Os tempos de Zamor, O Selvagem: entrevista com Franco de Rosa

Uma conversa com o pai de Zamor, o Selvagem!

A editora Universo Fantástico traz de volta o icônico personagem dos anos 1980:  Zamor, o Selvagem! Criação do grande roteirista Franco de Rosa com desenhos de Mozart Couto.

Zamor, o Selvagem, nos transporta para uma época remota, onde a sobrevivência é uma batalha diária a ser travada. Zamor vive suas aventuras em uma área que atualmente seria a América do Sul. Sem saber sobre seu passado e origem, ele se torna um selvagem e enfrenta com sua adaga mágica desde feras sedentas de sangue a criaturas fantásticas e inimigos inimagináveis!

Páginas originais e atualizadas de Zamor por Mozart Couto

Nós batemos um papo com Franco de Rosa sobre o personagem e sua volta pela editora Universo Fantástico, que também é uma aula do mestre sobre quadrinhos e mercado editorial.

Confira!

Quadrinheiros (Q): Como surgiu a ideia de um retorno de Zamor?

Franco de Rosa (FR):  Ao conversar com o Roberto e o Vinicius da Editora Universo Fantástico, batendo papo, e sabendo do sucesso da campanha de lançamento deles, o Maximus, levantamos a possibilidade de lançar personagens que eu havia lançado na Grafipar de Curitiba, como Zamor, Ultraboy e Fargo. Como Roberto adquiriu uma edição original do Zamor, e se interessou pelo personagem, tratamos de consultar o Mozart para relançar a edição. Mozart se entusiasmou com a real possibilidade de termos o Zamor de volta. E se dedicou tanto que resolveu fazer uma nova arte-final para a primeira história publicada no Almanaque Zamor, o Selvagem da Grafipar.

Ainda acrescentou novas cenas nas duas HQs de 1982, incluiu uma HQ colorida que ele fez faz alguns anos, que permanece inédita e é desenhada em estilo de animação 2D, e, ainda, desenhou a origem do Zamor, usando uma nova técnica de desenho, sobre o roteiro que criei para esta edição.

Arte de Sequetin

Q: Há alguma inspiração de Zamor em Conan? Quais fontes de inspiração para o personagem?

FR: – Zamor não foi inspirado em Conan. Zamor estreou em gibi em 1980, em uma revista da Editora Grafipar de Curitiba chamada Sexo Selvagem. Porém o personagem existia desde 1971, quando eu fazia o fanzine Gudizo. É um herói que vive na pré-história, em uma região vizinha às grandes cidades das evoluídas Atlântida e Lemúria. Reinos inimigos que viviam em guerra. Zamor é fruto deste conflito e tem como arma uma adaga de origem atlanta.

Minhas inspirações para Zamor foram os heróis pré-históricos dos gibis, que eu lia na infância, como Targo, de Fernando de Lisboa, Hur, de Wilson Fernandes, Tarum de Paulo Fukue, Jongo, de Paulo Hamasaki, Tor, de Joe Kubert, Tarzan de Edgard Rice Burroughs, quando no mundo de Paul-ul-dom, e, principalmente Zhor, o Atlanta, escrito pelo professor de  História e roteirista de quadrinhos Francisco de Assis. Zhor foi desenhado por Walmir Amaral e Moacir Rodrigues e publicado pela Editora Taika em 1972. O universo atlantiano e lemuriano de Zhor, foi, por sua vez, inspirado nas crônicas de Homero, sobre o mundo pré-diluviano. Este universo épico, com muita coisa de ficção científica e fantasia, compõe as histórias de Zamor.

Arte de Elias Silveira

Q:  Quais as diferenças que você nota entre o mercado editorial de quadrinhos brasileiros da década de 80 e o de agora?

