Como os super-heróis podem ajudar na inclusão educacional?

Quais as relações entre identificação de crianças e jovens com transtornos ou deficiências e super-heróis?

 

 

 

 

 

Por Lisiane Teresinha Dias Olsen*

Os super-heróis não são apenas seres com poderes, mas refletem nas vidas de seus fãs. Eles podem representar os medos, incertezas e dificuldades de educandos que convivem com a diferença de serem classificados como “especiais” ou educandos de “inclusão”, que também vivenciam um olhar sobre suas características diferenciadas, seus poderes “especiais” e que precisam ser “incluídos” numa sociedade preconceituosa.

Ao admirar esses personagens, lendo ou assistindo-os, os educandos podem trabalhar suas próprias dúvidas, desenvolver empatia com a trajetória que eles vivem, podendo refletir que não estão sozinhos e não são os únicos que convivem com angústias referentes às suas dificuldades.

Quando o educando sente que o educador reconhece-o pertencente à cultura pop, conhece ou pretende conhecer a história desses personagens, tende a confiar no educador que o surpreende com o desejo de embarcar no seu universo até então intocável. Através de questionamentos, da escuta e da confiança construída constantemente, os super-heróis e super-heroínas podem estabelecer uma ponte entre o educador e o educando, entre o real e o imaginário, entre o preconceito e a diversidade. É preciso paciência e um honesto desejo em conhecer a fundo os gostos, os personagens favoritos, aqueles com que o educando mais se identifica, quais não gosta e o porquê.

Há várias formas de se começar esse processo. Pode ser por diálogos sobre filmes ou histórias em quadrinhos conhecidos ou que estão em alta no momento. Personagens marcantes nessas histórias, pontos que chamaram a atenção ou simplesmente pedir ao educando para que conte uma história. Pode ser também por questionamentos sobre quais poderes o educando gostaria de ter, quais personagens mais lhe agradam e o porquê desse agrado, podendo ser aproveitadas dicas que o educando deixa a perceber: personagens em seus materiais escolares, frases utilizadas ou roupas personalizadas.

Outra forma é apresentar super-heróis e suas histórias para analisar junto aos educandos as características em comum, nomes diferentes, entre os demais detalhes possíveis a serem destacados. A forma de abordagem dependerá do nível em que o educando está, o conhecimento que o docente já tem, das possibilidades em sala de aula e, claro, da sua criatividade.

Essas abordagens podem auxiliar no processo de aprendizagem quando são conciliadas às temáticas da aula, podendo trabalhar inúmeras atividades e conhecimentos através dos super-heróis e heroínas escondidos em cada educando. Abaixo seguem algumas possibilidades já utilizadas nesses processos de criação de vínculo:

Super Alfabeto: Com essas cartinhas personalizadas com super-heróis e super-heroínas de A a Z, pode ser trabalhado com os educandos a ordem alfabética, a nomeação das letras, reconhecimento da letra inicial de palavras. Além de propiciar o diálogo entre docente e educando partindo dos personagens apresentados, assim possibilitando inúmeras atividades e brincadeiras.

Super Alfabeto

 

Jogo das letras: Essas cartinhas podem auxiliar na alfabetização e na compreensão de que toda palavra tem um determinado número de letras. Além de poder servir como um divertido jogo de cartas dos poderes, que dependerá da criatividade do educador e dos educandos. Remetendo às famosas cartas colecionáveis, os educandos sentem-se seguros a utilizarem uma adaptação de um jogo conhecido, tornando atividades pedagógicas mais divertidas.

Jogo das letras

 

Superlivro: Com esse carismático super-herói é possível trabalhar o cuidado com os livros, a importância da leitura e da imaginação. Serve como fantoche e pode ser feito junto com a turma, tornando-o um ‘super mascote’ da turma. Uma ferramenta que pode ser usada em diferentes níveis: da educação infantil ao ensino fundamental.

Superlivro

O mais importante nessas abordagens não é o jogo a ser utilizado ou o personagem a ser escolhido, e sim o super-herói ou heroína a ser descoberto por trás do educando. Todo indivíduo é um super educando, desde que você reconheça-o como tal e inspire-o a utilizar os seus super-poderes. Seja um super-professor e uma super-professora, respeite as culturas que cada um carrega em si, reflita sobre o potencial e as possibilidades de  utilizar os super-heróis e heroínas a favor das práticas pedagógicas.

 

* Graduanda do curso de Pedagogia, pela Universidade La Salle. Nerd, contadora de histórias e apaixonada por quadrinhos e livros!!!

Sobre Universos Paralelos

O Grupo de Pesquisa Universos Paralelos: Arte Sequencial, Mediação Cultural e práticas pedagógicas tem como proposta aproximar e integrar produções artísticas e culturais de práticas pedagógicas, realizando pesquisas sobre o tema. A perspectiva de educação como mediação cultural, onde a realidade é reproduzida a partir de chaves de leitura pedagógicas, assim o grupo propõe um espaço de discussão, leitura e decodificação de produções e linguagens midiáticas que se fazem onipresentes em nosso cotidiano cultural.
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