A presença dos quadrinhos nacionais na Fest Comix


festcomixRELEASECada dia mais os Quadrinheiros vão saindo do virtual. Desde o ano passado oferecemos cursos e palestras periodicamente.

Essa mudança tem sido uma ótima experiência, e antes de qualquer coisa, gostaríamos de agradecer ao pessoal que nos acompanha, tanto dentro quanto fora do mundo virtual, pelo apoio e pela companhia. É isso que nos motiva a continuar!

No último final de semana rolou a já tradicional Fest Comix (que não tem camarote) e pela primeira vez cobrimos um evento sobre quadrinhos! E isso se tornou uma experiência ainda mais legal e gratificante quando vimos que muitos ali já conheciam o nosso trabalho! Agora chega de papo com cara de diário adolescente! Ao evento!

O evento em si é uma ótima oportunidade de conhecer os novos lançamentos e algumas editoras nacionais que cada vez mais crescem. A organização estava bem interessante, apesar do custo bem alto para a alimentação, o que é sempre um ponto negativo. Ter as diversas editoras concentradas em uma mesma rua foi bem legal, pois pode-se conversar com várias pessoas que estavam nesses stands.

Conheci em especial a Mino editora. Responsável por lançamentos interessantes como o novo quadrinho do Shiko, que ficou conhecido pelo Ingá-Piteco, eles trazem uma proposta bem legal para o mercado editorial. Ao invés de tratar o quadrinho nacional como algo alternativo ou independente, veem a produção dos artistas brasileiros como um produto interessante, a ser lapidado. Não se focam em um único tema ou proposta, produzindo materiais de ficção científica e de terror, além de trabalhos politizados e críticos. Vale bem a pena conhecer.

Logo “chriscarteriano” da Mino editora

O foco do evento se dividiu em dois polos: As promoções na giga área da Comix e as palestras no auditório. Além disso haviam alguns outros pontos interessantes como a área do Minas Nerds, dedicada à mulheres que fazem e trabalham com quadrinhos, e ao palco para as atividades de cosplay. Acabou sendo então uma excelente oportunidade para quem quer economizar e poder encontrar com outras pessoas desse mundão (véio) nerd.

Entretanto o que mais me chamou a atenção foi a área de produtores independentes. Mais do que qualquer outra atividade do evento, conhecer e encontrar gente nova na praça é sempre incrível. E isso é uma dica legal tanto para quem já lê quadrinhos a algum tempo, como para quem está começando essa saga. Mais do que conhecer esses autores, é a possibilidade de conversar com eles sobre o trabalho, algo que com a fama vai se tornando quase impossível de acontecer.

Dentre os diversos stands e artistas alguns valem a menção e a imagem. Começaria pelo cara que não esperaria que estivesse nessa sessão. Ele faz parte de um panteão de autores e cartunistas que já são a muito tempo consagrados. Mas Marcatti nos surpreende. Claro que viver de quadrinhos no Brasil nunca foi, e dificilmente em breve será, algo de muito glamour. Mas encontrar um dos grandes nomes brasileiros ali no próprio stand, vendendo seus trabalhos e batendo papo com os compradores, foi algo muito legal.

Marcatti e eu, em frente à sua mesa junto dos outros artistas independentes

Marcatti e eu, em frente à sua mesa junto dos outros artistas independentes

O interessante desse fato é que o Marcatti se mostrou um cara extremamente acessível. O papo foi muito legal e pude atacar de fanboy um dos nomes dos “quadrinhos que não deveria ter lido antes dos 18, mas li e gostei”. Essa experiência, que é tão destacada sobre os eventos no exterior, em especial nos EUA, é realmente o mais marcante.

Conheça um pouco mais sobre a obra dele aqui.

Outro nome de destaque que pude conhecer ao vivo foi o Carlos Ruas, do Um Sábado Qualquer. Na nossa conversa, dentre os vários temas, um que vale ser relatado é o do impacto que a tira tem para diversas pessoas. Quando perguntei do público alvo e das expectativas, a resposta foi bem direta: “Faço quadrinho para a família. Não quero irritar ninguém, apenas fazer a pessoa refletir“. No mesmo caminho, ao perguntar das reações dos leitores, Ruas ainda me contou de alguns fatos legais como: “Frequentemente recebo mensagens dos leitores contando que mudaram sua visão depois de ler o Um Sábado Qualquer. Gente falando que antes era bem bitolada, mas que abriu a cabeça“.