FR: Hoje o quadrinho vive um momento muito bom. É aceito e cultuado. E temos centenas de autores excelentes, com mais de 300 artistas produzindo só para o mercado internacional de super-heróis. Na década de 1980, o quadrinho era publicado em gibis populares, era um bom cenário. Os gibis eram vendidos nas bancas de revistas e jornais. Que eram visitadas com muita frequência pelos consumidores de quadrinhos, que encontravam nelas uma grande variedade de títulos e podiam escolher in loco, o que levar para casa. Também não havia ainda nem mesmo o vídeo cassete, filmes em DVD, videogames, internet nem celular.

Os gibis eram uma diversão barata. E as tiragens eram imensas, As da Grafipar, tinham mais de 30 mil cópias. Disney e Turma da Mônica mais de 300 mil cópias. O Batman, da Ebal, na década de 1970, itinha mais de 120 mil exemplares de tiragem. Hoje as tiragens são bem menores. Mas existem centenas de títulos diferentes. Existem obras para todos os gostos. Com tiragens que variam de 100 exemplares a 1 mil. Ou, quando a obra tem sucesso garantido, cerca de 10 mil cópias.Porém, o quadrinho hoje é um item caro, ainda mais quando comparado aos da década de 1980, que eram muito baratos. Custavam aproximadamente o dobro do valor de um jornal. Hoje há a possibilidade de se ler quadrinhos em diferentes mídias. E as edições digitais cada vez mais conquistam o público e formam novos leitores.

Vejo o quadrinho de hoje com muito otimismo. Abordando temas e gêneros dos mais diversos, e ainda, salvando o Cinema, com seus personagens e enredos desenvolvidos faz décadas.

Arte de Julio Shimamoto

Q: Na edição da Editora Universo Fantástico haverá uma nova história em quadrinhos do personagem e também um conto. Como foi visitá-lo 50 anos depois de sua criação, com toda essa bagagem artística e pessoal que você acumulou? O que o Zamor de 2021 tem de diferente e de igual ao de 1982? Como é essa espécie de reencontro com esses “eu mais jovem”?

FR: O Zamor de hoje é o mesmo de 1972. Só que muito bem desenhado Está sendo ótimo reencontrar o Zamor. O conto literário foi rascunhado em 1973, mas agora ele adquiriu forma. Era apenas um amontoado de anotações  de uma aventura extensa. A novidade maior nesta nova edição do Zamor são as pequenas crônicas. Historinhas curtas, muitas delas criando uma espécie de apresentação de uma determinada situação e personagens que lutam com Zamor ou ficam ao seu lado.

Em uma dessas historinhas surge o Portal de Conseguurr, que vem me propiciando uma infinidade de novas histórias. Já temos mais de 20 escritas. E muitas delas são base de boas histórias em quadrinhos a serem criadas. Hoje dou mais importância ao enredo das histórias, na década de 1980 estava preocupado em desenhar bem. Ter uma boa técnica em arte-final. O roteiro sempre foi natural para mim. Com o tempo adquiri experiência com a escrita. E, acho até que o meu Zamor atual é mais juvenil. Mais próximo a sua gênese de 1972.

*

E também tem Papo Quadrinheiro com Franco de Rosa:

Curtiu? Clique no link e apoie o projeto que já bateu a meta inicial e fica em financiamento coletivo até 13/02/2021.

Sobre Nerdbully

AKA Bruno Andreotti; Historiador e Mestre do Zen Nerdismo
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Uma resposta para Os tempos de Zamor, O Selvagem: entrevista com Franco de Rosa

  1. Ronaldo disse:

    Primeiro, vi, pela propaganda de vocês no facebook que a revista só seria entregue em abril. Vocês não acham isso muito tempo, não? Segundo, qual a história da adaga mística de Zamor? Gostaria de dizer aos críticos da revista que o comparam ao Conan, que nenhuma criação cultural está livre de influências externas. Querem ver um exemplo? Criei vários heróis que têm a capacidade de mudar de forma, de voar, de disparar raios, criar campos de força energéticos; de respirar e falar em baixo d’ água. Ora, vários heróis têm esses poderes. Então o que diferencia os meus heróis dos deles? A história. Se a história é outra, cria-se uma nova originalidade, um novo universo e novas possibilidades.

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