O mundo muda, algumas coisas seguem.

Você, que como eu, viveu a infância na década de noventa,  cansou de escutar daquele seu professor barbudo de Geografia/História “A Revolução nas Telecomunicações e o desenvolvimento tecnológico dos computadores nos levou a um novo patamar da sociedade”. Isso virou até um chavão! Mas o interessante é ver como isso impactou na produção cultural. Afinal tudo está interconectado, quer você queira ou não. O impacto foi desde como o resultado é obtido (ou seja, como um cd é gravado no seu sentido técnico) até as temáticas desses produtos.

Uma singela homenagem a um desses professores barbudos

Um bom parâmetro para entender esses caminhos resultantes da evolução é o Gilberto Gil! Em 1991 ele cantava da Parabólica, em 1997 já era a Internet e em 2008 ele cantou a Banda Larga. Parece meio desconexo o que estou falando aqui, mas já vou chegar no ponto. O que quero mostrar é como a realidade, as evoluções e a sociedade estão ligadas na produção cultural. Tem uma montoeira de acadêmicos que discutem isso.

Gilberto Gil na verdade só foi mais explicito. Muitas outras expressões culturais foram afetadas. Em especial os quadrinhos e as tirinhas, que estão no fato de terem sido mais impactados na sua produção. Antes tudo era feito a mão, mas com o boom dos avanços gráficos de computação, as grandes empresas passaram a colorir e desenhar digitalmente; e com a popularização dos computadores, qualquer um passou a poder produzir seus quadrinhos e suas tirinhas e publicá-los a um custo absurdamente baixo.

Custo praticamente zero leva a uma produção bem maior

Com essas evoluções todas e reviravoltas, surgiu uma nova categoria de quadrinhos, as chamadas webtiras. Como o próprio nome indica e qualquer ser vivo com QI de ostra em coma consegue identificar são tiras publicadas em sites, e geralmente feitas especialmente para essa mídia. Isso é interessante pois permite com que artistas que antes teriam que passar por anos na escuridão do anonimato, agora possam surgir e crescer rapidamente, pura e exclusivamente pelo seu trabalho.

Existem alguns casos de sucesso internacional que chegaram até a se tornar filmes! Como é o caso do PHD comics. Se você ainda não leu nada do Jorge Cham pare tudo e faça-o agora, principalmente se você for um escravo  adepto da carreira acadêmica, afinal as piadas farão muito mais sentido do que o normal.

Existem casos nacional de sucesso também, como o Um sábado qualquer, que ganhou recentemente o troféu HQMix!

Quando seu personagem principal é Deus, ganhar um prêmio assim é uma obra divina!

Alguns autores já consagrados também passaram a usar essa mídia, como é são os casos: Laerte, Angeli, Adão e Caco Galhardo

Mas existem três em questão que chamaram muito a minha atenção recentemente. Um é bem novo, mas tem agradado e muito. São as traumáticas aventuras do filho de Freud. O outro não é novo, mas conheci recentemente, é o Dosis Diarias do Alberto Montt. E o terceiro é uma dica do Velho Quadrinheiro, que como ele mesmo diz, é algo velho. É o André Dahmer com o Malvados. Segundo o que o Velho me falou fontes, a cinco anos atrás ele já tinha fãs, isso publicando apenas online, e no ano passado ele foi contratado pela Folha, ou seja, uma transição e interconexão que exemplifica todo o meu argumento aqui exposto.

Outras duas plataformas que gostaria de ressaltar são: O uso do Facebook para criar uma história, como fez o ilustrador Bruno Marafigo na história Diálogos da Morte; e no caso do site Quadrinhopole Digital Comics, que disponibiliza quadrinhos gratuitamente e online para os usuários cadastrados.

Vendo tudo isso, percebemos que o modo de recepção até muda, mas a informação continua sendo passada e moldada de maneiras e com intuitos semelhantes. Mesmo que tenhamos deixado de usar a Parabólica, e tenhamos passado a usar a Banda Larga do 3G do celular, ainda continuamos indo atrás dessa expressão de arte.

 

Atualização de última hora!

Um site muito bom para conhecer novos artistas e prestigiá-los é o Idéias Ilustradas. Eles desenvolvem concursos constantes com premiações tanto para os leitores como para os quadrinistas. Vale a pena conferir!

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2 respostas para O mundo muda, algumas coisas seguem.

  1. Pacha Urbano disse:

    Lembro que nos anos noventa, quando vivi minha adolescência, era tarefa árdua conseguir tirinhas de autores que não fossem os mais badalados, como Laerte ou Angeli, e mesmo estes apareciam esporadicamente em uma ou outra publicação, exceto durante o período em que publicaram juntos. Material independente nos chegava através dos fanzines, que em sua maioria era conseguido por cartas diretamente com o autor, ou então em alfarrabistas e sebos obscuros pela cidade. No Rio de Janeiro a cena dos quadrinhos nunca foi tão prolífica quanto em São Paulo ou Porto Alegre, e era de lá que esperávamos que nos chegassem coisas novas. Hoje a internet é um menu gigante do que se quer ingerir intelectualmente, artisticamente. Clicou, recebeu, repassou pra um conhecido, indicou pra alguém. É possível que qualquer um com boas ideias – ou más ideias – e uma imagem qualquer consiga fazer humor, drama, terror, qualquer coisa. Os memes tão aí pra provar isso. Alguém pega a foto de um desconhecido e atribui a ele falas e tá aí um meme. O Casseta & Planeta fazia isso no Casseta Popular, a MAD fazia isso nos anos 80. Hoje todo mundo faz isso em profusão. Estou muito feliz por poder estar no meio disso tudo, produzindo também e não só recebendo. São dias felizes.

    • Quotista disse:

      Mas haja paciência e tempo para filtrar o monte de coisa descartável que aparece também… Terceirizei esse serviço e só leio o que alguns amigos de confiança indicam. XD

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