Indiana Jones fora das telas

Assim como outras franquias do cinema dos anos 1980, Indiana Jones se desdobrou em livros, histórias em quadrinhos e em jogos. Dos quadrinhos apenas uma parte muito pequena desse material foi publicado no Brasil.

O primeiro quadrinho foi Raider of the Lost Arc (Caçadores da Arca Pedrida), adaptação do filme publicada pela Marvel em 1981. Com roteiros de Walter Simonson e arte de John Buscema, a história em três edições tem algumas diferenças em relação ao filme, mas a arte e o ritmo são impecáveis.

Em 1983 a Marvel lança o título mensal The Further Adventures of Indiana Jones, que teve 34 números. Aqui no Brasil foram publicadas as edições 1 à 14 e as edições 17 e 18, no Almanaque do Capitão América (a partir do número 74 desse formatinho da editora Abril, publicado em 1985). As primeiras edições são desenhadas por John Byrne e pelo titulo passaram roteiristas como David Michelinie e Linda Grant, e ilustradores como David Mazzucchelli e Steve Ditko. Nessa série podemos ver um pouco mais do Dr. Henry Jones Jr. no seu papel de professor universitário, além de inúmeras aventuras em busca de relíquias históricas.

Com o segundo filme da franquia em 1984, a Marvel lança, novamente em três edições, a adaptação de Indiana Jones and the Temple of the Doom (Templo da Perdição), com roteiros David Michelinie e arte de Jackson Guice (dupla de muitas edições de The Further Adventures of Indiana Jones). Dessa vez a adaptação segue à risca o roteiro do filme.

Em 1989 a Marvel faz sua última publicação com o personagem, adaptando o terceiro filme da franquia. Indiana Jones and the Last Crusade (A Última Crusada) foi dividida em 4 edições e contou com roteiros de David Michelinie e a arte elegante de Bret Blevins. Mais uma vez uma adaptação fiel que vale muito pela arte.

Com o fim do contrato com a Marvel os direitos do personagem vão parar nas mãos da editora Dark Horse. Em 1991 o primeiro título da nova casa é a adaptação do jogo para PC – Indiana Jones and the Fate of Atlantis. Em 4 edições, com roteiro de Bill Messner-Loebs e arte de Dan Barry, a história mostra a busca por tesouros da lendária cidade perdida de Atlântida, com muitos diálogos e monólogos explicativos. A arte começa muito carregada de cores e sombreamento, mas vai ficando mais simples e ágil ao longo das edições.

Em 1992 a Lucas Film produziu a série de TV The Young Indiana Jones Chronicles (O Jovem Indiana Jones), que teve duas temporadas (28 episódios no total), e 4 filmes para TV. Na esteira dessa produção a Dark Horse lançou no mesmo ano a série como o mesmo nome, que teve 12 edições, com roteiros de Dan Barry e arte de vários ilustradores. Os quadrinhos seguiam a mesma fórmula da série de TV, abrindo com as recordações de um velho Indy (aqui sem o tapa-olho que ele usa na tela), seguindo para um destino e um ano (Egito em maio de 1908, ou Verdum em setembro de 1916, são exemplo de títulos das histórias). As edições desenhadas pelo próprio Dan Barry são lindas.

Na sequência Dan Barry, assinando roteiro e arte, lança pela Dark Horse em 1993 a história em 6 edições – Indiana Jones: Thunder in the Orient. A primeira história que não foi inspirada ou adaptada de produções da Lucas Film desde o título mensal da Marvel dez anos antes. A aventura se passa antes dos acontecimentos de Fate of Atlantis. e a arte de Dan Barry faz muito bem ao personagem. Lembra o traço do Jean Giraud nas primeiras edições de Tenente Blueberry. As capas do Dave Dorman são também incríveis!

Em 1994 mais 2 minisséries, com 4 edições cada, foram lançadas pela Dark Horse. Indiana Jones and the Arms of Gold, com roteiro de Lee Marrs, e arte de Leopoldo Durañona, conta uma aventura pela América do Sul, passando por Buenos Aires em 1937. Indiana Jones and the Iron Phoenix, com roteiro de Lee Marrs e arte de Dave Dorman, que também faz as capas, e conta a busca pela Pedra Filosofal em 1947, na Alemanha do pós guerra. Ainda em 1994 a editora compilou numa edição única a história Indiana Jones and the Shrine of the Sea Devil, escrita e desenhada pelo Gary Gianni (Hellboy). Originalmente publicada em partes na revista Dark Horse Comics, a aventura conta o encontro de Indy com a aviadora Amelia Earhart.

Mais 3 minisséires em 1995. Indiana Jones and the Golden Fleece, em 2 edições com roteiro de Pat McGreal e David Rawson, e arte de Ken Hooper, conta uma aventura na Grécia, durante a invasão nazista em 1940, com Indy na busca pelo velo de ouro mitológico. Indiana Jones and the Spear of Destiny, em 4 edições com roteiro de Elaine Lee, e arte de Dan Spiegle, é uma sequência direta da Última Cruzada, Indy e seu pai seguem enfrentando os nazistas para impedi-los de pegar a Lança do Destino. Esse mesmo artefato aparece no quinto filme da franquia (Chamado do Destino). Por fim, Indiana Jones and the Sargasso Pirates, em 4 edições com roteiro e arte de Karl Kessel, conta uma aventura no Mar dos Sargaços, no Atlântico Norte (próximo do Triângulo das Bermudas), onde o herói busca por um navio Viking em 1939.

Depois disso só com o lançamento do quarto filme da franquia (O Reino da Caveira de Cristal), em 2008, a Dark Horse voltou a publicar material com o personagem. Começou com a adaptação para os quadrinhos, em 2 edições, do roteiro do filme, escrito por John Jackson Miller e arte de Luke Ross, a narrativa é um resumo do filme e a arte parece rotoscopia.

Ainda em 2008 temos Indiana Jones and the Tomb of the Gods, em 4 edições com roteiro de Robin Williams, e arte de Steve Scott, é a aventura mais rocombolesca de todas até aqui, com o herói enfrentando tubarões apenas com os punhos no mar do Japão, entre outras cenas exageradas.

As últimas publicações da Dark Horse com o personagem, em 2008 e 2009, foram 2 volumes de Indiana Jones Adventures, ambos com roteiro de Phillip Gelatt e arte de Ethen Beavers. Tanto a arte como o roteiro são mais infantis, mas as histórias são bem escritas e o ritmo da narrativa funciona.

Mesmo com o lançamento do quinto filme não existe nenhuma conversa sobre adaptação para os quadrinhos ou qualquer outro tipo de material novo de Indiana Jones.

Uma pena não termos acesso a esse material aqui no Brasil (só scan). Mesmo a série de TV não está disponível no streaming da Disney na nossa região. É obvio que o personagem é importante pra um público mais velho (na sessão de cinema que eu fui só tinha cabelo branco), mas eu só conheci o trabalho de muitos roteiristas e desenhistas geniais por causa desses quadrinhos.

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Uma ideia na cabeça e uma história em quadrinhos na mão.
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