A Invasão Ghibli na Netflix: o guia definitivo (Parte 2)

Studio-Ghibli_Tonari no Totoro

E a invasão continua!

Nesta segunda leva de exibição dos filmes do Studio Ghibli na Netflix (que foram disponbilizados ontem, dia 1/03/2020) nos será apresentado alguns dos maiores sucessos do estúdio no ocidente, como por exemplo Nausicaa do Vale do Vento, A Princesa Kaguya, A Viagem de Chihiro e Princesa Mononoke. No entanto, as animações Meus Vizinhos – os Yamadas, O Reino dos Gatos e, O Mundo dos Pequeninos, mesmo não muito conhecidos no ocidente, fizeram sucesso no Japão.

(Para as animações que foram disponibilizadas em fevereiro, clique aqui)

(Para as animações que foram disponbilizadas em abril, clique aqui).

 

Nausicaä do Vale dos Ventos (1984): foi o segundo longa-metragem de Hayao Miyazaki. O primeiro sendo Lupin III: Castelo de Cagliostro (1979), produzido pelo estúdio Tokyo Movie Shinsha, enquanto Nausicaä do Vale dos Ventos foi produzida pela Topcraft. Logo após o sucesso dessa animação, Hayao Miyazaki e Isao Takahata fundaram o Studio Ghibli. Teoricamente, Nausicaä não faz parte das produções do Studio Ghibli, porém é considerado pelos fãs, já que foi o início para a criação desse conceituado estúdio de animação japonesa. Nausicaä é baseado no mangá de Miyazaki, publicado dois anos antes do lançamento do filme e concluído 20 anos depois. Miyazaki comenta que Nausicaä não é uma personagem principal que tem apenas como objetivo enfrentar os inimigos, e sim, uma personagem que compreende ou aceita o destino. Assim como em diversos filmes de Miyazaki, o conflito entre a evolução humana e a natureza, se iniciam neste filme. Por curiosidade, o nome Nausicaä, foi baseado no livro de Homero, Odisséia.

 

A Princesa Kaguya (2013): este foi o último filme dirigido por Isao Takahata, que faleceu em abril de 2018. Esta animação é baseada no conto folclórico japonês O Conto do Cortador de Bambu. Além de ser uma adaptação de um conto que explora a simplicidade e a ganância, a alegria e a angústia, a animação encanta qualquer espectador. A forma que Takahata trabalha seus filmes artisticamente parecem ser simples, mas carregam um conteúdo artístico sutil e singelo. Vemos os traços em movimentos expressando o artista. O diretor parece utilizar materiais não convencionais para a animação, como por exemplo, o carvão. O que importa não é o desenho, e sim, a expressividade dada pelos traços para demonstrar o sentimento da personagem.

 

A Viagem de Chihiro (2001): esta animação dirigida por Hayao Miayzaki foi mais reconhecida pelos grandes festivais de cinema e animação do mundo. Em 2003, foi o ganhador do Oscar e o Urso de Outro de Berlim, além de tantos outros prêmios. Esta animação levou os demais filmes do Studio Ghibli para o ocidente. A história é sobre o mundo dos deuses japoneses, lugar que Chihiro (de apenas 10 anos de idade) e seus pais acabam se perdendo, porém a curiosidade dos adultos os levam a uma transformação animalesca em porcos ao comerem uma oferenda dos deuses, e Chihiro precisa trabalhar em um onsen (casa de banho) para que possa salvar seus pais. Neste filme, podemos encontrar nitidamente a ganância tentando conquistar os adultos e a inocência salvando e protegendo esses seres. Vemos diversas simbologias, mas uma que é interessante observar é a relação do ocidente com o oriente, Zeniba e Yubaaba, duas bruxas gêmeas com características diferentes.

 

Princesa Mononoke (1997): filme dirigido por Hayao Miyazaki. Na época foi a animação japonesa com maior custo de produção e com maior bilheteria no Japão – ultrapassando até mesmo Titanic (1997). Em uma entrevista de Miyazaki com Akira Kurosawa, ele comenta querer produzir uma animação em que se passa no período Muromachi (1336 – 1573), por influência do filme Os Sete Samurais (1954), de Kurosawa, que seria essa animação. Novamente encontramos o conflito do desenvolvimento da civilização humana com a natureza, porém, se prestarmos atenção, veremos que neste filme, não existe um vilão especificamente, pois um lado tenta ajudar os excluídos e dar uma vida melhor para eles, e o outro o retorno da vida dos espíritos da floresta.

 

Meus Vizinhos – os Yamadas (1999): filme dirigido por Isao Takahata, conta a vida cotidiana de uma família japonesa. Este filme traz referências da cultura japonesa como os mangás, as músicas enka (músicas tradicionais), as comidas comuns no dia a dia etc. Assim como em A Princesa Kaguya (2013), a arte dessa animação é belíssima. Tem momentos em que o cenário, ou mesmo os personagens somem e logo retornam, dando mais simplicidade à vida dessa família, os Yamada. Podemos, também, encontrar algumas atitudes e diálogos que ultrapassam a cultura japonesa e tornam-se universais.

 

O Reino dos Gatos (2002): filme dirigido e desenhado por Hiroyuki Morita. Esta animação se relaciona com o filme Sussurros do Coração (1995), em que a personagem principal, Shizuku, escreve a história de um gato chamado Barão. Morita fez todos os desenhos do storyboard e apresentou à Hayao Miyazaki e Toshio Suzuki, que deram permissão para seguir com o filme como longa-metragem. A história é baseada numa menina, Haru, que salva um gato de ser atropelado, porém ela não sabia que ele pertencia à realeza do reino dos gatos e teria que ser casar com ele, mas ela encontra Barão que a ajuda a voltar para casa. A postura e gentileza de Barão é a mesma de em Sussurros do Coração, como se O Reino dos Gatos fosse uma continuação das incríveis histórias e aventuras de Barão.

 

O Mundo do Pequeninos (2010): filme dirigido por Hiromasa Yonebayashi, baseado no livro de Kathleen Mary Norton (1903 – 1992), The Borrowers, com roteiro de Hayao Miyazaki e Keiko Niwa. A história se passa numa casa habitada pessoas bem pequeninas, mas não podem ser vistos, porém, Arriety, (uma dessas pessoas) é vista por um menino, que devido a uma doença, repousa lá. Amizade e confiança começam a crescer entre os dois. Curiosamente, a música tema dessa animação foi produzida e interpretada pela artista francesa Cécile Corbel, tanto em francês, quanto em japonês, alemão, italiano e inglês.

 

Agora podemos nos encantar com mais sete filmes do Studio Ghibli! Em abril teremos a terceira parte desse guia, que comentará a última leva de animações a serem disponibilizadas na Netflix (Pom Poko: A Grande Batalha dos Guaxinins, Sussurros do Coração,O Castelo Animado, Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar,Da Colina Kokuriko, Vidas ao Vento e As Memórias de Marnie).

Sobre Mochi

Atingiu o estado de Olhos Grandes nas ilhas do Oriente Silencioso.
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2 respostas para A Invasão Ghibli na Netflix: o guia definitivo (Parte 2)

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