Os melhores quadrinhos de Moore e Morrison

moore-morrison1Uma lista pessoal de alguns dos Quadrinheiros com as melhores histórias dessa dupla que se odeia e nós amamos.

Sidekick

V de Vingança (Moore)

Uma das principais obras do autor. As provocações políticas, por si só, já rendem um imenso caldo cultural para muitos e muitos debates, mas o modo como ele constrói os personagens e seus conflitos, mostra como ele não apenas é inventivo como domina as estruturas com as quais ele trabalha. A sua capacidade narrativa e icônica se comprova no fato de que a máscara do V é, hoje em dia, sinônimo de revolta e de busca por liberdade. São poucos os artistas que conseguem atingir tamanho simbolismo. Se é notório sua dureza ao escravizar o traço do desenhista, podemos ler como uma idiossincrasia quase digna de tratamento clínico. Mas nós resta a dúvida se isso seria ou não um imperativo para a excelência.

v for vendetta

Asilo Arkham (Morrison)

Mais do que as diferentes viagens que o autor já faz em outras obras, escolhi essa história por ela ser uma releitura de cânones dos quadrinhos. Tratar com a distorção que ele realiza nos personagens é algo único. Cada vilão acaba se tornando não apenas um nêmesis, mas sim uma ideia e um conceito a ser superado ou trabalhado. Não é a opus magnus do autor, mas foi com ela que conheci e compreendi a que o autor se propõe. Seu uso da linguagem como um veículo de suas magias e pensamentos é marcante, e são trabalhos com desenhistas como Dave McKean que mostram sua capacidade que supera a de um roteirista quadrinistas, sendo ele um editor. Conheça-a aqui. 

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John Rolland

Promethea (Moore)

A narrativa de Promethea é algo surpreendente. Aqui Moore nos mostrou um pouco do que crê ser magia, utilizando um quadrinho que em diversos momentos tenta ser diferente em sua construção. Utilizando grandes painéis e uma formação de quadros bastante peculiar, Alan Moore (aliado a J.H Wiliams III) consegue realmente passar uma sensação diferente e inovadora com a história, organizando bem as ideias e explicando de uma forma muito didática sua concepção do que é ser um xamã. Vemos um título denso, porém leve de se ler, que permite diversas camadas de interpretação, assim como diversas outras obras do autor. Mais sobre a obra no vídeo abaixo.

Patrulha do Destino (Morrison)

Uma gama de leitores costuma reclamar de como as histórias de Morrison são confusas e ou desconexas. Em Patrulha do Destino temos um jovem Grant Morrison que procura trabalhar diversos conceitos de séries futuras como Os Invisíveis de forma mais simples e organizada. Indo de assuntos como memética até questões sociais, entre diversos outros, em cada história ele procura nos apresentar um conceito. Ali podemos observar cada ideia complexa tratada pelo autor, porém de forma organizada e com histórias dignas da insana e divertida Patrulha do Destino.

Goes Murdock

Do Inferno (Moore)

Alan Moore não poupa energias estando em serviço. Fantástico observar a riqueza de conhecimento que Do Inferno nos proporciona. O empenho de anos de pesquisa nesta formidável HQ resultou entre outras coisas na revelação do autor como um mago. Mais do que uma história sobre um assassino serial, Do Inferno é uma exploração da psique humana, onde desbravamos no decorrer da narrativa as grandiosidades e monstruosidades que a mente é capaz de proporcionar. Moore não estava interessado em revelar quem foi o “Jack O Estripador”, o que importava era adentrar a psicologia do assassino, buscando encontrar suas possíveis motivações, suas esperanças e devaneios e cruzá-las com o inconsciente místico da clássica Londres do século XIX.

