A jornada no mistério da Valquíria Jane Foster

A metafísica original do Thor dos anos 60 está de volta nas páginas de Valquíria: Jane Foster, escrita por Jason Aaron, Al Ewing e Torunn Gønbekk.

Um panteão de deuses, seres imortais cujas aventuras e caprichos explicam os fenômenos da natureza, infortúnios e benesses que esses fenômenos garantem para a vida dos mortais. Essas são narrativas comuns a todos os agrupamentos humanos ao longo da história. Nós, ainda hoje, fazemos parte dessa tribo, separada apenas pelo tempo. 

“Metafísica” é o nome do conjunto de reflexões sobre nossa existência e nossa finitude, sobre a existência dos deuses e sobre as formas pelas quais apreendemos a mecânica dessa realidade que está além da matéria. Foi em uma dessas estruturas metafísicas que Stan Lee e Jack Kirby se basearam para criar as aventuras de Thor, o deus do trovão, nas páginas da revista Journey into Mistery, na década de 1960.

Na versão original da Marvel, Thor havia sido mandado para a Terra por seu pai (Odin) como o estudante de medicina Donald Blake (sem poderes ou memória), para que ele aprendesse a ser humilde. Depois de se tornar um cirurgião, Blake descobre um cajado que se transforma no martelo Mjolnir, e ele mesmo em Thor. Mesmo relembrando sua origem, o deus do trovão continua sua vida como o mortal Blake, apaixonado pela enfermeira Jane Foster, e apegado à vida na Terra.

Quase 60 anos depois, a personagem coadjuvante Jane Foster assume um novo papel nessa mitologia nas mãos dos criadores Jason Aaron (Thor) e Al Ewing (Hulk Imortal). Depois de ter assumido o lugar do deus do trovão e ter dado sua vida para salvar Asgard (nos últimos arcos de Thor escritos por Aaron), Jane Foster passa a ser a última Valquíria. Para construir a história os roteiristas elegeram alguns elementos essenciais: o título original da primeira revista do Thor (“Jornada ao Mistério”), a medicina e a relação dessa profissão com a vida e a morte – em especial o tema da vida após a morte, ou da sobrevivência da nossa essência para além do corpo físico.

O primeiro arco (edições 1 à 7) de Valquíria: Jane Foster trata dos poderes de uma valquíria e da questão da morte. A principal função de uma valquíria é levar os guerreiros para o Valhalla depois que eles morrem de forma digna em uma batalha. Assim a fronteira entre a vida e a morte é o lugar de atuação de Jane Foster, tanto como valquíria quanto como médica. Ela mesma já havia perdido a batalha para o câncer, o que faz dela alguém com uma perspectiva mais empática em relação ao morrer. Questionando a determinação do Valhalla como destino dos que perecem, Jane visita diferentes cenários de vida após a morte até chegar ao mistério. Sua jornada ao mistério é uma transição entre uma metafísica totalmente fechada para uma mais aberta. De uma explicação determinista para uma que entende que não temos como saber tudo o há do outro lado.

Nesse arco, Jane Foster investiga o que ou quem é a morte. Um de seus poderes é perceber quando alguém está próximo da morte, e essa percepção indica que existem anomalias afetando a própria morte. Ao lado de outros personagens ligados à medicina como o Doutor Estranho, a Enfermeira Noturna e a Dra. Faiza Hussain (Excalibur), Jane Foster busca uma solução para o problema. Ela consegue ver a morte como uma valquíria enxerga um guerreiro que tombou na batalha, como uma médica olha para um paciente terminal, como alguém que perdeu a vida para uma reprodução celular descontrolada. Por um lado é uma jornada de busca pelas causas do adoecimento. Por outro, antes de tudo, é uma investida para entender o “mal” contra o qual todos os heróis lutam. Jane Foster descobre, este mal não consiste de algo fixo ou eterno, mas, sim, como uma manifestação de um desequilíbrio. A morte não pode deixar de existir porque é ela que dá sentido para a vida, e por isso é preciso curar a morte.

Nas edições 8 à 10 a roteirista e artista plástica norueguesa Torunn Gønbekk se juntou ao time criativo para contar a história de um mal ancestral que volta a assombrar a Terra e Asgard. A narrativa que envolve Thor, Loki e outros nomes da mitologia nórdica da Marvel, aprofunda o papel de Jane Foster nessa metafísica e prepara o terreno para a série que vai contar o retorno das valquírias. Jason Aaron e Torunn Gønbekk assinam essa nova série que vai estrear em 2021 – King in Black – Return of the Valkyries.

Se eu fosse vocês, não perderia!

Sobre Picareta Psíquico

Uma ideia na cabeça e uma história em quadrinhos na mão.
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