resposta. O livro “Shazam!” do Moya foi lançado em 1970, o “quadrinhos e arte sequencial” do Eisner foi lançado em 1985, o “Apocalipticos e Integrados” do Umberto Eco é, originalmente, de 1964. Todos esses caras, sem exceção, também publicavam matérias, cronicas e notícias em jornais. Então não temos um descompasso tão grande com o resto do mundo nesse sentido…

        “Devemos criar uma cultura dos quadrinhos eruditos? E quem quer isso? Os fãs? ”
        Não há em nenhum ponto, sob a minha leitura, uma visão de mudar os quadrinhos. Há um questionamento sobre o modo como abordamos eles. Não precisamos todos ler apenas Joe Sacco e considerá-lo o único digno de nota. Precisamos tratar com menos superficialidade, nós mesmos.

        “Afinal, a expectativa dos fãs é ser jornalista e produzir conteúdo jornalístico? Deveria ser essa a expectativa deles?”
        Não tenho como afirmar categoricamente que todos querem ser jornalistas, nem que essa deva ser a expectativa deles. Mas muitas vezes os autores se propõem a produzir notícia. E é aí que vem a crítica do McLauchlin. Porque não se pode então fazer notícia com qualidade? Mesmo que não seja o objetivo central do blog, acho que a qualidade só vem a contribuir.

        “E a expectativa dos jornalistas para com os quadrinhos? Apaixonados por esporte devem cobrir eventos esportivos?”
        Sempre que alguém fala de jornalistas e jornalismo, em especial o esportivo, eu lembro do Juca Kfouri. Você tem alguma dúvida do quão fanático por futebol ele é? Mas eu nunca senti que seu fanatismo fosse tal que o afastasse da sua função. Veja que ele é um cara absurdamente crítico e consciente. Sempre lembro dele brincando com os merchans nos programas de futebol com o bordão: “Água da Bica, a água que este programa indica”. Um fanático por quadrinhos pode sim ser jornalista, e muito bom. Isso com certeza mudaria a expectativas dos jornais quanto aos quadrinhos… seu filhos a tanto abandonados e escorraçados…

        “opiniões precisam ser realmente concretizadas e conceituadas?”
        Ok, fui um tanto radical demais. Claro que não precisam. Mas o problema é que as opiniões desses caras são colocadas como axiomas e não como argumentos. Aquilo ou é bom ou é ruim. Porque não pode ter coisas boas e ruins? Fica aquele “eu já li de tudo para poder dizer o que é ou não…”

        “Há espaço para os dois tipos citados? Até que ponto a relação desses tipos é saudável? Até que ponto estimula os novatos? Até que ponto estimula os velhacos? Os dois saem ganhando?”
        Há espaço e deve haver ainda mais!
        A relação deveria ser saudável. Não gosto de exemplificar comigo, mas tenho cerca de 10 anos menos que os demais quadrinheiros… Eles tem no mínimo 10 anos mais de leituras e experiências com quadrinhos. Sempre acabo estimulado e acabo estimulando. Há sim uma troca recíproca e positiva. A questão é que ela depende da disposição de ambas as partes… e aí é que reside o problema.

        “Questão de cultura? ”
        acho que na frase seguinte você já responde a sua própria dúvida…

        Como sempre, dialogar com esses comentários é riquíssimo. Nos faz repensar o que escrevemos e porque escrevemos. Continue comentando e dialogando!

  2. Olavo Lima disse:

    eu acredito que 99 por cento dos sites,blogs e jornalistas de qualquer tema depois que ficam grandes e tem muitos chegados param de ser críticos e começam a escolher a dosagem da critica de acordo com os chegados e as ideologias deles,o que pode até dar grana para eles mas aos poucos vai tirando a credibilidade deles com os fãs, apesar de que ainda pode iludir muitos novatos leitores de quadrinhos

    • Sidekick disse:

      Fiquei intrigado pelo seu comentário. Você poderia desenvolver um pouco mais a idéia?
      Acho que existe uma distância entre rabo preso comercial e evitar polêmicas. Mas aí tem relação com a capacidade do autor, tanto em escrita como em conteúdo.

      • Olavo Lima disse:

        quadrinhos é um meio muito pequeno (mais ainda no brasil),acontece que quando um blog ou site de noticia fica grande e começa a receber grana pelas coisas que ele fala,ele pensa duas vezes antes de falar porque ao contrario de outros meios as pessoas não aceitam profissionalmente as criticas e vê o outro como um inimigo,mesma coisa acontece com ideologias e autores próximos,não conseguem se controlar de não cruzarr a linha da imparcialidade,já vi muitos blogs que começaram a ficar famosos e foram fazer criticas de obras de pessoas próximas para divulgar o trabalho e deram nota 7 (que não é uma nota baixa por exemplo) e foram criticados e tiveram que aumentar essa nota ou começaram a sofrer represálias dos autores envolvidos,dai em diante começa o cheguismo sempre favorecendo aqueles mais próximos que sejam famosos (entre esse pequeno circulo ) ou ricos (que possam bancar futuros patrocínios) ainda existe um tremendo amadorismo na ética jornalista na midia dos quadrinhos mais ainda do que outras midias,movimentos como o cartase e outros financiamentos desse tipo demonstram muito isso quando os autores envolvidos são “conhecidos” ou “chegados”,espero ter explicado o meu ponto de vista nessas simplórias palavras

  3. Pingback: AQUI ESTÁ TUDO QUE HÁ DE ERRADO COM O JORNALISMO DE QUADRINHOS – Parte 2 | Quadrinheiros

  4. Olavo Lima disse:

    sem falar é claro quando o patrocínio acontece mais diretamente da editora envolvida as pessoas normalmente são muito leve em suas criticas da historia ou se apegam somente ao valor ideológico da historia ou qualquer outra coisa que justifique sua boa nota,mesmo a própria pessoa sabendo que a historia é ruim,é difícil se manter imparcial nesse mercado (pelo que ando vendo) quanto mais o blog,site ou qualquer coisa que seja cresce mas ele se distancia dessa imparcialidade mais do que as outras midias

  5. Pingback: AQUI ESTÁ TUDO QUE HÁ DE ERRADO COM O JORNALISMO DE QUADRINHOS – Parte 3 | Quadrinheiros

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