Lady Oscar, uma rosa de Versalhes (Berusaiyu no Bara – 1972)

Uma Rosa no campo de batalha.

“Rosa de Versalhes” ou “Lady Oscar”, como é traduzido “Berusaiyu no Bara” no Brasil, conta a história de uma menina que foi designada por seu pai a ser educada para ser um menino e servir à guarda real da França, assim como ele serviu.

Oscar François de Jarjayes, nome que recebeu de seu pai, aceita seu destino e treina técnicas de combate, esgrima e equitação com o servo da sua família e melhor amigo, André Grandier, se tornando um verdadeiro cavaleiro. Mas para entrar na guarda real francesa, Oscar, enfrenta o mundo masculino e machista dos soldados, generais e capitães e mesmo da sociedade. No entanto, com sua perseverança e habilidades consegue se inserir respeitosamente na guarda real do rei Luís XVI, sendo a leal guarda da rainha Maria Antonieta.

No início da história o enredo é entorno das novas mudanças no reino francês. Começa com o casamento do rei Luís XVI com a princesa da Áustria, Maria Antonieta. A adaptação da princesa austríaca com os costumes do país, mas principalmente com sua aceitação na corte. Nesse mesmo período, Oscar confronta a guarda real para mostrar que mesmo sendo mulher é capaz de se tornar um soldado e seguir os passos do pai.

Num segundo momento, Maria Antonieta se apaixona pelo conde sueco Axel von Fersen e sua fama na corte começa a decair, seus luxos exuberantes não são bem vistos pelo povo que começa a se rebelar e, ao mesmo tempo, a personalidade de Oscar entra em conflito com sua posição como guarda real e sua feminilidade, pois ela também se apaixona pelo conde sueco e, pela primeira vez se veste como mulher para mostrar aos outros que, mesmo sendo um general real, ainda é uma mulher. Porém, a não correspondência a faz se tornar um soldado forte e firme, mas agora sem esconder sua feminilidade.

A terceira e última trama, talvez a mais importante, é a Revolução Francesa. No momento anterior, Maria Antonieta não tem boa fama nem na corte e nem com o povo, a revolta se dá também entre alguns soldados da guarda real. Mesmo André, amigo de Oscar, se junta ao povo na luta pela tomada da Bastilha. Oscar, agora capitã da guarda real, faz um juramento para proteger o rei e a rainha, mas fica dividida entre apoiar a população em sua revolta e sua honra como guarda real. Porém, seu amor por André acaba vencendo sua batalha interna.

Lady Oscar, ou Rosa de Versalhes, é uma revolução não apenas francesa, mas da posição feminina em um posto tão alto, rompendo com a ideologia da representação da mulher como uma princesa que precisa ser salva por um cavaleiro. O mangá foi lançado em 1972, período em que as mulheres reivindicam direitos iguais aos dos homens, principalmente no Japão, país ainda considerado machista, pois uma mangaká mulher, Riyoko Ikeda, colocou a protagonista sendo respeitada por todos os demais personagens, inclusive o rei e a rainha, representando assim uma libertação feminina. A posição da personagem Oscar como general ou capitã, fez com que as japonesas percebessem que ela poderiam ser independentes, autônomas e respeitadas.

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O mangá fez tanto sucesso que em 1979 foi adaptado para animê e contou com um longa metragem em co-produção com a França pelo diretor Jacques Demy e em 1987.

Porém, o mais interessante e, talvez a mais importante inspiração do mangá para outras linhas culturais artísticas, seja a representação da Rosa de Versalhes no musical produzido pela companhia de dança Takarazuka Revue Company. Essa companhia tem como elenco somente mulheres e por esse motivo parece existir uma conexão bastante significativa com o mangá Rosa de Versalhes, já que, as mulheres da companhia interpretam personagens masculinos.

No entanto, estas produções existem e fazem sucesso, graças a autora Riyoko Ikeda. Pertencente a geração 24 (24 nen gumi), por ter nascido no ano 24 da Era Shôwa (1949 –), Ikeda é referência para mangás no estilo shôjo. Com a história de Rosa de Versalhes, Riyoko Ikeda, em 2008, recebeu a Ordem Nacional da Legião de Honra da França por sua contribuição para a consciência cultural Japão-França e foi convidada para o Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, em 2011.

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Com Rosa de Versalhes, a autora conseguiu deixar uma rosa forte e determinada na história do mangá como representação de uma mulher com alto posto militar e social, não frágil, mas firme, destemida e íntegra!

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2 respostas para Lady Oscar, uma rosa de Versalhes (Berusaiyu no Bara – 1972)

  1. Excelente matéria. Como curiosidade, vale citar que Ryoko Ikeda após ganhar a cidadania francesa honorária,casou-se com um cidadão francês,tornou-se cantora lírica e abandonou os mangás.

  2. Pingback: Traços femininos nos shôjo mangás | Quadrinheiros

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