Os 13 melhores começos de histórias: livros, quadrinhos, cinema, a Bíblia e Dark Knight

the-dark-knight-opening-sceneJá falamos por aqui de muita coisa que compõe uma história. Do que faz ela funcionar. Ou então do que atrapalha. Falamos de altos conceitos. Das referências cruzadas.

Dos sentimentos que elas evocam, da atemporalidade, do mito.

Seja nos quadrinhos ou em qualquer mídia, toda história é uma narrativa. Toda narrativa tem um começo, meio e fim.  Boas narrativas tem uma grande mensagem. Mas uma excelente narrativa tem um baita de um começo!

Quem já se submeteu ao sacrifício espartano de escrever uma tese pode ter reparado – ou não -, não existe um único livro de referência ou obra teórica que tenha um bom começo. Sabe-se lá por que, deve existir uma regra que define que acadêmico é sinônimo de “mal-escrito”, “denso”, ou simplesmente chato pacas. E olha, na maioria das vezes são mesmo.

Como prevenir isso? Ora, a ficção é recheada de exemplos que ensinam como chutar as bundas da chatice na hora de começar uma narrativa!

Na primeira frase, no primeiro quadro, no primeiro acorde ou primeira cena estas histórias amarram o sujeito na cadeira. Fazem uma “promessa” silenciosa pra cada um: “Sente aí e eu vou te contar a melhor de todas as histórias.” Coisa de gênio.

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Fui fisgado nessa aqui.

Aleatoriamente, aqui segue uma lista de 13 baita começos. Exemplos não muito criteriosos de como se faz uma história memorável.

13- Por Uns Dólares a Mais (1965)

Sergio Leone! Ennio Morricone! Combinação imbatível!

No primeiro minuto não se mostra mais do que uma mera fotografia! Seguida de um tiro e uma música.“Onde a vida não tem valor, a morte, às vezes, tinha seu preço. É por isso que os caçadores de recompensa surgiram.”

Se quiser tentar superar essa, boa sorte.

12- Star Wars – Episódio IV (1977)

Primeiro, a paulada do primeiro acorde. Vem o letreiro e depois a fuga da nave da princesa Leia, um catatau perto do Star Destroyer imperial! PQP!

11- Highlander (1986)

Do começo dos tempos nós viemos, nos movendo silenciosamente pelos séculos. Vivendo muitas vidas secretas, lutando para chegar ao tempo da reunião, quando os poucos que restarem irão duelar até restar o último. Ninguém jamais soube que nós estamos entre vocês… até agora.”

Talvez seja por conta da entonação de Sean Connery, inconfundível. Talvez seja a trilha do Queen, incomparável. Mas a 1ª sequência de Highlander, com a câmera cruzando aquele mar de lixo cultural até fixar no olhar  do imortal Connor McLeod, diz tudo o que a história precisa pra começar bem. Sente. Relaxe. Deslumbre-se.

(pra uma versão melhor do som, com a narração do Sean Connery, tem um outro link)

10-Medo e Delírio em Las Vegas (1971)

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Estávamos em algum lugar de Barstow, à beira do deserto, quando as drogas começaram a fazer efeito.

Hoje Hunter Thompson é o patrono do jornalismo gonzo. Mas ninguém sabia o que esperar depois daquela frase. Nada mais que 17 palavras e o leitor não tinha como escapar. Ele tinha que saber mais daquela história.

9-Footloose (1984)

Antes que você me atire pedras, guenta a mão. Vai lá e dá play no vídeo. Diz se você não continuaria assistindo um filme que parece completamente descartável. Antes que perceba já passou uma hora de filme e você está dançando feito o Ney Matogrosso no chão da sua sala.

8- Moby Dick, ou A Baleia (1851)

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Pode me chamar de Ismael.”

Era assim que Herman Mellville começava a história da caçada da baleia. O coitado do Ismael, forasteiro todo animadão, mal sabia o que esperava quando embarcou no Pequod.  Leitor, teu nome é Ismael.

7-Tropa de Elite (2007)

O funkão dá o tom. E vem a narração: “A minha cidade tem mais de 60 favelas. Quase todas armadas de traficantes armados até os dentes.

A descrição da situação do Rio na voz do Capitão Nascimento, da “convivência pacífica” entre a polícia e a criminalidade tem o tom de lamento, resignação. Seguida da quebra, a reação da Tropa de Elite que sobe o morro pra acabar com essa história. Como poucas vezes antes, José Padilha tocou emoções que só os brasileiros conhecem. Polêmico até o talo.

6-Watchmen (1987)

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Diário de Rorschach. 12 de outubro, 1985

Como uma sequencia de cinema, cada quadro da primeira página de Watchmen amplia a visão do leitor. Uma poça de sangue na calçada. Um button do Smile manchado. Uma cena vista de cima. “E de repente ninguém sabe o que dizer”.

