Por que um vilão faz o que faz?

Darth Vader, Magneto, Coringa, Shadow Moon são os nomes de alguns vilões que despertam no público tanto ou mais interesse que os heróis que os combatem. E, junto com esse interesse, vem atrelada uma pergunta: por que eles fazem o que fazem?

Uma resposta a essa pergunta foi dada aqui pelo Velho Quadrinheiro, mas a questão veio à tona novamente ao reler Magneto: Testamento e ler o recentemente publicado por aqui, na iminência da estreia do Capitão América 2, Caveira Vermelha: Encarnado, ambos escritos por Greg Pak.

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Em Magneto vemos a história de um garoto judeu em um campo de concentração. Em nenhum momento notamos que aquele garoto é ou poderia ser o futuro nêmesis dos X-Men. Ele poderia ser qualquer um. O mesmo vale para o jovem nazista que acompanhamos em Caveira Vermelha: em nenhum momento podemos notar que ele seria o arqui-inimigo do Capitão América. O que isso quer dizer?

Que qualquer judeu ou nazista naquelas circunstâncias poderiam ter se tornado os vilões que conhecemos? Que qualquer um que passe por uma mesma experiência toma,necessariamente, a mesma decisão?

Mas obviamente se poderia argumentar que nem todos teriam os meios para se tornar um vilão. Nem todo judeu é um mutante nível alfa mestre do magnetismo, nem todo nazista tomou o soro do supersoldado. Então, o que faz um vilão se tornar um vilão é o poder que detém? Qualquer um com o poder e meios para sê-lo necessariamente se tornaria um vilão?

Sabemos que não, caso contrário não haveria heróis. E isso remete à célebre HQ de Alan Moore, A Piada Mortal. Um dos pontos de Moore na HQ é justamente dizer que tanto o Batman quanto o Coringa passaram por experiências traumáticas que os tornaram o que são. E que a linha que separa um do outro é muito mais tênue do que se imagina.

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Então ser um vilão é uma decisão pessoal? Há um filme obscuro, já cult, chamado Dark City. Nele, um grupo alienígenas faz experiências com humanos: todos os dias eles injetam memórias de pessoas diferentes em pessoas diferentes e analisam o comportamento das cobaias. Com que objetivo? Saber se com as mesmas memórias e sob uma mesma situação pessoas diferentes tomariam as mesmas decisões. A resposta a essa pergunta é a mesma que nos permite saber o que torna um vilão um vilão.

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Se as pessoas tomam a mesma decisão com as mesmas experiências tudo é determinado pela experiência. Caso contrário temos algo além, algo como uma natureza intrínseca a cada indivíduo que está além do empírico, algo metafísico, algo mesmo como uma alma e também um princípio que determinaria o Bem e o Mal. Peguemos o Coringa nos recentes filmes do Batman. Nele não nos é fornecido nenhuma informação sobre o passado do Coringa, ele apenas surge em Gotham como uma força do Caos. Pouco importa as circunstâncias que liberaram tal força.

Então, podemos ter três explicações genéricas e que frequentemente se misturam nas narrativas:

1) vilões fazem o que fazem porque suas experiências o fizeram daquela forma.

2) vilões fazem o que fazem porque podem.

3) vilões fazem o que fazem porque concretizam um princípio que vai além de sua mera existência.

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O fato é que não há herói sem vilão e nem vilão sem herói. É inevitável, ainda veremos muitas origens e explicações para esses personagens que amamos odiar.

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Sobre Nerdbully

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8 respostas para Por que um vilão faz o que faz?

  1. Conversa com Comics disse:

    Bom post.

  2. Luiz André disse:

    Creio que faltou observar um motivo sobre o que faz um vilão ser um vilão: eles querem e tem o desejo de cometer atos que infringem a lei, seja por egoísmo, mera demonstração de poder ou algum outro motivo menos altruísta e nem um pouco nobre. Geralmente, quando se escreve a história de origem de um vilão, espera-se que uma motivação para não seguir o caminho do bem venha de uma situação traumática que resultaria em uma vingança particular ou um desejo de sobrepujar todos aqueles que estão em sua frente justifique suas ações de certa forma e possa, em um futuro próximo ou não, conceder uma espécie de redenção a este vilão – mesmo que a duras penas e sob a vista grossa dos heróis.

  3. Sr. N disse:

    Luiz, a lei é um conceito altamene relativo. Crime e Castigo talvez tenha a melhor discussão sobre isso fora de Foucault. A lei é fruto de uma sociedade, de homens. Para ficar no exemplo citado, o campo de concentração onde Eric ficou era perfeitamente legal dentro da normatização juríica da Alemanha nazista.
    Acho que o que você quer mencionar é bem, não lei, e aí temos algo ainda mais conplicado, porque enqanto para lei já temos uma definição clara, para em não.

    • Hique disse:

      Um vilão alienígena cuja cultura estabelece que os mais poderosos devem subjugar os mais fracos é um vilão?

      Talvez para os nossos olhos sim, mas para ele não.

  4. Pingback: UM HOMEM CHAMADO MAGNETO: Uma breve provocação sobre o ciclo de perdição e redenção | Quadrinheiros

  5. Olavo Lima disse:

    cada dia mais nos quadrinhos atuais as linhas entre heróis ou anti heróis e vilões são bem tênues,me lembra muito reino do amanhã que discute muito sobre isso

    • Sr. N disse:

      Mas não é exaramente assim?
      O que define igualmente os heróis e os vilões? O uso da força. E ridiculamente raro encontrar heróis que não sejam principalmente força e imposição de sua votnade sobre o outro. Uma rápida pesquisam ental só consegue levantar o Homem-Animal do Morrison.

  6. Pingback: 5 vilões e o princípio do antagonismo | Quadrinheiros

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