Das histórias que não se deve esquecer: É Um Pássaro…

Conheça ou relembre uma das mais tocantes histórias do Homem de Aço.

“É um pássaro” é um quadrinho autobiográfico escrito por Steven T. Seagle e desenhado por Teddy Kristiansen, publicado originalmente em 2004 pelo extinto selo Vertigo da DC Comics e publicado no Brasil pela editora New Pop. A história tem início com Steven ainda criança no hospital com seu irmão Dave, seus pais estavam no hospital para visitar a avó dos garotos que estava enferma de uma doença rara, conhecida outrora como “Coreia de Huntington”, que mais tarde passaria a se chamar “Doença de Huntington”. No mesmo dia Steven e seu irmão Dave recebem um gibi do Superman dado pelo pai como forma de passatempo, infelizmente esse evento marca tristemente a infância do protagonista, por conta da situação da avó, que faleceria em decorrência da doença.

Steven é um roteirista de quadrinhos, assim como na vida real, e também tem um sólido relacionamento com Lisa, o protagonista leva uma vida comum, sem excessos, ele é muito reflexivo e melancólico, não é o tipo de personagem que você espera tendo aventuras dinâmicas em uma estrada ou cometendo algum tipo de rebeldia. Entretanto, um acontecimento mudaria seu curso, fazendo-o repensar toda a sua vida. O agente de Steven chamado Jeremy oferece uma proposta para que ele seja o novo roteirista da revista do  Superman.  

A proposta para escrever Superman deixa nosso protagonista confuso, e o que inicialmente parecia ser motivo de alegria para Jeremy por ser uma possibilidade única de criar histórias para um dos (se não o maior e mais icônico) super-herói de todos os tempos, para Steven era algo perturbador, principalmente por sua experiência durante a infância.



Steven também não consegue conceber como o Superman, com sua roupa fora de moda e com seus poderes que o tornam quase um deus, possa ser ainda tão relevante para a cultura americana. E todos esses pensamentos que cercam o roteirista fazem com que ele tenha um certo bloqueio criativo, onde inicialmente ele recusa a oportunidade de se tornar o roteirista do “Azulão Alado”. Além disso, Steven também começa a questionar a sua própria personalidade e história de vida, começa a ter problemas com sua namorada Lisa e não bastando isso, seu pai desaparecera misteriosamente, deixando sua mãe totalmente aflita. 

Em meio à miríade de problemas, Steven precisa ainda dar uma resposta concreta a Jeremy, sobre se de fato irá escrever a revista do Superman ou não. Então nosso protagonista começa a esboçar rascunhos de histórias em sua cabeça acerca de Clark Kent e sua saga desde quando foi criado por Joe Shuster e Jerry Siegel até os dias atuais.

Inicialmente Steven encontra muitos percalços, pois seu pensamento não aceita que tamanho poder do Superman possa caber numa história que convença o leitor e que seja palpável para a atualiade. Mas conforme o protagonista vai se deparando com mais problemas e adversidades, além do fato de estar procurando seu pai desaparecido, ele também entende que a Doença de Huntington talvez seja uma presença mais forte em sua família do ele jamais pensara.  E como o Superman pode ser real para ele? Como pode ser relevante a ponto de Steven escrever boas histórias sobre o último filho de Krypton? 

“É um pássaro” é uma HQ com uma mensagem profunda que apresenta várias maneiras de se relacionar com o Superman através da cultura americana. Steven vai encontrando outros significados para o super herói, e mais do que isso, ele vai tendo contato com pessoas que tiveram experiências diferentes ao ler as histórias de Superman, outras maneiras em que ele pôde ajudar alguém e mostrar seu esplendor heroico para além dos quadrinhos. 

É um quadrinho que vale a pena ser lido pela sua carga emocional e toda a reflexão apresentada, a narrativa gráfica feita por Teddy Kristiansen é incrível, impondo um ritmo dinâmico, fazendo o leitor imergir nas emoções dos personagens envolvidos e sentir-se parte da história também.

A obra é uma grande homenagem ao legado e ao simbolismo de Superman, personagem presente na memória do mundo, e que se apresenta para além de suas próprias histórias, ganhando vida e riqueza na imaginação daqueles que nele acreditam e se permitem ver no céu aquilo que talvez possa não ser um pássaro, mas sim o próprio Superman, aquele que, entre tantas coisas, também tem o poder de inspirar. 

Sobre Goes Murdock

Teve suas faculdades psíquicas ampliadas ao entrar em contato com as Luzes Captológicas. Nos bares de São Paulo, entre um vinho e outro, não se cansa de dizer aos amigos o poder transformador dos quadrinhos. Ler e escrever é uma necessidade diária assim como comer, e mesmo rodeado de cardápios culturais sente fome de conhecimento.
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