Conheça mais sobre a obra dele aqui.

Carlos Ruas, Luciraldo e eu louvando as batatas. Para os leitores da tira, vale notar que isso só aconteceu depois que comprei batatas.

Carlos Ruas, Luciraldo e eu louvando as batatas.
Para os leitores da tira, vale notar que isso só aconteceu depois que comprei batatas.

Além do Carlos Ruas, outros dois caras das Web-Tiras também estavam presentes: os irmãos William e Pedro Leite. Dividindo a mesa, cada um com seus quadrinhos ali expostos, foi um dos encontros mais interessantes. Ambos tem como base principal a publicação online, e mais do que no próprio blog/site, a circulação se dá em peso pelo Facebook. Vale notar que o livro do Will foi financiado em um tempo quase recorde através do financiamento coletivo. Isso nos ajuda a ver o impacto da internet na produção da nona arte, que tem aberto cada vez mais espaço para o que é bom e que o pessoal gosta.

Link para o site Quadrinhos Ácidos aqui e para o Willtirando aqui

William Leite e Pedro Leite

William Leite e Pedro Leite

Um dos autores independentes que mais me chamou a atenção foi Julius Ckvalheiyro, com sua obra dupla sobre as duas Guerras Mundiais. Um trabalho feito com imenso esmero e atenção, sem perder o rigor acadêmico. Como o autor conta, o quadrinho começou como um meio de trazer um pouco mais sobre a Primeira Guerra Mundial para uma linguagem acessível, mas como a produção sobre o período está diretamente vinculada com a da Segunda Guerra, acabou se tornando uma obra em dois volumes. E o legal é que o material tem ganhado as salas, e de acordo com o autor, muitos professores tem o chamado para falar da obra e do período.

Link para o blog do autor aqui.

O interessante é que os livros seguem uma lógica didática e prática. Usando como base fotos dos períodos, os quadrinhos contam sobre os eventos históricos sem tomar como ponto de vista apenas as histórias laudatórias. Essa função mais descritiva fica para os textos que abrem cada um dos trechos, recontando os principais fatos e situações que são tratadas pela narrativa a seguir.

Julius Ckvalheiyro

Julius Ckvalheiyro

Por fim, uma galera que foi super legal de conversar foi o pessoal da Escape. Na mesa estava um anúncio chamando quem se aproximava de jumento. A piada acabou fazendo com que ali começássemos uma conversa sobre a produção independente de quadrinhos. Diferente de outras mesas, a preocupação deles era ter a qualidade de uma boa editoria, mas sem perder a liberdade dos antigos fanzines, feitos de uma maneira precária. O Lambreta, um dos autores que estava na mesa, ainda comentou zoando os amigos o quanto era difícil manter qualidade, periodicidade e produção quando tudo era feito dessa maneira quase anárquica.

Somando forças de diversos cartunistas, eles estão produzindo um material que me lembrou coisas da Circo como o Chiclete com Banana. A editoração tem o apoio do Marcatti, que sem dúvida é uma influência direta, tanto nos temas quanto nos traços. Isso é legal para ver como novas gerações prestam a reverência aos que abriram caminho. Ao invés de apenas produzir o seu material, eles lembram do que já foi feito e prestam as homenagens.

Link para o facebook do coletivo escape aqui.

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o Pessoal do Coletivo Escape

Antes de encerrar gostaria de deixar claro que de maneira nenhuma os autores mostrados aqui eram os únicos na Fest Comix, você pode ver a lista completa aqui. Infelizmente não pudemos conversar com todos!

Enfim, isso foi um pouco do que rolou na Fest Comix. Uma experiência sensacional para conhecer e discutir com os autores, além de ver um pouco mais do que tem sido produzido por aí. Esperamos que para você, leitor, esse tipo de relato, mostrando um pouco do que acontece fora das páginas, seja algo interessante e instigante, assim como tem sido para nós essa vida fora do blog.

 

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