Onde Hellblazer devia ter parado?

Será que Hellblazer durou mais do que deveria?

Hellblazer durou 300 edições, mas muitos leitores acreditam que o quadrinho foi longe demais. Paul Jenkins, que assumiu a revista por 5 anos após a saída de Garth Ennis e Eddie Campbell, trabalhou tão bem a mitologia estabelecida pelos autores anteriores que poderia ter finalizado nas suas mãos, no auge da série.

Jenkins havia trabalhado somente em títulos irrelevantes até receber o convite do editor da série na época, Lou Stathis, que já havia  editado títulos como Patrulha do Destino, para assumir as histórias do mago inglês.

 Durante o arco Massa Crítica, em que Constantine para tenta salva a alma de um garoto inocente, ele conseguiu redimir-se com  Astra, do arco mais famoso do personagem, Newcasttle.  A história do garoto e de Astra são praticamente a mesma, já que Astra teve sua alma enviada ao Inferno por um erro de Constantine na invocação de Nergal em Newcasttle. A diferença é que o Constantine mais experiente conseguiu salvar o menino e ainda por cima libertou Astra do Inferno e a enviou ao Paraíso.

No mesmo arco, o personagem ainda resolveu outra famosa pendência que é seu sangue de demônio. Durante a fase de Jamie Delano, Constantine ficou entre a vida e a morte e seu inimigo Nergal colocou um pouco de seu sangue nas veias do personagem, salvando-o da morte por interesses próprios. Para conseguir se safar de um problema durante a história, JC acaba perdendo sua parte maligna, inclusive o sangue de demônio, Constantine estava livre de sua parte infernal.

Ainda durante a fase de Jenkins, nosso anti-herói encontra-se com o pai morto e condenado ao Inferno e ali vai resolver seu problema com seus progenitores. O personagem acreditava que havia sido cruel demais com o pai e que ele era o responsável pela morte da mãe, que morreu durante seu parto.

O pai de Constantine confessa que fez a mãe de John realizar um aborto clandestino contra sua vontade, causando a morte de irmão gêmeo e sua mãe. A cena é uma das mais pesadas da série, com o pai pendurado pelo instrumento utilizado para realização do aborto. Constantine teve a chance de ajudar o pai, porém nesse momento achou que o que aconteceu com ele foi pouco e decidiu não ajuda-lo.

Outro ponto interessante é a história em que Constantine encontra-se possivelmente com Jesus na floresta, que revela  a trajetória do Mago utilizando o Tarot como base,  dizendo que espera que esse filho finalmente retorne ao caminho certo.

Poucas edições depois temos os dez anos do personagem que foram comemorados em uma edição que tem participação de antigos autores, incluindo uma homenagem a Alan Moore, criador do personagem.

Nesse momento estávamos próximos da edição 100 da série e estava tudo encaminhado para o quadrinho ser finalizado. Newcasttle não era mais um grande tormento, seu pai, o sangue de demônio e seu encontro com “Jesus” davam margem para um descanso ao mago inglês. É provável que a ideia não fosse de terminar o título Hellblazer por ali, e por uma decisão da editora o quadrinho continuou.

As fases seguintes apresentaram muitos arcos soltos e acontecimentos desnecessários, como a morte da irmã do personagem na fase Mike Carrey, os arcos da fase Denise Mina são bons, porém soltos e a qualidade das histórias começaram a tornar cada vez mais discutíveis.

O final da série Hellblazer na edição 300 utiliza-se em sua maioria de elementos das fases, Delano, Ennis e Jenkins, já que são as mais relevantes para o título. Mesmo assim vemos que Peter Milligan (último roteirista da série) teve dificuldades de encontrar um final convincente, criando uma cena final confusa.

A sobrinha é estuprada pelo clone infernal do personagem, criado durante a fase Jenkins e ela culpa Constantine pelo que aconteceu. Constantine entrega uma arma com um tiro especial para a sobrinha, dando a ela a oportunidade de matá-lo ou não. Ela atira e depois o quadrinho pula para o protagonista em um bar de Liverpool. Uma saída muito fácil e simplista para o final de um personagem tão rico.

Paul Jenkins foi o único roteirista que teve tudo certo para finalizar a série, porém não pôde fazer por uma questão editorial. Ele alinhou todos os acontecimentos relevantes para o personagem e os resolveu. Uma série de roteiristas deram continuidade para sua história, tornando-a um tanto incoerente e sem a mesma qualidade das fases anteriores, tirando um ou outro arco.

