Facetas da Patrulha do Destino

Pode a série conquistar os fãs dos quadrinhos?

 

 

 

 

 

 

Spoilers do primeiro episódio de Patrulha do Destino. Você foi avisado.

Na última sexta-feira dia 15 de fevereiro estreou o primeiro episódio da série Patrulha do Destino (Doom Patrol) no serviço de streaming DC Universe nos EUA. Esse é um dos acontecimentos mais improváveis para alguém que acompanha quadrinhos, pois o grupo desconhecido do grande público e (fora a fase de Grant Morrison) possui poucas histórias famosas.

Patrulha do Destino mostra um grupo de pessoas que sofreram grandes traumas e tiveram seus corpos alterados de forma bizarra. No primeiro episódio da série são apresentados os quatro principais heróis do grupo: Rita Farr (Mulher Elástica), Larry Trainor (Homem Negativo), Cliff Steele (Homem robô) e Crazy Jane. Cada um deles sofreu um tipo de acidente e precisou da ajuda do Chefe, Niles Caulder.

O episódio inicia trazendo alterações quanto a versão que foi apresentada no episódio 4 da série dos Titãs. A principal é que Caulder é interpretado por Thimoty Dalton (em Titãs, foi interpretado por Bruno Bichir)  e de sua personalidade mudou nas duas séries. April Bowlby, a atriz que faz a Mulher Elástica, diz que as séries Patrulha do Destino e Titãs não se passam no mesmo universo. Em Titãs ele é apresentado como vilão, destoando do aspecto mais interessante de seu personagem nos quadrinhos, que é ser um homem de caráter dúbio, pois na mesma proporção que ajuda as pessoas a sua volta, ele esconde segredos e intenções.

A série apresenta algumas mudanças e todas elas foram para adaptar o enredo para a televisão, conseguindo manter o subtexto e o impacto causados pelo material original. Como a origem de Cliff, que se acidentou em uma corrida de carros profissional como nos quadrinhos, mas em um acidente na rua com sua família, com a qual tinha acabado de se reconciliar. Cliff Steele foi um péssimo marido, não se importou com o sentimento de pessoas próximas e maltratou a seus amigos e amores. Na fase do Grant Morrison a maldição de não ter mais sensações por ter ganho um corpo de robô foi muito relevante. Após ter as sensações humanas negadas, seus sentimentos, precisam ser reconstruídos, pois sua relação caótica com a família foi o que teve até poucos momentos antes de seu acidente.

O Homem Negativo, Larry, foi a adaptação mais polêmica, pois a sexualidade do personagem ficou dúbia na série. Larry Trainor é descrito como um herói americano da Força Aérea que possui uma família ideal dos anos 60, teve contato com a energia negativa e sobreviveu à queda de seu jato. Em determinado momento do episódio descobrimos que o herói também possuía um romance com um homem, seu parceiro  na Força Aérea.

Rita Farr, a Mulher Elástica, possui o enredo mais desinteressante do primeiro episódio. A personagem era uma atriz famosa com um sentimento de superioridade em relação aos outros, em uma das gravações ela sentia constante nojo de um deficiente e mandou retirá-lo do trabalho. Depois da saída dele, durante uma gravação, ela cai em um rio que possui uma substância estranha que entrou em seu corpo e deixou suas moléculas instáveis, transformando-a em um ser por vezes deformado.

Jane não tem sua origem mostrada no episódio, nos quadrinhos só revelado ao final da fase Morrison e a origem de seus poderes são um dos pontos mais altos do grupo nos quadrinhos, provavelmente na série eles utilizem a personagem para um fim de temporada ou um grande momento. Jane no episódio motiva a equipe a se aventurar, sair pela cidade, etc e começa a estabelecer sua relação de pai e filha com Cliff, ela possui os aspectos de personalidade mais interessantes do grupo, pois a questão psicológica que é tão discutida culmina em múltiplas personalidades e traumas que lhe fragmentaram em uma defesa chamada Crazy Jane.

O episódio reúne personagens com personalidades, passados e mensagens interessantes, o potencial para os próximos episódios é enorme. As adaptações funcionam e as mudanças são interligadas em um roteiro que parece ter um rumo definido para que está acompanhando os personagens. A Patrulha do Destino nunca trouxe os personagens mais famosos, porém quando Morrison revitalizou o título, apresentou aspectos psicológicos raramente vistos em quadrinhos mainstream norte-americanos. A série aderiu a essa mesma identidade com as figuras apresentadas nesse episódio e, caso a DC mantenha a mesma linha e a mesma coragem desse início, a adaptação pode ser um produto interessante tanto para os fãs da Vertigo quanto para o público que não conhece o grupo dos quadrinhos.

O piloto de Patrulha do Destino reúne tudo o que um fã do grupo espera, os personagens são perturbados e exploram aspectos da mente humana. Niles Caulder é o chefe que conhecemos e gostamos de sua dualidade e mistérios, Cliff é um robô sem sentidos, Larry é perfeitamente equilibrado, Rita está aprendendo com seus erros e Crazy Jane nos ensina um pouco mais de como viver com suas personalidades. A série abraçou a estranheza e a insanidade, porém seus protagonistas em seu âmago são pessoas comuns e, como diz a música de encerramento do episódio, people are strange.

Sobre John Holland

Procurando significados em páginas de gibi enquanto viaja pelos trilhos do conhecimento e do metrô. Sempre disposto a discutir ideias e propagar os quadrinhos como forma de estudo, adora principalmente a Vertigo, está sempre disposto a conhecer novos quadrinhos e aprender o máximo de coisas possível!
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2 respostas para Facetas da Patrulha do Destino

  1. eddierazo disse:

    April pode estar certa, sim.
    Se compararmos Titans 1×04 com a 1a temporada de DP, percebemos (1) a mudança dos atores que fazem O Chefe; (2) a ausência de Crazy Jane e Cyborg; e (3) o fato da Patrulha ainda estar reclusa na mansão. Pra justificar isso, talvez a equipe tenha sido enviada para a Terra “paralela” de Titans (via Danny, A Rua?), seus membros “originais” tiveram as memorias recentes apagadas (pelo Niles Caulder “malvado”?) e ali permaneceram tempo suficiente para ter contato com o Mutano.
    Ou então os roteiristas simplesmente consideram que existem DUAS Patrulhas e segue o baile…

  2. Pingback: Monstro do Pântano: maldição de Alan Moore? | Quadrinheiros

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