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Os Invisíveis (Morrison)

Em Os Invisíveis ficção e realidade passam a ser a mesma coisa e isto é simplesmente fenomenal! Ler essa obra magnífica é como entrar em uma outra dimensão, e descobrir a existência um mundo de ideias ainda inexplorado. Grant Morrison utiliza o máximo do formato dos quadrinhos para apresentar as ideias que sempre percorreram sua vida e ainda assim transcender a linguagem das HQs. As empolgantes e muitas vezes estranhas aventuras de nossos anarco-terroristas proporcionam experiências únicas e aprendizados que jamais poderíamos encontrar em outro lugar. Há uma guerra invisível ocorrendo neste momento. De que lado você está?

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Nerdbully

A Piada Mortal (Moore)

Como um grande fã do Batman acho que nenhuma hq conseguiu definir melhor a relação entre o Batman e seu arqui-inimigo, embora muitos outros tenham tentado, creio que essa versão é a melhor. Curiosamente, Morrison ousou uma interpretação herética dessa obra, conheça-a aqui. Dissecamos a obra no vídeo abaixo:

 

7 Soldados da Vitória (Morrison)

Há muito tempo atrás estava comentando com um amigo sobre algumas das melhores histórias que tinha lido e ele curiosamente notou que eram do Grant Morrison, fato que tinha me passado despercebido e disse “Você devia ler Os Sete Soldados da Vitória”.

Ali estão duas das características do Morrison que mais aprecio: sua capacidade em revitalizar/reordenar/organizar personagens que passaram por muitos escritores num todo coerente reconhecendo as contribuições de autores passados ao mesmo tempo em que deixa sua marca, além de contar uma história num mosaico temporal que pode ser lida de várias formas e ordens, um pouco como O Jogo de Amerelinha, de Cortázar.

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E para você, qual a melhor obra de cada um?

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Sobre Nerdbully

Mestre do Zen Nerdismo.
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4 respostas para Os melhores quadrinhos de Moore e Morrison

  1. Erick Artmann disse:

    parabéns pela matéria! Pra mim, se considerarmos as 42 histórias escritas por Alan Moore com o Swamp Thing (Monstro do Pântano aqui no Brasil) como uma única obra, é a minha preferida. Se considerarmos as HQ separadamente, teria q parar pra pensar e escolher uma delas, se bem que V de Vingança também marcou muito minha adoslescência, ao contrário da maioria dos quadrinerds da minha geração q idolatraram Watchmen. Conheço pouco da obra de Morrison, e sempre considerei Gaiman como o outro cara,num nivel muito próximo de Alan (se bem q foi praticamante o sucessor dele em tudo nos anos 80, desde Miracleman até o universo Vertigo, do qual Alan foi o precursor. A propósito, faltou aí o Miracleman, leitura mais interessante do que watchmen para mim. Vou procurar ler mais coisas do Morrison.
    para o alto e avante!

  2. gladsonpendragon disse:

    Discordo daqueles que endeusam Moore. Tenho como obra preferida dele Monstro do Pântano, e admiro seu trabalho com Miracleman, mas é difícil avaliar quanto ela foi relevante para os quadrinhos, visto que tardou em chegar ao Brasil. Piada Mortal é uma piada de mau gosto em termos de história de heróis (apesar de ter meu herói preferido, Batman), e também não gosto de Watchmen, que fez mais mal que bem aos quadrinhos de heróis. Considero V de Vingança e Monstro do Pântano suas obras primas, e fica evidente o cansaço e a falta de motivação do bruxo ao escrever em anos recentes. Quanto ao Morrison, ele é muito bom, uma enciclopédia de conhecimento sobre as mitologias dos quadrinhos, mas muitas vezes escreve de forma hermética. Colocaria ao lado deles Gaiman e Warren Ellis como os melhores de todos os tempos. Mas Gaiman um degrau acima de todos esses.

  3. Pingback: DE MAURÍCIO A MOORE (E TAMBÉM A MORRISSON, MÖEBIUS, GAIMAN…) – UMA HISTÓRIA DE AMOR PELOS QUADRINHOS | habeas mentem

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