Scott McCloud e Alan Moore: o valor da arte

Até onde você iria pela sua arte?

 

 

 

 

A obra O Escultor de Scott McCloud (mais conhecido por seu trabalho teórico sobre quadrinhos) aborda a dificuldade de se expressar e de ser reconhecido no meio artístico, questionando qual o preço que o artista paga pela própria arte e sua relevância no mundo.

A história inicia com o jovem David Smith, que não possui muitas pessoas próximas nem família, e deseja a todo custo fazer sucesso com suas esculturas, a vontade do artista é tanta que ele realiza um contrato com a Morte. O contrato dá ao protagonista a habilidade de manipular qualquer material com as mãos nuas, porém em troca ele terá apenas 200 dias de vida. Com tal habilidade ele pode trazer à tona suas ideias da forma que sempre sonhou, e isso parece ser suficiente para o personagem, pois não possui grandes apegos emocionais nem muitos amigos, a oportunidade de deixar sua marca é tão importante que sua criação lhe trará a satisfação necessária para a passagem dele na terra.

Muitas pessoas já entregaram suas vidas a arte, não de forma literal como David, porém o mundo já exigiu muito de muitas pessoas. Como por exemplo, Pete Townshend que perdeu parte de sua audição pelos shows do The Who, a banda inclusive já contou com o recorde de show mais barulhento da história e toda a pose e som fizeram parte da mensagem e da marca que a banda deixou no mundo.

Na indústria de quadrinhos já vimos artistas brigando por sua arte e suas criações, seja por direitos autorais, para terem o devido reconhecimento de seus personagens ou até mesmo para que suas histórias sejam mantidas conforme imaginaram. Alan Moore já deve estar cansado de figurar em artigos e textos sobre briga por conta de suas histórias.

A DC já ofereceu ao Mago os direitos de Watchmen de volta caso ele fizesse alguns materiais como prelúdios e histórias alternativas se passando no universo da obra. O autor sempre acreditou que Watchmen foi aquele material da publicação original, e que ele não deveria ser alterado para agradar uma demanda industrial sobre uma história que como dito por ele, já estava esgotada do ponto de vista comercial. Moore foi um autor que recusou muito em prol de sua arte, tanto crédito em filmes, fama e até muito dinheiro de grandes editoras e estúdios de cinema para colocar seu nome em créditos de filmes.

Para muitos nunca ficou claro o que o autor desejava com sua arte, porém como dito no livro Alan Moore: O Mago das Histórias:

“Moore diz que a parte engraçada de recusar o dinheiro era o que os estúdios de cinema diziam “se ele não quer dinheiro, então o que ele quer?””

“O motivo pelo qual eu trabalhei todos esses anos com quadrinhos foi para evoluir a mídia…”

O autor acredita que desta forma cumpre seu papel e seu objetivo com a mídia que ama desde a infância. Ele anunciou sua aposentadoria e com essa postura acredita que fez o suficiente para que os quadrinhos hoje sejam algo respeitado.

 A paixão humana pela produção e expressão de suas ideias e sensações são o que dão vida aos trabalhos, o que sustenta parte do que consumimos de mais interessante.

Não importa se é Alan Moore escrevendo em um jornal local e futuramente brigando com a Warner Bros, Pete Townshend perdendo a audição ou o personagem de Scott McCloud perdendo os afetos conquistados e criando a maior obra artística já vista pela humanidade. O interessante é ver como pessoas entregam sua existência para realizar algo belo como legado para o mundo.

Sobre John Holland

Procurando significados em páginas de gibi enquanto viaja pelos trilhos do conhecimento e do metrô. Sempre disposto a discutir ideias e propagar os quadrinhos como forma de estudo, adora principalmente a Vertigo, está sempre disposto a conhecer novos quadrinhos e aprender o máximo de coisas possível!
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