Sessão nostalgia: mangá e animê antes da internet

Lembranças de uma época analógica!

O mangá e o animê tiveram picos de sucesso em algumas décadas no Brasil. Por exemplo, Patrulha Estelar (Uchû Senkan Yamato – 1974) que foi exibido na Rede Record e TV Manchete entre os anos 1981 a 1985, ou mesmo o mangá Lobo Solitário (Kozure Ôkami – 1970) publicado pelas editoras Cedibra e Nova Sampa nos anos 1988 a 1993.

Esses mangás e animês se tornaram um ícone nostálgico da cultura japonesa no Brasil. Nem sempre sabíamos que eram mangás e animês, apenas líamos e assistíamos como qualquer pessoa que aprecie essas artes. Os mais aficionados por histórias em quadrinhos e animações conseguiam compreender que os traços ou mesmo escritas, quando estas apareciam, não eram ocidentais.

Sônia Luyten Bibe, por exemplo, pesquisadora de quadrinhos e mangá, foi uma das primeiras a estudar o mangá por perceber que a linguagem era diferente. Dessas percepções muitos brasileiros começaram a aprender a língua japonesa para que pudessem ter mais acesso a outras animações, que eram vendidas ou alugadas em fitas VHS, mas na língua japonesa, ou mesmo os mangás que eram importados pelos descendentes de japoneses para que pudessem manter o contato com a cultura do país de seus familiares.

O acesso a esses materiais era limitado. Em São Paulo, por ter a maior colônia japonesa do Brasil, não era tão difícil encontrar mangás e animês, mas em outras cidades como Curitiba, era necessário esperar mais tempo para que alguma fita de vídeo ou mangá chegasse na cidade, geralmente, era através de alguém que tivesse ido para São Paulo.

As convenções também eram uma oportunidade para adquirir produtos japoneses originais. As lojas sempre eram lotadas de pessoas querendo comprar mangá ou animê, mesmo sem entender a língua japonesa, mas o importante era ter o objeto. Muitas vezes, algumas semanas, ou mesmo, meses antes do evento começar, os jovens solicitavam às lojas de São Paulo encomendas ou reservas de determinados produtos para que não ficassem sem nas disputas de consumo. Esses eventos aconteciam na capital paulista e muitos jovens do Brasil se encontravam no local tanto para trocar figurinhas quanto para manter o contato por terem afinidades.

Com o tempo, outras cidades começaram a promover eventos de animê e mangá. Em algumas cidades, as escolas públicas ou particulares e até espaços culturais públicos cediam o espaço, às vezes a secretaria de cultura da cidade ou estado disponibilizavam alguma verba, mas quem fazia o evento mesmo eram os fãs. Isso era uma oportunidade viável para muitos, pois não precisariam se deslocar para São Paulo e pagar transporte, hospedagem e alimentação. As lojas paulistanas começaram a viajar pelo Brasil afora participando desses outros eventos, pois eram as únicas que comercializavam animês e mangás.

Foto Animencontro Revista AnimeEx

Os cosplay tiveram, como ainda têm, muita importância nesses eventos. Muitos fãs, que não se conheciam, passaram a manter contato porque seu personagem se encontrou com outros do mesmo animê ou mangá. No entanto, os cosplay dessa época nostálgica, não eram tão elaborados por uma defasagem em relação à obtenção de imagens para confeccioná-los. Eram imagens de pequena qualidade, apenas um ou dois tipos de posição do personagem para mostrar a uma costureira que estranhava a “fantasia”. Hoje em dia esses cosplay seriam chamados de cospobre, mas para muitos daquela época era uma vitória conseguir fazer um cosplay do seu personagem.

animencontro 1

Os contatos entre fãs eram via cartas. Raramente se ligava para outras cidades, pois o valor do impulso interurbano não era muito barato. Essas cartas circulavam pelo Brasil levando imagens recortadas de revistas, desenhos no estilo mangá criados ou copiados, questionários sobre os animês e mangás e, também algumas fotos pessoais para que se pudesse ter conhecimento de quem era a pessoa. Era por onde se conversava sobre esses assuntos.

Começaram a surgir fãs que conseguiam as fitas VHS em japonês e colocavam legenda, conhecidos com fansubs. Tinham duas maneiras de conseguir essas fitas, ou em convenções de animê ou via correio. Muitas dessas fitas VHS eram cópia da cópia e, isso fazia com que a imagem e o áudio ficassem distorcidos, mas não era um agravante que impossibilitasse a circulação desses produtos.  Era isso ou nada.

funsub

Com o advento da internet, esses caminhos foram sumindo. O que é lançado no Japão num dia, no mesmo já é exibido na internet. Não é necessário esperar meses para conseguir ler ou ver o próximo episódio. Temos excelentes eventos em diversas cidades. Comerciantes começaram a investir em produtos de animê e mangá. As editoras traduzem mais mangá. As emissoras de TV exibem mais animês. A internet torna esses conteúdos acessíveis.

Chegamos num momento que quem cresceu antes do boom da internet tem essas lembranças na memória.

Para os demais é perceber que a paciência era necessária.

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Sobre Mochi

Atingiu o estado de Olhos Grandes nas ilhas do Oriente Silencioso.
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2 respostas para Sessão nostalgia: mangá e animê antes da internet

  1. makoto disse:

    As emissoras de TV exibem mais animês.
    Só se for via streaming.

  2. adorei o post não pode ler todo porém e super importante escrever sobre isso pois mangá e coisa seria

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