Para deixar qualquer detetive com inveja

Salve a todos!

Como estamos animados com o projeto e publicando a todo vapor, vou postar quando já tem um post mesmo. Não acho que fará mal!

O Picareta Pisíquico me emprestou há algum tempo o encadernado da “Fell” dizendo: “É animal! Você vai curtir muito!”. Botei fé, afinal sou apenas o sidekick nesse fuzuê todo gosto muito de histórias de detetive, mas como tenho compromissos acadêmicos inadiáveis (leia-se TCC  que prometo publicar algumas partes aqui em breve…) fui deixando para mais tarde.

a proposta gráfica sensacional já vai aparecendo

Até julgando o livro pela capa o negócio é interessante!

Me ensinaram quando eu estava no começo da faculdade que era sempre bom ler ficção se você está muito atolado de leituras acadêmicas e seu cérebro para de funcionar. Isso faz oxigenar as idéias e ver o que estamos fazendo com mais atenção. Pois então aproveitei a brecha e fui ler o Fell que estava na minha mesa já tem uns 2 meses (eu juro que vou devolver Mauzanolini!).

Cara! Até o Sir Conan Doyle e a Agatha Christie ficariam de cabelo em pé com essa história. O roteirista dessa obra prima é ninguém menos, ninguém mais, do que Warren Ellis! Dê uma olhada só na lista de trabalhos do cara que você vai entender quem é esse figurão. A arte ficou por conta do Ben Templesmith, que apesar de jovem, já tem uma carreira e tanto!

Sim! Ele trabalhou com Star Wars! Não o filme, mas com a Star Wars Tales! na história Dark Journey do Jason Hall

Não vou ficar contando muito da história, afinal isso estragaria a surpresa de quem quer ler. Mas é legal contar o que a história se propõe.

Richard Fell é um detetive que foi transferido para a cidade de Snowtown. Desde o momento que ele chega, é incomodado pelo símbolo que aparece em vários lugares da cidade. É justamente essa marca que o faz tentar entender a cidade e todo o misticismo ao redor.

A entrada da Cidade já mostra suas marcas!

Todo falam que a cidade está aos pedaços, indo para o brejo. Fell se intriga com isso, e conforme vai investigando os casos mais estranhos que aparecem para ele, o detetive vai desvendando mais sobre a cidade. A história não é sobre um personagem em si, e muito menos sobre os casos, mas sim sobre os mistérios de Snowtown. Uma alegoria de uma cidade decadente cheia de coisas “estranhas”. Qualquer semelhança com Gotham City ou com a Londres de Constantine, pode não ser mera coincidência. E é nesse embalo que Fell vai se desenrolando. São casos algumas vezes macabros que envolvem magia negra, outros apenas de psicopatas e sociopatas, mas que dariam inveja até ao Coringa.

Em resumo, se você está cansado de ler história obvias e com traços já batidos, vale a pena conferir essa beleza! A dupla criou um estilo próprio, e um modelo diferente de contar histórias de detetive. Afinal, Fell não está investigando um caso específico, mas a cidade e os por quês dela estar do jeito que está.

Intrigante, instigante, com um ótimo ritmo e com sangue suficiente para fazer seu lado brucutu pular de alegria  socar alguém para manter o nível de testosterona!

Fica aqui uma dica de uma dica!

A cidade deixa Marcas! Leia e descubra o seu significado!

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6 respostas para Para deixar qualquer detetive com inveja

  1. mauzanolini disse:

    Não falei que era bom?!
    Histórias policiais são sempre interessantes. Quando a cidade é um personagem (como no caso do Batman, ou do Constantine), o impacto da narrativa aumenta. Historicamente as cidades são o palco da civilização. No campo as leis da natureza ainda são soberanas, mas nas cidades, as leis dos homens (o contrato social) é o que regula as relações e define o que é civilizado em oposição ao que é barbárie. A justiça (punição) e a policia (vigilância) são a linha de frente dessa defesa , e os seus membros (policiais, advogados, juízes) caminham nessa linha tênue entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Acompanhar a vida cotidiana desses personagens, seu conflitos, suas incertezas, nos atrai fortemente porque no fundo dependemos deles, contamos com eles. A cidade como palco/personagem dessas narrativas mostra a força do engenho humano ao mesmo tempo a fragilidade dos indivíduos.
    E já que tudo começou com uma dica, aqui vai outra – no filme Asas do Desejo (do Wim Wenders) o Peter Falk (que ficou famoso pelo papel do detetive Columbo nos anos 70), faz o papel dele mesmo (no filme ele é o ator Peter Falk que esta em Berlin para participar de um filme). Mas lá pro meio do filme (spoiler!) ele se revela um anjo que escolheu ser mortal. Um anjo (o anjo da história do Walter Benjamin*) que caiu na Terra (por vontade própria) e escolheu contar histórias de detetive, histórias de civilização versus barbárie no palco do mundo finito dos homens.
    E se você achou boa essa metáfora de homens e anjos, mais uma dica – leia Sandman!

    *volto a falar do Walter Benjamin num próximo post

    • Sidekick disse:

      realmente! tudo que você colocou complementa o que escrevi no post. Mas quanto a dica do Sandman eu ainda colocaria em outra categoria. Ele está trabalhando com o nível ainda mais mítico e místico da coisa. Enquanto Batman, Hellblazer e o próprio Fell são os mitos recontados e reestruturados, o Sandman é o mito em si. O background de estudos do Niel Gaiman é absurdo!

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