10 histórias que gostaríamos de esquecer (mas não podemos)

Uma sucessão de momentos vergonhosos.

Sábado à tarde, uma fina garoa cai sobre uma fila de pedestres em porta de shopping. Em meio ao rodapé de uma pandemia que não tem notícia de sumir, lembramos: a seleção natural é tudo, menos injusta.

Se ali não há quem se acanhe, há quem pense que partirá dessa para melhor sem pagar o devido quinhão. Pode ser em espécie, dinheiro, chaga ou enfermidade. Mas pra quem quer pagar barato, o custo é nada além da mais pura vergonha. Afinal, aptidão à vida é ficar atento aos sinais e prevenir uma pisada de jaca. No caso, é lícito criar vergonha na cara,  sair de fininho da fila e fingir que aquilo nunca aconteceu. Mas já que a existência é generosa na distribuição de embaraços, aproveitamos o ensejo para lembrar: nos quadrinhos não é diferente.

Considere os quadrinhos um sismógrafo da criatividade e imaginação. Neles, assim como na fila do shopping, há flagrantes exemplos da mais reprovável falta de noção. Como no mundo do home office não há trégua nem descanso, reunimos aqui apenas uma curta súcia de passagens constrangedoras. Dez exemplos de que merda acontece, a vergonha é inevitável, mas a prudência impede o esquecimento.

A elas.

  1. X-Men e os vampiros (The Curse of Mutants, 2010, Victor Gischler, Stuart Moore, Duane Swierczynski, Chuck Kim, Simon Spurrier, Kathryn Immonen)

Por volta de 2010, as histórias dos X-Men amargavam narrativas medíocres e pouca ambição. Impulso reativo, a Marvel pegou carona no sucesso de filmes como Crepúsculo (de todas as outras possibilidades de sucesso comercial) e converteu uma baciada de mutantes ao vampirismo na saga The Curse of Mutants. Atrações do Programa Silvio Santos já foram mais cativantes.

  1. Superman vermelho e azul (Superman Red/Blue, 1998, Dan Jurgens)

Continuidade ao retorno do Superman à vida, depois da saga de morte e ressurreição do herói nas mãos de Dan Jurgens, veio esse desastre de trem em forma de quadrinhos. O Superman se tornou um ser de pura energia. Como o Visão, podia alterar a densidade do seu corpo. Como a Tempestade, ganhou poderes sobre a eletricidade. Como a Fóton, viajava em fluxos de luz. Passadas duas décadas pergunta-se: por que?

  1. Homem de Ferro adolescente (Iron Man 325, 1995, roteiros de Terry Kavanagh e Dan Abnett)

Na saga The Crossing é revelado que Homem de Ferro era um agente duplo a serviço do vilão Kang. Os Vingadores bolam um plano infalível: viajar ao passado e trazer uma versão mais xóvem de Tony Stark para o futuro. Com ele, vem uma versão tenebrosa da armadura do herói, assim como uma saga agonizante. Foi pouco antes da saga Heróis Renascem, quando a Marvel terceirizou Rob Liefield e Jim Lee para revitalizar os Vingadores e o Quarteto Fantástico. No fim, a editora reverteu tudo. O Homem de Ferro que ficou foi o Tony Stark adulto e não se falou mais nisso.

  1. Capitão América com armadura (Captain America 438, 1995, roteiros de Mark Gruenwald)

Mais um exemplo de uma porção de heróis que ganharam uma armadura cromada, moda característica dos anos 90. O mote das histórias é o esgotamento do soro do supersoldado no organismo do Capitão América. Mas de todos os outros heróis que ganharam armadura, parece o mais desprovido de inspiração.

  1. Justiceiro: Anjo da Morte (Punisher 4, n. 1, 1998, roteiros de Tom Sniegoski e Christopher Golden)

Assim, a tentativa de revitalizar Frank Castle, ali como um ressuscitado dos céus para punir os ímpios, merece respeito. Mas numa época em que Spawn era decoração de loja de quadrinhos e Hellblazer já era praticamente mainstream, a ideia tinha cara de pão vencido e cheiro de feijão mofado.

  1. Wolverine sem nariz (Wolverine n. 100, 1996, roteiros de Larry Hama)

A saga Atrações Fatais (publicadas num catatau em formatinho pela Abril em 1996) mostrou Magneto arrancando o adamantium dos ossos de Wolverine. Depois disso, parece que quem se exauriu foram os roteiristas. Logan ia perdendo a humanidade pouco a pouco. O ápice dessa involução foi a subtração total de nariz. Explicações? Não há. Razões? Jamais saberemos.

  1. O “amor assassino” do Homem-Aranha (Spider-Man: Reign, 2007, Kaare Andrews)

Sempre imaginei a reunião em que Kaare Andrews tentava convencer os editores da Marvel a fazer uma versão do Batman: O Cavaleiro das Trevas com o Homem-Aranha. “P*&%$! Por que não pensamos nisso antes???” – alguém deve ter dito. Que sorte seria se outro respondesse “Gente, tá na hora do almoço. Depois a gente vê isso.” Se você não leu, ótimo. Olha o spoiler: o velho e deprimido Peter Parker se culpa por ter matado a esposa, Mary Jane Watson, por envenenamento de sêmen radiativo. Pois é.

  1. Xavier a fim da Jean Grey (X-Men 3, 1964, roteiros de Stan Lee)

Claro, hoje ninguém imagina a Jean Grey em outra relação que não seja no trisal formado com Ciclope e Wolverine. Mas lá quando nas histórias dos X-Men só tinha mato, o Prof. Xavier teve que se conter nos sentimentos pela sua mais recente aluna.

  1. O amor de Feiticeira Escarlate e Mercúrio em Ultimates (Ultimates n. 8, 2002, roteiros de Mark Millar)

O universo Ultimate foi um alento de criatividade e inovação para os Vingadores. Muito talento de gente que era pouco conhecida, como Mark Millar e Brian Michael Bendis, ganharam o estrelato com visões totalmente originais sobre heróis consagrados. Mas convenhamos, essa ideia do Millar, de que os irmãos Pietro e Wanda Maximoff que, além de irmãos, eram amantes, foi mais longe do que o necessário.

  1. Superman queria casar com a Supermoça (Action Comics 289, 1962, Jerry Siegel e Jim Mooney)

O Superman usa seu “especuloscópio” para testar hipóteses das melhores parceiras de casamento. Uma a uma, ele reconhece que nenhuma mulher seria apta suficiente para se tornar uma superesposa. Exceto Kara Zor-El, sua prima de Kandor, a Supergirl. Mas já que a tradição kryptoniana impede casamento entre primos, ele deixou a ideia de lado. É de se perguntar se alguém na época deu lá muita importância pra essa história de 1962. Mas se fosse publicada hoje, talvez quebrasse a internet.

Sobre Velho Quadrinheiro

Já viu, ouviu e leu muita coisa na vida. Mas não o suficiente. Sabe muito sobre pouca coisa. É disposto a mudar de idéia se o argumento for válido.
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3 respostas para 10 histórias que gostaríamos de esquecer (mas não podemos)

  1. Arth Silva disse:

    kkkkkkk discordo de muita coisa ai!!
    mas foi legal a lista!!!

  2. Santuário HQ disse:

    Péssima lista… No bom sentido! Muito divertido relembrar dessas bombas. Infelizmente não tem mesmo como esquecer!

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