MEMÓRIAS QUADRINHEIRAS II: Futebol em quadrinhos

pitecoDesenho e escrita são duas das mais geniais realizações da humanidade. Combinar as duas coisas foi ainda mais genial. O potencial de comunicação de um documento que combine imagens e escrita é muitas vezes superior ao de um que use apenas um desses meios (desde que as duas coisas sejam pelo menos razoavelmente executadas, é claro — Liefield sucks nas duas, por exemplo). Prova disso é que você não vai encontrar um livro infantil sem ilustrações e milhões, talvez bilhões, de crianças no mundo todo têm gibis como cartilhas de leitura. (Eu fui uma delas e é bem provável que você também tenha sido).

Turma_Saiba_Mais_033_FutebolFora o desenvolvimento da leitura, quadrinhos podem ensinar muita coisa. E isso é algo que já se sabe há muito tempo. Campanhas publicitárias, campanhas políticas, campanhas educativas, adaptações de clássicos da literatura, revistas temáticas, biografias de vultos históricos, narrativas de grandes eventos, praticamente tudo o que se pretenda comunicar a crianças e jovens pode ser encontrado em quadrinhos. (O que não significa que as coisas sejam bem-feitas. Muito pelo contrário, a maioria dos “gibis de mensagem” é bem ruim — no sentido de serem pouco divertidos, muitas vezes nada divertidos). Mas existem coisas que você não aprende com gibis, por melhores que eles sejam. Futebol é uma delas.
abin1pelezinho1Atividades físicas de qualquer tipo nunca foram meu forte (nerd, dã…), embora ao longo da vida eu tenha tentado praticar alguns esportes (e só com muito esforço ser razoável em um ou outro). Mas tenho uma boa visão tática e estratégica em esportes. Consigo compreender rapidamente as regras e a dinâmica de modalidades que estou vendo pela primeira vez. Tudo isso porque li e ainda leio muito sobre esportes. (Os Manuais Disney não eram propriamente gibis, mas eram alguma coisa muito próxima). No caso específico do futebol, quem me apresentou a ele não foram meus pais (não tenho idéia de qual foi meu primeiro brinquedo, mas certamente não foi uma bola) ou a TV, mas o Pelezinho.
pelemaradonaNunca vi Pelé jogar e só fui realmente me interessar por futebol na adolescência. Então, o máximo que eu sabia era que Pelezinho era inspirado no Pelé e que Pelé era o rei do futebol, título que não significava grande coisa para quem não entendia nada de futebol. (Durante muito tempo, só reconheci Pelé como o melhor do mundo porque os mais velhos, que tinham visto o cara jogar, diziam isso, mas, até ver uma quantidade significativa de tapes, achava muito difícil que ele tivesse sido mesmo melhor que o Maradona. Deve ser mais ou menos a mesma impressão que a molecada de hoje tem em relação ao Messi).

Pelezinho_t1

Pelezinho retratava bem o que era o cotidiano do futebol de criança: as brigas em campo, a relação com a torcida, as rivalidades bairristas, as vidraças quebradas e bolas furadas, coisas absolutamente comuns a quem tinha o futebol como parte da vida.
pelezinho-zero-01-original2De uns tempos pra cá, a parceria MSP-Panini está relançando revistas do Pelezinho. É interessante perceber como muitas dessas velhas histórias ainda estavam guardadas em algum cantinho da memória, mesmo que eu tivesse uma relação tão distante com o futebol. Interessante perceber, também, que eu tinha uma compreensão muito limitada das histórias, já que não conhecia os palavrões substituídos por cobras e lagartos (e nem isso existe mais por causa do tal politicamente correto). Isso era mais conseqüência da minha educação protestante do que da distância do futebol e eu nem acho que esse aspecto da minha educação tenha sido errado, mas a verdade é que as histórias do Pelezinho ficam muito mais vivas quando se sabe quais palavrões encaixar no lugar das cobras e lagartos. Ainda não me acostumei com a edição da arte, que faz o Pelezinho ter nariz agora, mas é provável que eu me acostume, como também me acostumei com as orelhas do Rolo.

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Sobre Quotista

Filipe Makoto Yamakami é historiador, professor, músico amador, twitólatra, monicólatra, etc. E realmente precisa de um emprego que lhe permita pagar as contas. @makotoyamakami
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