Tom Strong e a Educação

741303-tom_strong_1_1024x768Conheça a crítica de Alan Moore ao sistema tradicional de ensino presente em Tom Strong!

Tom Strong parece ser um quadrinho que se propõe simplesmente a narrar as histórias do herói homônimo do título e muitos podem achar apenas uma leitura divertida e descompromissada de Alan Moore, porém não é em qualquer história  que encontramos análises e reflexões tão interessantes  e eis que na oitava edição (que está no segundo encadernado lançado pela Panini)  há uma crítica ao sistema tradicional de ensino, que é visto de forma assustadora para a futurística cidade de Millenium City, lar de Strong, “herói científico” inspirado no personagem pulp Doc Savage.

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Alan Moore parte do ponto em que os estudos são desinteressantes na escola, gerando assim um desestímulo para muitos alunos e até os afastando da vida escolar. Na história, Timmy Turbo e seus amigos fazem uma excursão em uma espécie de museu que retrata as escolas do passado (no caso remetendo à nossa época), onde  uma das garotas que lá estavam acaba sendo sequestrada para dentro de uma carteira e Timmy e seus amigos vão investigar o caso. A partir daí podemos ver robôs controlando as crianças e impondo atividades que elas não querem, demonstrando de forma clara o que o autor pensa a respeito da maneira como o ensino é aplicado na maioria escolas.

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Moore largou a escola na adolescência e percebeu que poderia estudar por conta, assim entendeu que a Academia é uma das tantas possibilidades de se adquirir conhecimento. É uma de suas características realizar  uma gama de pesquisas muito grande ao escrever uma história. Desde jovem ele frequentava a biblioteca de sua região em Spring Boroughs para estudar de forma independente e este método acabou sendo uma das tantas possibilidades do autor expandir seu conhecimento, e se para ele foi possível desenvolver um modo mais livre e pessoal de aprender (conheça mais sobre a vida do Mago aqui), o mesmo muitas vezes não ocorre para outros onde a educação é imposta, fazendo muitos desistirem dos estudos, e isto quase aconteceu com o próprio Tom Strong!

Ambos os autores do Arqueologia Vertigo (eu e o Goes Murdock) que acabam de chegar aos Quadrinheiros saíram recentemente da escola e sempre procuraram estudar o ambiente no qual estavam inseridos. Conhecendo Moore, sempre aderimos à ideia de estudar por conta e aprendemos a associar o aprendizado a algo bom, não maçante e impositivo, mas questionador e enriquecedor. Existem pesquisas na área da educação que afirmam que os sistemas predominantes em grande parte das escolas do mundo são autoritários, sendo prejudiciais para o aprendizado das pessoas. A associação de aprendizado ao tédio e a forma que as pessoas começam a lidar com ele dificulta o gosto por qualquer coisa que tenha estruturas parecidas com o estudo, tornando-o chato e temível.

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Em apenas 9 páginas Alan Moore nos apresentou o que pensa dos métodos de educação tradicionais em que a grande maioria das pessoas ainda está inserida. A forma de ensino autoritária que encaramos durante nossa formação escolar acaba gerando um problema gravíssimo ao associar aprendizado com algo ruim, dificultando a vontade das pessoas em ampliar seus conhecimentos em qualquer área, o que contribui para que acabem desistindo de estudar, de adquirir saberes.

Mas existem outros meios de ter acesso ao conhecimento, associando-o a algo muito positivo. Strong quase desistiu dos estudos por ter sido educado em métodos extremamente autoritários e talvez tenha seguido o caminho de Moore ao adotar o autodidatismo.

Qual caminho você trilha para aumentar sua gama de conhecimento?

Se quiser conhecer mais a respeito de Tom Strong veja o episódio do Arqueologia Vertigo em que comentamos outros aspectos do quadrinho:

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Sobre John Holland

Procurando significados em páginas de gibi enquanto viaja pelos trilhos do conhecimento e do metrô. Sempre disposto a discutir ideias e propagar os quadrinhos como forma de estudo, adora principalmente a Vertigo, está sempre disposto a conhecer novos quadrinhos e aprender o máximo de coisas possível!
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3 respostas para Tom Strong e a Educação

  1. João Gabriel Rodrigues de Oliveira disse:

    Que bela estréia!

    É um dos assuntos que mais me chamam a atenção. Passei todo o meu período escolar negligenciando a escola, mas não o conhecimento. Percebi que estava aprendendo ao jogar RPG, video game, ler quadrinhos… E agora na vida adulta, eu percebo que quero ser professor justamente para mostrar aos alunos que a escola não é a única fonte de conhecimento. Que eles podem aprender independentemente da rígida estrutura escolar. Quero ser professor para mostrar que eles não precisam de professor! Faz sentido isso?? hehe

    O problema é que eu mesmo ainda não me adapto muito bem ao ensino tradicional, mas preciso passar pela academia para poder validar-me como professor de fato. Ou seja, preciso aprender a me adequar à educação formal, para ensinar futuros alunos que ela não é a única opção.

    • Nerdbully disse:

      Tem uma frase muito interessante, se não me engano é do pensador francês Michel Onfray, que diz que o professor deve ser como uma ponte – ele serve para ser ultrapassado – nada mais, nada menos. Foucault também diz que “O diploma serve apenas para constituir uma espécie de valor mercantil do saber. Isto permite também que os não possuidores de diplomas acreditem não ter direito de saber ou não serem capazes de saber. Todas as pessoas que adquirem um diploma sabem que ele nada lhes serve, não tem conteúdo, é vazio. Em contrapartida, os que não têm diploma dão-lhes um sentido pleno. Acho que o diploma foi feito precisamente para os que não o têm”. Claro que ele disse isso nos anos 70, na França, mas hoje aqui no Brasil também temos o fetiche do diploma. As pessoas estão interessadas no diploma, não na formação, infelizmente. O diploma serviria para atestar a sua formação em determinada área, mas hoje o que vemos são pessoas diplomadas sem formação, e pessoas com muita formação sem diplomas. Tendo passado por um bacharelado, uma licenciatura e um mestrado posso dizer que tenho muito orgulho da minha formação, e que os diplomas foram só uma consequência.

  2. Pingback: Alan Moore: profeta do Apocalipse? | Quadrinheiros

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