De fato. Depois disso o universo dos quadrinhos jamais foi o mesmo. Obrigado, Alan Moore.

5-Star Trek VI (1991)

Uma bruta explosão. Ondas de choque se espalham no espaço. Até cruzarem o caminho da USS Excelsior, nave do estimado Capitão Sulo. A Excelsior, colossal, parece um brinquedinho perto do impacto das ondas. Que diabos aconteceu??

Que começo!

4- A Era do Apocalipse (1995)

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O primeiro quadro de X-Men Alfa, lançado nos Estados Unidos em 95, incitava tudo o que o leitor precisava. Ali, na primeira cena, no primeiro quadro, ele ficava sabendo que tudo foi pro saco, “a soma de todos os medos”. A última fagulha de esperança: um grupo maltrapilho de X-Men.

3-Um Conto de Duas Cidades (1859)

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Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos, foi a era da sabedoria, foi a era de tolices, foi a era de fé, foi a era da incredulidade, foi a temporada da Luz, foi a temporada das Trevas…

Aqui Charles Dickens mostrou a que veio. Mais que isso, criou um molde para a narração que inspirou dezenas de outros autores, como Mark Waid (veja a primeira cena de Norman McKay com Wesley Dodds em Reino do Amanhã), Jonathan e Cristopher Nolan. Toda a história de o Cavaleiro das Trevas Ressurge foi inspirada neste conto sobre a Revolução Francesa.

Para quem lê inglês, o integral está aqui.

2-Gênesis 1: 1-4

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“[…] havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas. Disse Deus: haja luz; e houve luz. E viu Deus que a luz era boa. E fez separação entre a luz e as trevas.”

Antes de tudo havia o abismo e Deus criou a luz e as trevas, o bem e o mal, e tudo que veio depois derivou dali. Conhecereis a verdade e ela vos libertará: não há boa história que escaparás muito da narrativa que a Bíblia registrou.

1-The Dark Knight (2008)

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Tão bom quanto o Gênesis (pra um nerd) só a abertura de O Cavaleiro das Trevas. O diretor, Chris Nolan, se tornou um perito na modalidade “Primeira frase” de um filme.

A composição dos primeiros minutos é impecável. Os acordes de Hans Zimmer aquecem as sensibilidades do espectador. Um assalto. Um desconhecido de costas. Um cruzamento. Uma máscara de palhaço. Dali em diante a tensão só aumenta. Vai levar uma eternidade até algum sopro de esperança se insinuar. E ela só vem pela música. Onde está o Batman para nos salvar? Como parar de ver esse filme??

A lista é meio “americanizada” por conta do funcionário aqui, que só trabalha com essas coisas. Manjo nada de ícones da literatura latina, ou até mesmo brasileira.

E pra você? Que outras histórias tem um puta de um começo foda?

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Sobre Velho Quadrinheiro

Já viu, ouviu e leu muita coisa na vida. Mas não o suficiente. Sabe muito sobre pouca coisa. É disposto a mudar de idéia se o argumento for válido.
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7 respostas para Os 13 melhores começos de histórias: livros, quadrinhos, cinema, a Bíblia e Dark Knight

  1. Eu gosto muito do início de Cidade de Deus, acho o ritmo das tomadas com o da música genial.

  2. Não gosto tanto do livro, mas o começo de Anna Karenina pra mim é incrível:
    “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua”

  3. Vocês elogiam a composição dos quadros “Como uma sequência de Cinema” do Watchmen e no fim agradecem ao ALAN MOORE???
    Quando vocês escutam um solo de guitarra do Adrian Smith no Iron Maiden também agradecem ao Bruce Dickinson, né?
    Dêem os louros ao Dave Gibbons, pfvr!!

    • Velho Quadrinheiro disse:

      Veja, o Moore tem uma péssima reputação entre os desenhistas (além de ser odiado por muitos deles) justamente por exigir um controle absoluto da composição de cada página e quadro. Procure os comentários do J.H Williams III, que desenhou Promethea. Em Watchmen não foi diferente.

      Agora, quando tem solo do Adrian Smith em show no Brasil vc agradece ao Iron né? Dê os louros ao Bruce Dickinson que pilotou o avião que trouxe a banda, pfvr! =P

  4. Willber Rodrigues disse:

    Sentí falta do que,pra mim,é uma das melhores introduções dos livros que já lí.
    A Torre Negra-de Stephen King.

    “O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás.
    O deserto era a apoteose de todos os desertos, imenso, estendendo-se para o céu no que parecia ser eternidade em todas as direções.´´

  5. Pingback: O que é um bom final de história? | Quadrinheiros

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