A Marca do Gavião Arqueiro: como fazer mais do mesmo de forma inédita

1350618174469466403Você já conhece a marca Gavião Arqueiro?

 

 

 

Gavião Arqueiro é um daqueles quadrinhos que te fazem parar e pensar como essa mídia pode ir além do que já vimos. O enredo não é revolucionário nem possui uma trama complexa, ela apenas é muito bem contada, possui um desenvolvimento interessante da mídia quadrinhos e é isso que a torna tão especial. Matt Fraction e David Aja desenvolveram um estilo narrativo, uma estética e uma marca em Gavião Arqueiro que se tornaram um dos quadrinhos de maior qualidade dentro da casa das ideias.

Clint?

Clint?

A premissa da história é simples: o que faz Clint Barton quando não está sendo um Vingador? A história tem como palco o entorno do prédio onde o herói mora, local em que uma gangue tenta expulsar os moradores. Cabe ao Gavião Arqueiro defender aquelas pessoas. A história traz um Clint humano, cometendo erros, improvisando e sempre perseverando. Coadjuvantes bem desenvolvidos e acontecimentos sempre interligados, no fim, calham em uma trama toda amarrada e bem explicada.

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A despeito do enredo simples, as inventividades gráficas dessa história são o que a tornam um dos principais destaques da Marvel ao buscar se reinventar (Marvel Now, All-New Marvel, etc). Neste sentido, grandes títulos surgiram, entre eles, por exemplo, o Demolidor por Mark Waid, o Cavaleiro da Lua por Warren Ellis e Thor por Jason Aaron.

Ponto em comum entre todas essas séries (Incluindo Gavião Arqueiro) é a leveza das histórias. Não se propõem a ser “sombrias”, “realistas” ou “assustadoras”. O próprio Demolidor, personagem com histórias marcadas pela “sobriedade” dos enredos, foi completamente transformado nas mãos de Waid, que criou uma narrativa fluída em tons otimistas e lúdicas.

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Quem já imaginou ver o Demolidor feliz?

Então como se destacar em meio a tantas histórias com um clima parecido? Fraction e Aja escolheram um caminho desafiador. Eles não tentaram chamar atenção assassinando personagens ou mudando completamente o status quo do universo sobre o qual operavam, recursos frequentes para se cativar o leitor e a crítica. Ao invés disso, apenas se preocuparam em contar sua história utilizando recursos gráficos e narrativos criados e circunscritos para esta história, no mesmo título. Um exercício de “auto-contenção”.

A história sempre se desenvolve de maneira muito direta, eventos bem organizados e facilmente compreendidos. Não pense, porém, que a HQ possui um roteiro simples e fácil de ser concebido, muito pelo contrário. Os artistas desenvolveram uma estética facilmente identificável para qualquer leitor, desfrutando de possibilidades que apenas os quadrinhos podem oferecer. Algumas edições de Gavião Arqueiro se valem da singularidade dos quadrinhos para narrar a história de forma única, como por exemplo a décima primeira, que é narrada pela visão do cachorro de Barton. Utilizando poucos balões e muitas imagens, o recurso, de uma inventividade refinada, indica como o cachorro estava pensando ou percebendo a situação, levando o leitor a “participar” da narrativa ao preencher as lacunas com a própria percepção do que está sendo narrado.

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Embora marcada por leveza, a narrativa possui um desenvolvimento excepcional dos personagens, coadjuvantes ou não, ao exemplo do cão de Clint Barton ou Kate Bishop, a Gaviã Arqueira. Matt Fraction conseguiu desenvolver a personagem de forma tão interessante quanto o protagonista do título, uma heroína dotada de uma personalidade bem demarcada, um humor rápido e faceiro exposto em passagens engenhosas, como a própria personagem. Além utilizar com destreza os recursos da nona arte, essa HQ constrói um roteiro límpido, atraente para todo tipo de leitor, uma excelente porta de entrada para quem deseja adentrar o mundo dos quadrinhos.

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Com uma premissa simples, clima descontraído e um estilo narrativo bastante particular, Gavião Arqueiro se destaca como um dos melhores títulos da Marvel nos últimos anos. Matt Fraction e David Aja criaram uma marca dentro da editora e deixam a sua própria dentro dos quadrinhos de super-heróis. Uma HQ que acerta em cheio e traz uma nova experiência para os leitores de gibis de heróis.

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Sobre John Holland

Procurando significados em páginas de gibi enquanto viaja pelos trilhos do conhecimento e do metrô. Sempre disposto a discutir ideias e propagar os quadrinhos como forma de estudo, adora principalmente a Vertigo, está sempre disposto a conhecer novos quadrinhos e aprender o máximo de coisas possível!
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