Ficção científica e imbecilidade humana

genius-memeNós, seres humanos, somos imbecis. E justamente por isso, nos passamos por incríveis. Fazemos de tudo, e um pouco mais, para gerar uma pretensa e suposta vida eterna, seja através da medicina, seja através da simples procriação. Tornar perene tudo que fazemos e deixar marcas de nós na história. Porém deixamos de lado, quase sempre, um fator de suma importância: O lugar no qual vivemos é finito.

É interessante notar que na grande parte das vezes que precisamos pensar sobre a finitude dos recursos, uma das primeiras respostas é procurar uma nova fonte. O carvão mineral, usado para gerar energia em muitos países durante a revolução industrial, foi substituído pelo petróleo. Agora buscamos substituir o petróleo por novas fontes “renováveis”, mas com um imenso custo ambiental. Não conseguimos pensar de uma maneira que seja de manutenção da terra e dos recursos, mas sim sempre uma nova maneira de consumi-los.

Para entender um pouco dessa história de hidrelétricas, deixo para Sá e Guarabira contarem um pouco do impacto: https://youtu.be/WUi38wsiAdQ

Para entender um pouco dessa história de hidrelétricas, deixo para Sá e Guarabira contarem um pouco do impacto: https://youtu.be/WUi38wsiAdQ

Parece tão longe essa discussão do mundo dos quadrinhos, mas na Tales of Suspense número 39, de Março de 1963, encontramos duas respostas para uma mesma pergunta. É nessa edição que há a primeira aparição do Homem de Ferro, um filantropo que supera a maior fraqueza humana, a morte, para poder preservar valores. Mas é sobre a história seguinte que quero chamar a atenção.

Sob o título “O Último Foguete”, a história narra sobre como dois seres humanos vão na contramão do que toda a humanidade estava fazendo. Sob o iminente fim do sol, por razões não explicadas, um casal de fanáticos pela natureza opta por permanecer na terra, ao invés de fugir, como fez toda a humanidade. Todos os consideram loucos, mas eles não param de reafirmar o quanto é importante que preservemos onde estamos. O desfecho vale ser lido. O argumento é do Stan Lee, mas o roteiro é de Larry Lieber.

Página final da pequena história. Ela nos deixa pensando justamente numa resposta divina...

Página final da pequena história. Ela nos deixa pensando justamente numa resposta divina…

Pouco menos de 10 anos depois Isaac Asimov publicou o livro “O próprios deuses”, no qual usando de conceitos da física quântica, debate sobre os interesses da humanidade frente ao seu próprio fim. O quanto deixamos de lado a manutenção da Terra em nome da defesa e sustentação do presente. É interessante como ele mostra o quanto que a política se faz em nome de interesses tão baixos, além de como a história é contada sempre por um único lado.

Mas essa não havia sido, nem de perto, a primeira vez que o Grande Doutor falava da essência humana. No conto “A última pergunta”, de 1956, ele fala justamente sobre a tendência natural da entropia. E essa, para o autor, é a inquietação fundamental da humanidade. Fazendo com que a ciência, a fé, a razão e a existência humana girem ao redor dessa questão.

De uma breve maneira podemos explicar o conceito da entropia como a impossibilidade de transformar as cinzas de um tronco queimado de volta em uma árvore. O que essa alegoria quer dizer é que toda energia e matéria do universo tem a tendência de se dissipar de maneira caótica, de tal maneira que não pode ser revertido. É uma grande linha reta que leva tudo ao mais puro caos quântico, no qual nada é sustentável.

Claro que o ápice da entropia só existirá em trilhões de anos. Claro que a humanidade encontrará novos meios e caminhos de sobreviver. E é justamente por isso que somos todos incríveis imbecis. Podemos viver e agir para tornar nosso tempo e nossos objetivos mais coletivos e mais interessantes para todos os indivíduos. Podemos pensar modos de fazer com que os recursos se tornem virtualmente infindáveis. Mas invés disso, pensamos apenas na saída mais fácil.

Nolan deu uma interessantíssima resposta com Interestelar. Mas claro, não fugiu do modo mais fácil, de sairmos da nossa própria realidade. Ele mostra de uma maneira majestosa uma imensa confluência de referências ao descobrimento e à superação humana dentro de uma lógica americana. Pode causar em todo o espectador a sensação de pequenez e de impotência, mas também pode nos fazer repensar e mudar.

Podemos mudar nosso modo de ver o mundo, ou apenas dar risada de isso tudo. Douglas Adams, sem dúvida, leu e entendeu o conto de Asimov, e é daí que ele deve ter tirado sua inspiração para a trilogia de cinco livros “O Guia do Mochileiro das Galáxias”. Mas acima de tudo, podemos usar todas essas reflexões, piadas e invenções para tentar entender um pouco melhor a nossa própria capacidade enquanto indivíduos.

Apenas não entre em pânico

Apenas não entre em pânico

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