5 motivos que fazem o Coringa um dos personagens mais extraordinários da ficção

Muito mais que um vilão, uma referência do imaginário coletivo ao longo de 80 anos.

Conduzindo o herói ao altar desde que Batman pediu a Mulher-Gato em casamento, em Batman #24 (agosto de 2017), o roteirista Tom King tem explorado, com calma e parcimônia, diferentes ângulos das relações entre os personagens que cercam a vida do Cavaleiro das Trevas. O número 49 da revista, lançada no último dia 20, deu um passo adiante, levando a Mulher-Gato a proteger seu noivo – baleado e inconsciente – das alucinadas armadilhas do Coringa.

Sem dar spoilers, os diálogos entre Selina Kyle e o Coringa são imperdíveis.  Revelam camadas impensadas, visões que se sobrepõem ao longo dos quase 80 anos de existência do Batman. Piso da história, a edição coloca em cheque o impacto que o casamento poderá impor não apenas na vida do Batman e Mulher-Gato, mas também do Coringa.

Não é pré-requisito para ler a história, mas ela leva a pensar, existem várias razões que fazem o Coringa um personagem tão formidável – ou talvez mais – que o Batman, e certamente um dos maiores vilões da ficção. Aqui vão apenas cinco.

A primeira versão do Coringa é baseada no ator Conrad Veidt

Criado por Jerry Robinson em junho de 1940 e lançado na edição n.1 da revista Batman, o Coringa foi concebido à imagem e semelhança do ator alemão Conrad Veidt. Em especial, quando interpretou o personagem Gwynplaine, herói do filme mudo de 1928, O Homem que Ri, adaptação do romance escrito por Victor Hugo.

 

 

Vale lembrar, Conrad Veidt também interpretou o célebre personagem Cesare de O Gabinete do Dr. Caligari, clássico filme impressionista alemão de 1920. Ele também interpretou o Major Heinrich Strasser, o grande vilão nazista do filme Casablanca de 1942.

A origem do Coringa não determina quem ele é

Você quer saber como consegui essas cicatrizes?”, perguntava o Coringa, com a faca no rosto da vítima, no filme Batman: O Cavaleiro das Trevas, de 2008. Muito além de artifício “sado-retórico”, a interpretação de Heath Ledger fixou na mentalidade de uma geração que o vilão contava diferentes versões de uma história que terminava sempre em alguma brutalidade fatal. Não importa como aconteceu, nem como foi possível, o Coringa simplesmente é o que é: um agente do caos.

Talvez Coringa seja louco

Como os Quadrinheiros já discutiram longamente (veja o vídeo abaixo) existe um vasto terreno de interpretações sobre essa história. Mas segundo mostram as páginas de Batman: A Piada Mortal, escrita por Alan Moore, desenhada por Brian Bolland e lançada em 1988, o Coringa acredita que a diferença entre o mais são dos homens e um lunático seja apenas um dia muito muito muito ruim.

Prestes a mandar o comissário Gordon num perturbador passeio, o Coringa esclarece:

Assim, quando você estiver dentro de um desagradável trem de recordações, seguindo para lugares do seu passado onde o grito é insuportável… lembre-se da loucura. Loucura é a saída de emergência.

 

Talvez o Coringa sofra de excesso de sanidade

Você deve saber, Asilo Arkham – Uma Séria Casa em um Sério Mundo, escrita por Grant Morrison, desenhada por Dave McKean e lançada em 1989, é uma referência essencial nos quadrinhos. Não é apenas porque apontou com todas as letras que o Batman seja insano, mas porque examinou com inédita atenção a arquitetura mental do Coringa. Descreve a médica que tratava o vilão:

É bem possível que estejamos olhando para um tipo de super-sanidade aqui. Uma fascinante nova evolução da percepção humana, mais apta à vida urbana no fim do século vinte. […] Diferente de eu e você, o Coringa parece não ter controle das informações sensoriais que ele recebe do mundo exterior. […] Por isso em alguns dias ele é um palhaço malicioso, noutros um assassino psicopata. Ele não tem uma personalidade real. Ele cria a si mesmo todos os dias.

 

O Coringa ama o Batman

Em 2013, os autores Gerardo Preciado e Daniel Bayliss, fizeram, por conta própria, The Deal, uma história do Batman e Coringa que merece figurar no panteão das melhores histórias em quadrinhos já produzidas. Talvez tenha sido lida por Tom King, você pode ler a narrativa completa aqui. Ordem X caos, herói X vilão, mocinho X bandido. “Dê-me o seu pior“, diz Batman ao Coringa.  Tudo não passa de uma relação inquebrável, uma atração irresistível, dizem os autores com total transparência, trata-se de amor.

Qual razão você apontaria?

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