Dez momentos que os super-heróis não usaram violência (e nos fizeram melhores)

Passado o período de confrontamento obrigatório, vulgo “eleições”, trago escapismo.

Talvez você não tenha reparado, mas no caso dos jornais e portais de notícias, não existe editorial a favor e boa notícia não dá manchete. E antes que me taque pedra, não, a vitória do seu time não conta, vez que ela acentua a derrota do outro e o ciclo recomeça.

Diz o lema dos bons jornais, “a democracia morre na escuridão”. Assim, por um lado, cabe à imprensa falar o que não se quer que seja dito. Por outro, notícia precisa ser trocada por dinheiro, pois que o jornalista também tem conta pra pagar. E pouca coisa vende tão bem quanto tragédia, sexo e violência.

Sim, heróis de histórias em quadrinhos também podem se dar bem no mesmo caminho. Foi o que aconteceu nos últimos anos da década de 90 na Marvel e DC. Mas ao contrário de jornal, violência nos quadrinhos não garante sucesso. Justamente o contrário.

No rastro das religiões meditativas, reza a neurociência que existe um vínculo entre a fúria e a satisfação. A raiva acelera o coração, apura os reflexos, prepara para reagir com a força de um canhão. Sedutora, a hostilidade faz acreditar na justiça dos próprios motivos e implora por alguma atitude. Ou, nas palavras imortais do Mestre Yoda,

Cuidado com o lado sombrio. Raiva, medo, agressão; o lado sombrio da Força eles são. Fáceis de fluir, rápidos para se juntar a você numa batalha. Se você começar a trilhar o caminho do lado negro, para sempre ele irá dominar seu destino, consumi-lo irá, assim como consumiu o aprendiz de Obi-Wan.”

Às crianças, filhos, sobrinhos, alunos, aconselha-se a calma, a escuta, a empatia. Mas enquanto adultos nos jogamos naquela rinha de galo que se transformou o “debate” político nestes últimos anos, haja vista os infernais grupos de WhatsApp e timeline de Facebook.

Em breves momentos de lucidez, porém, prevalece a disposição de buscar a inspiração ao invés da condenação, a compreensão invés da submissão, a comunicação invés da agressão. E por que isso não acontece com mais frequência? Ora, isso é coisa de super-herói. Dito de outra forma, minha hipótese é: como adultos, passamos a dar mais ouvidos aos jornais do que às histórias de super-heróis.

Já que você chegou até aqui, esteja você feliz ou triste com o resultados das eleições, lembro dez momentos em que os heróis foram mais inspiradores justamente por não usarem violência.

10. Quando Clark Kent buscou o conselho do pai (Superman: O Filme, dir. Richard Donner, 1978)

9. Quando Clark Kent foi à igreja em busca de fé (O Homem de Aço, dir. Zack Snyder, 2003)

8. Quando Bruce Wayne se esforçou pra abraçar o próprio medo (Batman Begins, dir. Christopher Nolan, 2005)

7. Quando Batman mostrou que sabia exatamente como um garoto se sentia (Batman Begins, dir. Christopher Nolan, 2005)

6. Quando Tony Stark fez o melhor que pôde pra se salvar (Homem de Ferro, dir. Jon Favreau, 2008)

5. Quando o Homem-Aranha segurou um trem lotado de gente (Homem-Aranha 2, dir. Sam Raimi, 2002)

4. Quando Charles Xavier ensinou pro Magneto o segredo para usar seus poderes (X-Men – Primeira Classe, dir. Matthew Vaughn, 2011)

3. Quando Steve Rogers se recusou a lutar com seu amigo Bucky Barnes (Capitão América 2 – O Soldado Invernal, 2014)

2. Quando o Pantera Negra assiste o pôr do sol ao lado de Killmonger (Pantera Negra, dir. Ryan Coogler, 2018)

1. Quando a Mulher-Maravilha cruzou a terra de ninguém (Mulher-Maravilha, dir. Patty Jenkins, 2017)

Note-se nesta sequência, embora esteja mergulhada no oceano de violência da guerra, a Mulher-Maravilha não machuca nenhum soldado sequer. Além de se defender dos tiros, a única coisa que faz é destruir a metralhadora.

Digam o que quiserem, o mundo precisa de mais heróis.

Sobre Velho Quadrinheiro

Já viu, ouviu e leu muita coisa na vida. Mas não o suficiente. Sabe muito sobre pouca coisa. É disposto a mudar de idéia se o argumento for válido.
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