Top 10: Os detetives mais fodões da cultura pop

Antes da lista alguns prolegômenos.

a)Na verdade ela está mais para um top of mind de detetives que propriamente uma lista objetiva. E que mente? A minha. Elementar, meus caros leitores. Se eu dissesse a vocês a palavra detetive, quem apareceria na sua cabeça? É assim que funciona.

b) Utilizei como definição de detetive ‘pessoa que busca e descobre fatos que não estão facilmente acessíveis’, de acordo com a acepção dessa palavra de origem inglesa tal qual define o dicionário Houaiss.

Agora sim, a lista dos detetives mais fodões da cultura pop.

10. Richard Fell

Criado por ninguém menos que Warren Ellis e desvendando crimes nas ruas de Snowtown, Richard Fell só não alcançou um status maior porque seu autor simplesmente publicou poucas histórias suas (publicado no encadernado na Devir são 8, existe a lenda de um número 9). No entanto sua perspicácia e persistência na arte da investigação garantem seu 10º  lugar. Saiba mais sobre ele aqui.

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9. Maddie Hayes & David Addison

Os detetives protagonistas da série Moonlighting, aqui mais conhecida como A Gata e o Rato, fizeram sucesso. Após ir à falência devido a um golpe de seu empresário a modelo Maddie Hayes tem uma única propriedade: a agência de detetives chamada Blue Moon. David Addison, interpretado pelo famoso Bruce Willis, a convence de que a agência poderia dar lucro. O mais interessante na série eram menos as investigações e mais a interação entre a dupla principal, que culminou num romance. Mesmo assim garantem a menção no 9º lugar.

8. Magnum

Se você tem em torno de 30 anos ou mais deve se lembrar do “detetive número 1 do Havaí”.  Ex-oficial da marinha e veterano do Vietnã, Thomas Sullivan Magnum III torna-se investigador particular no Havaí. Seu treinamento engloba espionagem e contra espionagem, além de possuir habilidades como atirador de elite e treinamento em diversas armas de fogo. Aqui ficou mais conhecido pelo tema de abertura da série, por suas camisas floridas e por um jeito menos metódico de fazer suas investigações, um tanto – para usar uma palavra da moda – fanfarrão, que contrastava com jeito mais sisudo de seu companheiro Higgins. Estivesse essa lista sendo escrita nos anos 80 ele certamente estaria em uma posição mais alta. Em pleno século XXI uma 8ª posição está mais que justa.

7. Jennifer & Jonathan Hart

Talvez você não tenha reconhecido o nome dos protagonistas, mas o nome da série lhe será familiar (se você tem pouco mais de 30 anos): Casal 20. O milionário Jonathan Hart é casado com a escritora Jennifer Hart, juntamente com seu mordomo Max e o cão Freeway acabam resolvendo vários crimes sem ajuda da polícia. Fecham bem essa trilogia dos anos 80 na 7ª posição.

Curiosidade 1:  a ideia da série foi desenvolvida por ninguém menos que Sidney Sheldon.

Curiosidade 2: a dubladora de Jennifer Hart é a mesma de Dana Scully: Juraciara Diácovo.

6. Sandman

Muito antes de Neil Gaiman e Morfeus dos Perpétuos, o primeiro Sandman, Wesley Dodds, solucionava crimes com apenas duas armas: seu cérebro e sua pistola que disparava um gás que sedava seus inimigos. Um autêntico herói da Era de Ouro dos quadrinhos, revitalizado na série Sandman – Teatro do Mistério, uma excelente HQ no gênero noir ambientada nos anos 30. Tem seu 6º lugar aqui representando a categoria.

5. Fox Mulder & Dana Scully

Essa dupla fez a alegria dos nerds dos anos 90 carentes de uma boa série de ficção e mistério. Arquivo-X foi um fenômeno por abordar temas totalmente bizarros com uma abordagem realista, fazendo passar por críveis os absurdos da série. Apesar desses bons elementos foi o carisma da dupla de investigadores Fox Mulder e Dana Scully quem garantiu as melhores fases do seriado (as temporadas finais devem ser solenemente ignoradas).

