Chamou a atenção: Superman e Mulher-Maravilha, juntos! Lanterna Verde islâmico!

Fez algum burburinho na mídia especializada, saem hoje nas bancas norte-americanas as edições Justice League n. 12 e Green Lantern n. 0:

 

Como sugere a capa da Liga, pegação dá o tom da revista. Superman e a Mulher-Maravilha se entregam aos impulsos, sabe-se lá em que circunstância (ainda não lemos a revista). Entre as implicações disso é seguro afirmar:

  1. Lois Lane, esposa do Superman até o reboot da DC em setembro de 2011, dançou. Importante lembrar, nas revistas da Era de Prata Lois tinha título próprio que a definia como personagem (Superman’s girlfriend Lois Lane).
  2. A Mulher-Maravilha também abre mão de seu chinelo velho, o major da Força Aérea, Steve Trevor.
  3. A união dos heróis remete a outras histórias onde isso já aconteceu, com resíduos incômodos na memória dos leitores (como em Batman: the Dark Knight Strikes Again) ou nem tanto (como em Reino do Amanhã). Nas duas histórias, a união do Superman com a Mulher-Maravilha gerou um rebento superpoderoso.

Opinião minha, aceite, ignore ou esqueça:

afora a feliz ocorrência de terem encontrado parceiros que “aguentam o tranco” meta-humano, os dois heróis como casal perdem aquela ligação emocional mais íntima com a humanidade, o que era personificada nos seus antigos rolos, Lois Lane e Steve Trevor.

Em termos criativos, dependendo da vontade do roteirista, o mundo dos quadrinhos está no limiar do surgimento de uma oligarquia meta-humana, uma aristocracia heroica que por definição se distancia da humanidade.

Bom ou ruim, vai depender de quem contar essa história (a solução de Alan Moore em 1985 foi que a Miraclewoman, a mulher-ideal, não era “monopólio” do Miracleman; ao contrário, ela descia à terra para atender aos desejos quase oníricos dos homens que a amavam em silêncio, o que garantia o contato – e sintonia – com a humanidade).

Já de arma(s) na mão, é apresentado o novo Lanterna Verde, um sujeito cujo nome não é conhecido o suficiente sem o Google (portanto, ainda é habitante da periferia do senso comum).

Os leitores de farsi, por favor, poderiam traduzir o significado  da tatuagem a este Velho ignorante?

A DC divulgou que o herói é islâmico, elemento que, supõe-se, fica sugerido na tatuagem no braço direito do personagem. Ele é o novo membro da Tropa numa saga que se anuncia, “The Third Army”.

A referência é ao terceiro exército criado pelos Guardiões de Oa, mestres dos Lanternas Verdes (o primeiro exército era dos Manhanuters, frios andróides; o segundo, a própria tropa dos Lanternas Verdes, formada por diversos alienígenas).

Opinião minha, aceite, ignore ou esqueça:

há um ano, quando o reboot (ou os Novos 52) da DC começou, ficou claro o imperativo de apresentar diversidade étnica ou sexual nas histórias. Daí Alan Scott ser apresentado como homossexual ou o Cyborg ter sido promovido a membro da Liga da Justiça (saindo da 3ª divisão, os Jovens Titãs).

Ao incluir uma identidade raramente associada a heroísmo, o islâmico, a DC obedece à mesma lógica.

Meu receio é de que ele se converta em instrumento de uma tática manjada da “indústria do entretenimento”: fazer do membro de uma “minoria” uma espécie de “guia espiritual”, “gênio” ou entidade religiosa que orienta, consola ou ensina os outros personagens regulares, de maior destaque.

Como diz um editorial da DVrepublic:

Não é como se os atores ou papéis não fossem queridos, valiosos ou redentores, mas eles não possuem vida interior. Na maioria das vezes, eles se materializam apenas para resgatar os bem-aprofundados personagens brancos. Algumas vezes eles vêm de dentro das brumas como o angelical caddy Will Smith em “Lendas da Vida”. Graças a Vance (personagem de Smith), o orgulho de Savannah (Matt Damon) arrebenta no golfe.”

(tradução minha; aqui o original: “It isn’t that the actors or the roles aren’t likable, valuable or redemptive, but they are without interior lives. For the most part, they materialize only to rescue the better-drawn white characters. Sometimes they walk out of the mists like Will Smith’s angelic caddy in “The Legend of Bagger Vance.” Thanks to Vance, the pride of Savannah (Matt Damon) gets his “authentic swing” back”. )

Claro, quadrinhos têm a vantagem de nunca “terminarem” de verdade. As chances de um escritor que dê profundidade, no caso, religiosa, ao novo Lanterna Verde são tão grandes quanto durar a avidez dos leitores de quadrinhos.

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Sobre Velho Quadrinheiro

Já viu, ouviu e leu muita coisa na vida. Mas não o suficiente. Sabe muito sobre pouca coisa. É disposto a mudar de idéia se o argumento for válido.
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