Jonh Constantine é um personagem eterno. Não precisava morrer e nem virar um herói, porém a necessidade da editora de mantê-lo no mercado acabou sacrificando muito da qualidade do quadrinho e do interesse do público pelo personagem. Nas mãos de Jenkins, um final memorável foi perdido, que poderia ter sido uma das melhores coisas do selo Vertigo.

E se você curte Hellblazer, conheça nossa série especial sobre o quadrinho:

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Sobre John Holland

Procurando significados em páginas de gibi enquanto viaja pelos trilhos do conhecimento e do metrô. Sempre disposto a discutir ideias e propagar os quadrinhos como forma de estudo, adora principalmente a Vertigo, está sempre disposto a conhecer novos quadrinhos e aprender o máximo de coisas possível!
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6 respostas para Onde Hellblazer devia ter parado?

  1. ouro2014 disse:

    Sinceramente, eu fiquei extasiado após ler até o final a fase do Ennis. Eu, como a maioria, conheceu o personagem pela fase dele, publicado na extinta “Vertigo da Abril”, tanto que tive certa dificuldade em ler as primeiras histórias do Delano por achar elas monótonas (e de fato ainda as acho inferior ao trabalho de Ennis, para se ter uma ideia, gosto mais dessa fase do que de Preacher), fui ter um impulso quando tive em mãos após muita luta de comprar pela internet, os Hellblazers Origens #01 a #04. Os li, gostei, (exceto da “máquina do medo), isso ainda em 2015. Só esse ano que consegui o #05 para continuar essa leitura.
    Mas voltando ao racíocionio. Eu tinha lido tudo em scan do Ennis, e chegando nessa do Jenkins, eu parei em coisa de 10 edições. Achei tanto a história, quanto principalmente os desenhos inferiores (até das capas! Glen Fabry para mim só teve equivalente com o McKean, Bradstreet e Bisley). Tempos atrás comprei os dois primeiros dessa fase “Demoníaco”, e desisti a leitura ainda no primeiro encadernado. A fase do Carey (outro roteirista que não me desce, junto a esse Jenkins) eu achei mais ou menos, sem direção. A que eu gostei bastante, narrativamente falando, foi a do Azzarello. Ok, foi diferente, até mesmo das temáticas, com menos “Londres e ocultismo” que as outras, mas eu me envolvi, e li tudo compulsoriamente, mesmo tendendo mais para o gênero policial. E notei a ausência de menção a ela no seu texto, talvez por não gostado. Enfim, gostei do texto, e é válido o debate. Para mim, poderia ter terminado no Ennis. Ou então no Carey, porque depois do Carey eu realmente achei um trabalho patético, eu acompanhava pela mensal da Panini, e chegou um momento que eu simplesmente pulava, porque eu não reconhecia nada da mitologia do personagem ali.

    • John Holland disse:

      Quase todos que começam pela fase Ennis tem dificuldade com as histórias do Delano, elas parecem um pouco datadas e cansativas em um primeiro momento. O arco Máquina do Medo não melhora nem depois quando você relê rs. A fase Jenkins possue alguns arcos soltos no começo, ela engata no primeiro grande arco da série que é o Massa Critica (volume 2 do Demoníaco). O primeiro encadernado da fase Demoníaco é bem cansativo sim, mas um dos motivos é a escrita de Eddie Campbell que compõe quase todas as histórias deste volume, o Jenkins assume bem no final. O ponto de não ter citado fases como as do Azarello ou a do Andy Diggle, foi que aconteceram tantas quedas de qualidade entre essas fases, e assim a do Jenkins que teria sido mais interessante para terminar, pois varias brechas para isso foram abertas e até ali, Hellblazer como um todo possuía uma qualidade muito acima da média.

  2. Danilo Vieira disse:

    Discordo muito da matéria. Primeiro, a fase do Andy Diggle foi muito boa, diria até melhor que a do Jenkins. Segundo, diferente do que você fala na matéria da fase da Denise Mina, a fase dela é fraca. Melhora na fase do Milligan. A do Carey foi fraca, e a do Azarello teve bons momentos.

    • John Holland disse:

      Realmente, a fase do Diggle é ótima. O ponto é que até chegarmos nela, temos muitas quedas e o ponto do texto é que se a série terminasse na fase Jenkins, teria sido mais coerente, por conta de como a história correu e pelas pendências do Constantine terem sido resolvidas. A fase da Denise Mina tem alguns problemas, como a do Milligan, porém ambas possuem qualidades.

  3. Guilherme Ferreira da Silva disse:

    Essa fase Assombrado do Warren Ellis qua ta saindo agora, vale a pena?

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