Fox Mulder, obcecado com a abdução da irmã por alienígenas, aprendeu muito bem que afastado o impossível, o que sobra, ainda que improvável é a verdade – e sua genialidade como detetive era justamente alargar os limites do possível e do improvável. Auxiliado por sua cética parceira Dana Scully, que fazia com que Mulder não se perdesse em sua credulidade no absurdo. Ótimos personagens e ótima série, mas não deve ser assistida novamente (regra dos 15 anos). Vamos deixar nossas memórias intocadas e deixar um ótimo 5º lugar para a dupla de agentes do FBI.

4. Hercule Poirot

O herói de mais de 30 livros da escritora Agatha Christie além de filmes e séries. O baixinho careca resolve seus casos utilizando “suas pequenas células cinzentas” e “ordem e método”, mas também dá especial atenção à natureza psicológica das vítimas e dos criminosos. Um justo 4º  lugar.

3. House

O dr. Gregory House só não está mais alto nessa lista porque não é propriamente um detetive, mas sem dúvida é uma  “pessoa que busca e descobre fatos que não estão facilmente acessíveis”. Diferentemente dos outros colocados, House preferiu utilizar sua incrível mente analítica não para combater o crime, mas para diagnosticar doenças – uma forma de mistério, sem dúvida. Uma honrosa medalha de bronze para um médico.

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2. L

Death Note certamente foi um dos mangás mais interessantes já produzidos e pelo menos metade do interesse se deve à enigmática figura de L, o detetive que se propõe a desvendar os assassinatos causados pelo assassino conhecido como Kira.

Criado para representar a Justiça, L é o maior detetive do mundo. Ninguém conhece sua face, embora já tivesse ajudado as forças policiais do mundo inteiro em incontáveis casos antes mesmo da trama de Death Note começar. Nunca revelou sua face para o mundo, se apresentando pelo intermediário – e fiel companheiro – Wataru.  A mistura de genialidade com alguns traços infantis – sua obsessão por doces, por exemplo – o tornam um personagem ao mesmo tempo distante e próximo aos leitores. Prata merecida.

1. Batman

Ok, esse personagem tem muitas facetas, mas uma das melhores é certamente seu aspecto detetivesco. No universo DC um de seus epítetos é “o melhor detetive do mundo”. E ele certamente o é.  Em um mundo onde existem seres como Superman, Flash, Mulher-Maravilha – e ameaças à altura de todos eles – o que faz o Batman relevante é sua habilidade investigativa insuperável. Não são poucas as histórias da Liga da Justiça em que o Batman salva o dia como um deus ex machina, antecipando todos os movimentos dos adversários com suas habilidades investigativas. Com mais de 70 anos de carreira o Morcego leva o ouro.

Mas calma, crianças. Eu sei que vocês estão sentindo falta de alguém aqui.

Hors  concours: Sherlock Holmes

Uma lista dos melhores detetives na qual figurasse Sherlock Holmes seria no mínimo desleal para com esses célebres personagens que se propuseram a desvendar mistérios, afinal ele pode não ser o primeiro (título controverso, mas normalmente atribuído a Auguste Dupin, criado por Edgar Alan Poe), mas certamente é o arquétipo de todos.

Criado por Sir Arthur Conan Doyle em 1887, ele é a quintessência de todos os demais detetives. Dessa lista a metade é descaradamente inspirada nele, e a outra metade é só simplesmente inspirada.

E citar Holmes sem dizer nada sobre seu companheiro Watson seria imperdoável. Watson também firmou-se como o arquétipo de todo sidekick: ele sempre está lá, não só como companheiro fiel e narrador de suas histórias, mas tornando Holmes inteligível – e admirável – para seus leitores.

O jeito peculiar de Sherlock, seu método dedutivo (que ele encarava como uma ciência) e sua argúcia fixaram-se nas mentes de várias gerações sob várias encarnações. As mais recentes são  (já que estamos fazendo top, vamos da pior para melhor):

3) Elementary

Na série vemos Holmes no século XXI resolvendo crimes em Nova York ao lado de Joan Watson (sim, cometeram esse sacrilégio). Sofrível.

2) Os filmes com Robert Downey Jr.

Apesar de terem transformado o Sherlock num herói de ação, os filmes são passáveis.

