10 séries que não precisavam virar live-action

Alguns limites não devem ser cruzados.

Tal qual mil autores que nunca viram obras publicadas, aqui se faz montes de rascunhos em guardanapos de boteco, anotação em rodapé de livro e email não enviado. Ideias desgarradas que podem virar post de blog quando a circunstância se faz presente. No caso, essa foi anotada como postulado: alguns quadrinhos, ou algumas animações, não deviam virar live-action.

A notícia de um spin off de The Boys tocou o acorde desse mandamento. Ao que se informa, tratar-se-á de histórias sobre a versão dos Jovens Titãs no universo da obra original criada por Garth Ennis.  Não surpreende muito. Com a estreia da 2ª temporada de The Boys, a série da Amazon Prime cravou espaço como “crítica à hegemonia dos heróis da Marvel e DC”, seja nos quadrinhos ou cinema. Claro, crítica só pra desavisado, vez que mais serve pra arrematar a supremacia dos heróis na cultura de massa. Assista nosso vídeo sobre o assunto!

Dissemos por aí (compre djá!), lá na Era de Ouro, os quadrinhos nasceram como arte baratinha, na rebarba de crise de 1929. Humildona, não usava cartola nem monóculo, embora já fosse engajada e recheada de opinião, igual hoje. Há quem diga, quadrinhos nasceram como arte marginal, e na margem encontrou seu público, que cresceu e a trouxe ao centro do palco.

Esse movimento, invés de linear, mais tem cara de uma espiral da consciência coletiva. Longa e contínua no tempo, essa espiral se ampliou na medida da expansão dos meios de comunicação. Dos quadrinhos ao rádio, do rádio à TV, da TV ao cinema, do cinema ao streaming, atravessados por incontáveis animações. Ao cruzar esses limites, os personagens de aumentam seu público e se tornam uma commodity, um bem mais ou menos valioso conforme a demanda, igual ovo de codorna, chinelo Havaiana ou viagem pra Paris, inviável antes da chegada da vacina.

Muitas vezes a migração de mídia enriquece o formato original nos quadrinhos. Por exemplo, não haveria kryptonita sem os programas de rádio do Superman, nem teria surgido a Arlequina sem a animação de 1992, ou a versão dos X-Men pelas mãos de Grant Morrison e Frank Quitely sem os filmes de Bryan Singer.

Mas há aqueles exemplos que, ao ultrapassar o formato original, ganharam versões que pouco acrescentaram aos personagens. Ou pior, subtraíram a consistência de elementos que os tornavam favoritos de uma bordoada de fãs.

Financeiramente até pode dar certo, gera renda e sucesso de público, mas aliena o fã que antes queria acompanhar uma versão em live action daquele quadrinho pelo qual tinha carinho.

Assim, pra aplicar o postulado, indico X exemplos, selecionados com o rigor de um domingo a tarde e justificativas herméticas como uma colherada de sorvete. Ao final, convido a deixar nos comentários sugestões para composição dos demais mandamentos para futuras digressões.

(vale a regra de ouro: antes de postar uma mensagem, repita em voz alta e pense o no que sua mãe diria pra você)

 

Teen Titans

A princípio, o live action parece uma boa ideia. Mas que bem trouxe pros personagens ou pros quadrinhos? Ademais, salvo uma ou outra exceção, já vimos cosplays muito melhores do que o que foi mostrado na série.

 

Agents of SHIELD

Além de vir à tona num emaranhado corporativo, a série sofreu também por ter uma fração do orçamento que qualquer filme da Marvel. Ainda assim, bastava consultar as edições de Nick Fury: Agent of Shield de Jim Steranko pra narrar dois ou ou três arcos de histórias sobre superespiões no universo da Marvel. Enfim, agora quem sabe vai.

 

Preacher

Cassidy sem ser exatamente o Cassidy, uma Tulip que não é exatamente a Tulip, e um Jesse Custer topetudo, quase genérico, ora melhor ficar só com os quadrinhos, não?

 

Punho de Ferro

Há quem diga que o maior problema da série foi o teor de “apropriação cultural” presente na série. Discordo. Os enredos eram canhestros e os atores pareciam saber que ali não havia futuro.

 

Inhumans

Mesmo nos quadrinhos os Inumanos são meio que a 4a divisão dos heróis. A tentativa em live-action consegue ser pior.

 

Krypton

Que lacuna narrativa precisa ser preenchida para qualquer um entender que Krypton foi um ápice de civilização, destruída por conta da própria arrogância? Por que não dar outro nome para a série? Por que não criar uma obra original? Por que não fazer uma série do próprio Superman? Ok, essa tá quase saindo. Mas depois reclamam que nerd é rabugento.

 

Pennyworth

Similar a Krypton, que necessidade há em narrar a história da juventude mordomo/pai/mãe do Batman? Sabe o que valeria muito mais a pena? Uma série do Batman com um ou dois episódios sobre Alfred.

 

Riverdale

Ok, os quadrinhos do Archie não são muito conhecidos no Brasil. Tem gente que nem sabia que Riverdale é uma adaptação daqueles quadrinhos. Mas não é tão difícil reconhecer que a série está bem longe do material original. Eu tentei, mas não consegui assistir mais do que dois episódios. Claramente é um caso em que não faço parte do público-alvo.

 

Swamp Thing

Quando saíram as primeiras notícias sobre a produção, a ideia foi muy bien vinda. Claramente faltam boas adaptações de obras clássicas de Alan Moore. As aventuras do Monstro do Pântano caem como uma luva numa mídia episódica. Mas o que aconteceu ali? Ok, não era uma obra-prima, nem tão ruim, mas poderia ter um tratamento mais atencioso.

Sobre Velho Quadrinheiro

Já viu, ouviu e leu muita coisa na vida. Mas não o suficiente. Sabe muito sobre pouca coisa. É disposto a mudar de idéia se o argumento for válido.
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2 respostas para 10 séries que não precisavam virar live-action

  1. Bem, adorei Teen Titans e Inumanos live action. As demais não vi ou não conheci.

    A partir daí hj viciei em Teen Titans desenho animado, que nunca tinha visto antes. Pra mim, q mal conheço DC, foi uma ótima apresentação. E eu depois apenas conhecendo as versões desenho animado, achei perfeitas as adaptações live action. Sombrias e séries versões das versões bizarras pastelão da nova série Teen Titans Go. Queria tbn achar a Teen Titans animada sem o Go pra ser menos pastelão rs.

    Inumanos certamente na Marvel, que conheci muito mais, sempre foram bem secundários, e achei lindo demais fazerem esse destaque todo da história desses personagens. Foi surpreendente e positivo ora mim, bem emotivo, ver Dentinho, a menina Cristal amiga do cachorro gigante, Medusa, Raio Negro, a dupla super inteligente + fortao, q tão periféricos, foram bem desenvolvidos na tela com atores.

    Estou ansioso pela continuidade das duas séries.

  2. Bononi disse:

    Preacher nem precisou ser igual os quadrinhos. Conseguiu caminhar com seus méritos. A série foi bem construída. Aquele Jesus retardado é impagável!!

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