Re-debutando velharias: Os Novos 52 no Brasil

Em junho de 2012, a editora Panini vai começar a publicar no Brasil o reboot dos heróis da DC com o nome de “Os Novos 52”, lançada nos Estados Unidos há exatos 12 meses atrás.

(A Panini está tão confiante do sucesso que oferece uma assinatura a $33,84 biro-biros mensais para enviar todas as revistas no conforto do seu lar. E não ganhamos um centavo por isso, que fique claro.)

Se você é o tipo de leitor que não sabe o que é “DC” ou “reboot”, você não é uma pessoa interessante para os padrões da casa. A não ser que você seja uma moça. Aí tudo bem. Todas as moças merecem gracejos.

“Vai, me impressiona”

Mas pra não perder a viagem, que fique claro: tal qual acontece com computadores rebeldes, um reboot nos quadrinhos é necessário de tempos em tempos.

Os enredos de histórias em quadrinhos, ao menos aqueles que chamamos de “mainstream” (corrente principal? famosões? graúdos?), têm uma espécie de período de validade. O que determina o ciclo é, entre outros fatores, a renovação dos leitores.

Veja bem, em termos de vendas, os quadrinhos mainstream seguem uma senóide ao longo dos anos.

O termo usado por matemáticos profissionais é “reta do bêbado”

Os pontos mais altos são alguma sacada criativa como a morte de um personagem, o casamento de outros ou um quebra-quebra geral dos heróis sem nenhum motivo consistente.

Acima: dinheiro em quadrinhos

Os pontos mais baixos são quando os arcos narrativos foram encerrados e repetem as “lições” aprendidas, uma espécie de posfácio mensal. Ao fim de cada ciclo, o leitor passou por, no mínimo, 5 anos de enredos, incontáveis tramas e infinitos detalhes.

Em termos criativos, isso gera um estrangulamento das histórias, que não podem contrariar dados estabelecidos no passado. Ou seja, restringe o número de leitores àqueles mais velhos (e chatos, pois críticos, elegantes, sofisticados, que lavam, passam e cozinham por conta própria).

Assim, de tempos em tempos, há uma renovação, um reinício de toda trajetória dos personagens, sem mudar características básicas, de modo a atrair uma geração mais jovem (e vulnerável a táticas editoriais). Não que isso seja tão ruim. A adversidade força a criatividade dos artistas, o que é sempre bom.

“Meu nome é Alan Scott, o Lanterna Verde! Sou vulnerável à lápis de madeira amarelos.”

“Meu nome é Hal Jordan, o Lanterna Verde! Sou vulnerável a… Hm. Casamento, acho.”

No caso da DC, Os Novos 52 (nos Estados Unidos são 52 revistas, daí o nome), foi uma estratégia longamente planejada e cuidadosamente executada. Ao longo de dois anos, muita propaganda, várias “splash pages”, um sutil redesign dos uniformes do personagens e pimba: foram seis meses liderança no mercado de quadrinhos.

Nada de cueca por cima da calça. A menos que ela seja de titânio.

Concorrente da DC, a Marvel recorreu a uma estratégia manjada: jogou os X-Men contra os Vingadores numa enorme porradaria. Só assim pra tirar o 1º lugar do reboot da DC.

Mas não se engane: de 5 a 10 anos no futuro, tudo isso vai ser apagado e refeito para atrair aquele seu sobrinho, primo ou filho que agora se esforça em conter a própria baba.

Anúncios

Sobre Velho Quadrinheiro

Já viu, ouviu e leu muita coisa na vida. Mas não o suficiente. Sabe muito sobre pouca coisa. É disposto a mudar de idéia se o argumento for válido.
Esse post foi publicado em Velho Quadrinheiro e marcado , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para Re-debutando velharias: Os Novos 52 no Brasil

  1. mauzanolini disse:

    Uma das coisas que eu mais gosto nos quadrinhos mainstream graúdos é essa eterna reinvenção. Tudo bem que quem dá o tom é o mercado, o que limita um pouco a criatividade do texto, mas o fato das mesmas histórias serem contadas e recontadas com abordagens diferentes, para leitores diferentes, em novos contextos, me agrada muito. Essa desconstrução periódica, essa tentativa de adequar tudo o que já foi produzido, de achar explicação pro inexplicável. O exercício de perenizar personagens que já tem quase um século de existência, tudo regado a desenhos, contornos e cores. Essa construção de uma cultura influente que hoje é global, mas que se sustenta apenas e tão somente na imaginação de artistas, escritores e leitores. É uma ode a imaginação e a fantasia (e que esta ao seu alcance por alguns poucos biro-biros…hahahahaha).

  2. vecchiodouglas disse:

    Diria mais: uma sinfonia da imaginação! Um réquiem! Uma ópera, até!

    Mas se for coisa do Liefield é tipo o Créu!

  3. Pingback: HISTÓRIAS SEM FIM (ou “Brasil: o túmulo do gekiga”) | Quadrinheiros

  4. Pingback: Universos, Multiversos e a DC | Quadrinheiros

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s