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1) Sherlock

Elementary copiou sua premissa daqui: transportar Holmes para o século XXI, mas, diferentemente da versão americana, os roteiristas da série da BBC respeitam o cânone estabelecido por Conan Doyle. Imperdível.

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E, para encerrar, uma batalha épica entre os maiores detetives da cultura pop:

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Sobre Nerdbully

Mestre do Zen Nerdismo.
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14 respostas para Top 10: Os detetives mais fodões da cultura pop

  1. Sidekick disse:

    Tenho alguns comentários sobre a lista!
    Fiquei de fato feliz de você ter colocado o L, foi um dos mangás que mais gostei de ler. Claro que a lista carrega a sua cara, afinal o texto é seu, focando portanto em anos 80 e 90 (fora clássicos intocaveis), mas algumas referencias mais atuais foram muito bem colocadas.
    Quanto ao filme do Sherlock com o Robert Downey Jr, acho que ele é apenas um reflexo da geração para qual ele foi feito. Já tivemos essa discussão sobre as gerações algumas vezes, mas acho que serão filmes que travarão na regra dos 15 anos…
    Fechar com Epic Rap Battles of History foi maestral!

  2. Gustavo disse:

    Parabéns pela lista!
    Adorei todos os comentários e o seu site também!
    Gostei muito!
    Parabéns

  3. Fernando disse:

    Oi, estou passando e gostando bastante dos seus textos, está difícil de desgrudar 😀
    Não li nada de Death Notes, mas notei um detalhe interessante: o fato do detetive L gostar de doces, lembra um pouco Nero Wolfe.

  4. James Fond disse:

    Adorei a lista.Claro que o James Bond também é bom detetive,mas concordo que ele é como eu:Mais ação e menos investigação.Parabéns pela lista!

  5. Sem sombra de dúvidas esse foi um dos textos pelos quais mais me interessei em ler nas últimas semanas aqui. Eu comecei a gostar de ler graças à Agatha Christie e logo fui seduzida pelo universo “detetivesco”. Com isso, nem preciso dizer que gostei muito de ver o Poirot ali na lista e, ainda que o Hastings não tenha sido mencionado (no quesito “escudeiro”), é realmente óbvia a influência de Sir Conan Doyle nos textos da autora. Só depois de ler alguns (muitos) livros da Agatha, fui para Sherlock (estranho, mas verdade) e seria realmente uma competição injusta colocar o personagem na lista, não tem competição. E só uma coisa: Elementary nem merecia estar apenas 2 posições abaixo de Sherlock, afinal, posso estar exagerando, mas Sherlock é uma série incomparável. Para quem leu as histórias, é impressionante ver como eles fizeram o que era praticamente impossível: colocar os elementos principais da história na qual o episódio foi baseado lá, mas de uma forma atual. O episódio baseado no “Cão dos Baskerville” prova isso. E alguém melhor que Benedict para o papel? Tarefa difícil. Ah, resumindo, adorei ver na lista Mulder e Scully, Batman, House (!!). São muitos personagens a serem citados, mas como leitora fiel da Agatha, senti falta da Miss Marple na lista também rs.

  6. Pingback: Entre a ética e a ficção: A questão palestina, Death Note, Latuff e House of Cards! | Quadrinheiros

  7. Fernando Fernandes disse:

    Faltou o Spider Jerusalem hein

  8. antonio levi disse:

    Batman e sherlock na frente do L? Ah,e Batman na frente do House? Blasfêmia!

  9. Leivas disse:

    Batman é o PRIMEIRO, sem dúvida, mas a série Sherlock da BBC merecia a prata. Senti falta do Spirit e de Arséne Lupin, o primeiro por ter mais de 60 anos “de praia” e influenciar a literatura policial até hoje e o segundo, apesar de não ser um detetive (já que tem o House na lista…) por ser um campeão de raciocínio lógico e outras armações (mas tá, seu tempo “pop” já passou…)

  10. Elinaldo Pereira disse:

    Faltou o Robert Goren ( interpretado por Vincent D’Onofrio, Law & Order)

