Batman em dose tripla ou “você ainda compra gibi mensal?”

Há quem critique o formato como as revistas da Marvel e DC saem aqui no Brasil. Aqui não temos cada edição separada como nas  edições gringas, mas mix de revistas. Se formos analisar pagamos mais barato por mais conteúdo. No EUA cada revista sai por 3,99 dólares, ou seja, arredondando, 8 reais. Aqui pagamos 5,90 por três revistas. Economicamente mais viável, porém o problema não é lançar as revistas nesse formato, mas o que você coloca nesse mix. Já comentamos isso aqui.

Vamos ver o caso da Liga da Justiça. As aventuras da Liga, no geral, são boas. Ação com os personagens mais icônicos das histórias em quadrinhos. Você com 12 anos não queria outra coisa. Mas ter que comprar junto a Liga da Justiça Internacional e o Átomo é pedir demais agora que você é cool e não lê mais gibis, apenas comics ou histórias em quadrinhos, ou melhor ainda, graphic novels, que isso sim é coisa de adulto.

Nesse ponto o mix do Batman tem uma vantagem. Das três edições publicadas com o Morcego – Batman, Detective Comics e Dark Knight – a única realmente ruim é a última.

Não é nem daquelas revistas que você lê em uma cagada e se diverte. O negócio é ruim mesmo. Com desenhos de David Finch e roteiro de Paul Jenkins e do próprio Finch, vemos o Batman apanhar de vários vilões graças a uma versão da droga utilizada por Bane que está sendo distribuída por Gotham e acompanhamos o herói na investigação (leia-se sequencia de brigas sem sentido com vários vilões) para descobrir de onde vem a droga. O Batman é salvo pelo Flash na edição 3 (isso mesmo, não é o contrário) e na edição 4, última a sair no Brasil, vemos o Batman pedir ajuda pra a Liga da Justiça. Bitch, please. Quando o mundo precisa de ajuda, chama-se a Liga da Justiça. Quando a Liga precisa de ajuda, ela chama o Batman. Simples assim.

Mas você pode perguntar Poxa, mas não tem nada de bom? Tem sim, se você está passando pela puberdade pode ler a revista num lugar mais… reservado e ver a Coelha Branca que aparece em algumas edições.

Detective Comics escrita e desennhada por Tony Salvador Daniel é boa. Começou com um embate com o Coringa, que tem seu rosto voluntariamente arrancado por novo vilão, o Criador de Bonecas. A trama gira em torno desse novo vilão e de sua relação com o Palhaço do Crime. Aliás uma das mais aguardadas surpresas pós-reboot é essa reformulação do Coringa, que deve ser revelada na edição 14 de Batman, que faz parte da saga Death of the Family. É, vai demorar pra chegar aqui…

Mas Batman, com roteiro de Scott Snyder e desenhos de Greg Capullo se supera a cada edição. Mantendo as linhas da fase do Morrison para o personagem, um Batman mais descolado e menos psicótico (mas nem por isso menos obcecado em sua luta contra o crime), o roteirista se concentrou em criar um antagonista interessante para o Homem-Morcego: a Corte das Corujas, uma espécie de sociedade secreta formada por famílias poderosas de Gotham que controlam a cidade em segredo há séculos. Entrelaçando-a com o passado de Gotham, dos Wayne e do próprio Bruce (parece que a Corte está ligada ao assassinato dos pais do Cavaleiro das Trevas), Snyder garante um desafio realmente à altura do maior detetive do mundo.

Não é a toa que aqui no Brasil o Batman foi o primeiro dos Novos 52 a esgotar (nos EUA foi a Liga da Justiça). Se aquele adolescente de 12 anos que você foi (ou ainda é)  para  nas bancas para folhear aquele monte de gibis e sonha em tê-los na estante, mas o adulto sabe que aquela pilha de histórias de baixa qualidade só ocupam espaço, o mix Batman é uma boa saída para conciliar os dois lados: vai ocupar espaço, mas vale a pena.

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Sobre Nerdbully

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Uma resposta para Batman em dose tripla ou “você ainda compra gibi mensal?”

  1. Marcelo Bragança Rua disse:

    Muita invencionice pro meu gosto. Fico com as histórias clássicas. Principalmente as da fase Neal Adams e algumas se quências de Um Conto de Gotham na editora Abril e as séries O Cavaleiro das Trevas e Ano Um de Frank Miller…

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