A Supergirl de Tom King e Bilquis Evely

Supergirl 01

Minissérie assinada por Tom King e Bilquis Evely mergulha na essência da personagem.

Kara Zor-El, a prima do Superman, foi criada em 1959, na Era de Prata dos quadrinhos de super-heróis, para ser parte da “família” do personagem. Outros personagens como o Capitão Marvel (Shazam), fizeram um enorme sucesso com essa fórmula, que virou tendência. Na origem, Kara, uma adolescente kryotoniana, acompanha o colapso de seu planeta. Sua cidade é preservada da destruição, mas algum tempo depois um chuva de meteoros destrói a proteção que mantinha a cidade intacta, e Kara é enviada para o espaço (assim como seu primo). Sua nave chega à Terra muito tempo depois da nave de Kal-El, mas o Superman a recebe de braços abertos.

Nessa primeira versão, Kara chega ao planeta Terra e já assume a identidade de Supergirl e os valores de seu primo, como se todo trauma que ela viveu anteriormente já tivesse sido superado. Isso também era algo comum na Era de Prata. Muitas histórias tinham reviravoltas mirabolantes, mas tudo voltava ao “normal” no fim da aventura, sem grandes consequências físicas ou psicológicas para os protagonistas.

Supergirl 02

Depois da morte de Kara durante a Crise das Infinitas Terras, e de algumas outras personagens que assumiram a identidade de Supergirl, o reboot Novos 52, de 2011, reintroduziu a personagem, revisitando a sua origem, dando a ela ainda mais poderes, mas dessa vez focando nos aspectos emocionais da experiência vivida por ela em Krypton. Nessa nova fase os conflitos com seu primo e a dificuldade de se sentir integrada no planeta Terra levaram Kara ao outro extremo – ela recebe um anel dos Lanternas Vermelhos e dá vazão ao ódio e a frustração que a consumiam.

Supergirl 03

Mas quem é a Kara Zor-El da minissérie Supergirl: A Mulher Do Amanhã, roteirizada por Tom King e magistralmente desenhada pela brasileira Bilquis Evely? Nem a personagem sem profundidade da Era de Prata, nem a Supergirl fora de controle dos Novos 52. Na história acompanhamos uma jovem de 21 anos que usa sua bagagem emocional para se vincular emocionalmente com outros seres que passaram por experiências similares. A narrativa abre com Ruthye Marye Knoll narrando seu trauma, sua busca de vingança e seu encontro com a Supergirl. A impetuosidade dela e a de Kara são similares, já que a Supergirl está num bar de um planeta banhado pela luz de um sol vermelho, para que ela possa beber e sentir os efeitos do álcool, no seu vigésimo primeiro aniversário. Mas são as perdas sofridas por Kara Zor-El que vão ajudar Ruthye e outras personagens a equilibrar alegrias e dores.

Supergirl 04

Ao longo da história Tom King trás os aspectos nonsense das histórias da Era de Prata e revisita a adolescência de Kara em Krypton, em toda a narrativa revelando uma nobreza na postura da protagonista. Essa percepção está no cinturão dourado de Kara, na percepção de Ruthye de que sua amiga sempre tem um olhar de esperança em relação a outras pessoas, mas também na elegância do traço de Bilquis Evely e nas cores matizadas do também brasileiro Matheus Lopes.

Supergirl: A Mulher Do Amanhã é um marco para a personagem. Tanto o uso que o autor fez do passado (e do futuro) de Kara quanto o traço de Bilquis Evely terão impacto por muito tempo nas histórias de super-heroína.

Sobre Picareta Psíquico

Uma ideia na cabeça e uma história em quadrinhos na mão.
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2 respostas para A Supergirl de Tom King e Bilquis Evely

  1. Mike Wevanne disse:

    “Essa percepção está no cinturão dourado de Kara, na percepção de Ruthye de que sua amiga sempre tem um olhar de esperança em relação a outras pessoas.” — essa Supergirl parece mais Superman do que o Superman.

  2. Kethllyn Oliveira disse:

    Finalmente uma história de peso para a Kara Zor-El, visto o tamanho da sombra que colocaram sobre ela após a Série da WC…

    Enfim, que a era dos quadrinhos traga tudo aquilo que ficou implícito na Série. Assim como o tão merecido “amor/redenção” que, como de praxe, todos os heróis possuem.

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