Scalped – o terceiro mundo no coração da América

A série SCALPED, de Jason Aaron, publicada na íntegra pela Panini na revista Vertigo (que acabou no número 51, na conclusão da série), foi uma das narrativas mais interessantes que li nos últimos tempos. Não por acaso está sendo adaptada para a TV junto com outras séries da DC Comics como Constantine, The Flash, Gotham e Preacher (A DC está invadindo a TV já que a Marvel tem sido mais consistente no cinema).

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Usando como inspiração o caso real de Leonard Peltier, um ativista da causa indígena que matou dois agentes do FBI em 1975 na Reserva Indígena de Pine Ridge (Dakota do Sul), a série mostra o difícil equilíbrio entre manter a identidade cultural e sobreviver num lugar “ainda esquecido, ainda o terceiro mundo no coração da América“ – nas palavras de Lincoln Corvo Vermelho (o melhor e mais significativo personagem da série).

A jornada do herói é conduzida pelo personagem Dash Cavalo Ruim que busca relutantemente sua identidade nos escombros do passado de sua mãe e dos ativistas que como ela lutaram pela preservação da terra e da cultura indígena que Dash tanto nega. Nessa busca seu principal inimigo e mentor é Lincoln Corvo Vermelho, um líder político, chefe do crime, que em suas próprias palavras – “me considero um homem honrado. Espiritual. Respeito meus ancestrais. Trato bem os animais. Sou amigo da natureza. Um amante carinhoso. Um político benevolente. um homem honrado com certeza, mas isso não significa que sou bonzinho. Se há uma coisa que não sou é bonzinho. Eu matei muitos homens. Mulheres também. Alguns com um aceno ou uma palavra. Alguns com minhas próprias mão. E eu mataria muitos mais, se isso for necessário para que a minha visão se concretize. De fazer desse mundo um lugar melhor para o meu povo. Goste ou não, é isso que sou. Que eu sempre serei. Porque alguém precisa ser. E se isso me torna impopular em alguns círculos, que assim seja.“

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O texto de Aaron evolui rapidamente. A partir da 6ª edição e depois mais claramente na 11ª a história adquire mais nuances, escapando dos personagens estereotipados, do sexo e da violência gratuita, cadenciando o tempo da narrativa, pulando para o passado e para o futuro, com muitas referencias históricas e diálogos internos. As capas de Jock são incríveis – sintetizam cada edição e dão unidade a toda a série. Mas a arte de R. M. Guéra (e as cores de Giulla Brusco) são o corpo e a alma dessa narrativa densa e obscura. Muitas das sequencias se passam a noite no deserto e o uso de sombras (Guéra), tons de terra, azul profundo e púrpura (Brusco) nos fazem perceber o cenário como parte fundamental da história. O estilo sujo e a quantidade de elementos que o sérvio Rajko Milošević Guéra coloca em cada quadro reforçam a beleza, degradação e as múltiplas camadas de significado de uma narrativa sobre queda, redenção e busca de identidade.

Tem tudo para ser uma série de TV muito intensa. Recomendo!

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Sobre Picareta Psíquico

Uma ideia na cabeça e uma história em quadrinhos na mão.
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2 respostas para Scalped – o terceiro mundo no coração da América

  1. JP Zampiere disse:

    Façam vídeos sobre algumas séries da Vertigo, um por mês… e outros quadrinhos fora do nicho super heróis, retalhos, maus, local…

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