  11. Lucas. disse:

    O que eu queria comentar a respeito é uma certa dissonância que tenho visto nas (poucas) resenhas do filme que encontrei na imprensa, e que se referem ao filme como uma espécie de “releitura” do personagem, como se Holmes tivesse sido recriado como “super-herói” ou “herói de ação”.
    Dissonância que mostra que os críticos talvez estejam familiarizados com os filmes anteriores do grande detetive, mas certamente não com os livros.
    Porque o personagem de Conan Doyle era, afinal, um herói de ação: em O Signo dos Quatro, por exemplo, Holmes não só protagoniza uma excitante perseguição de lancha pelo Tâmisa à noite, como ainda é reconhecido por um ex-pugilista profissional, que se lembra de ter sido nocauteado por ele numa luta.
    Além disso, em A Aventura da Casa Vazia, o detetive revela ser um mestre de “baritsu”, uma arte marcial japonesa cujo correspondente no mundo real é um certo mistério — a palavra parece ter sido cunhada por Conan Doyle ou a partir de “bartitsu” — uma versão de jiu-jitsu introduzida na Inglaterra em 1899 por um sujeito chamado Barton-Wright (“Barton”… “bartitsu”… sacou?) — ou de bujitsu, um termo genérico para artes marciais.
    Holmes também é descrito por Watson como um exímio lutador com bastão, uma habilidade que salva a vida do detetive quando um bando de malandros de rua tenta atacá-lo em O Cliente Ilustre.
    Além disso, é importante lembrar que o detetive, após travar luta corporal com o professor Moriarty em O Problema Final, escala as escarpas suíças com as mãos nuas, e se envolve numa peregrinação que o leva ao Tibete.
    No cinema, no entanto, o personagem sempre havia sido interpretado por atores mais velhos — como Peter Cushing — e as limitações de orçamento e efeitos especiais impediam que esse lado de Holmes florescesse nas telas.
    Ah, sim: o Sherlock do novo filme não “aposentou” a capa e xadrez e o chapéu de caçador: ele simplesmente nunca os usou (i.e., nunca foi descrito por Conan Doyle envergando esse tipo de traje). A capa inverness e o chapéu deerstalker são adições feitas pelo ilustrador original das histórias, Sidney Paget.
    Por fim, Watson: ao contrário dos retratos cinematográficos anteriores, o doutor John H. Watson dos livros nunca foi um velhote paspalho. Ele entra na vida de Holmes ainda relativamente jovem, recém-dispensado do exército por ter se ferido na guerra. É não só um soldado treinado e homem de ação, como faz sucesso com as mulheres (Jude Law está bem no personagem quanto a isso!) e gosta de apostar em cavalos. Como no filme.
    O filme em si trapaceia um bocado com o espectador — não é um mistério “fair play”, daqueles em que todas as pistas estão ao alcance do leitor/espectador mais atento — mas o enredo tem coerência, o que é mais do que se pode dizer de muito blockbuster por aí.
    Enfim: foi necessário esperar que se passasse uma década inteira do século 21 para que o herói mais emblemático do 19 aparecesse por inteiro na tela.

    • Nerdbully disse:

      Sem dúvida o Holmes de Doyle tem habilidades físicas e executa, vez ou outra, alguma proeza física nas suas aventuras. Porém, nos filmes com Robert Downey Jr o foco é a ação (e ação física), que nunca foi central nas histórias de Holmes escritas por Doyle. Dizer que o Holmes de Doyle era um “herói de ação” por isso é, no mínimo, um equívoco. Não sei sobre os outros “críticos” que você cita, mas eu utilizei o termo no sentido estrito dos heróis de ação dos filmes norte-americanos. Claro, se não for usado em sentido estrito qualquer herói que trocar sopapos ou escalar uma montanha será um “herói de ação”, mas não um action hero.
      Concordo que algumas características determinadas por Doyle foram respeitadas nos filmes estrelados pelo Homem de Ferro. Daí a dizer que o personagem apareceu “por inteiro” em tais filmes acho um tanto exagerado. O Holmes de Robert Downey Jr está mais para o agente Ethan Hunt (sobretudo do segundo filme, dirigido pelo John Woo) do Tom Cruise do que pro Holmes de Doyle.

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